Editorial
Marcha
sobre Brasília reacende
a luta
A
conjuntura nacional e internacional vem demonstrando que, apesar
da aparente legitimidade e força do capitalismo, este vem
enfrentando uma profunda crise. Os movimentos sociais retomam,
na América Latina, sua força no combate às
políticas neoliberais, articulando iniciativas internacionais,
como a Rede Social em Defesa do Ensino Público (Rede SEPA),
promotora do Dia de Luta em Defesa do Ensino Público, contra
os Tratados de Livre Comércio (20 de abril).
A destruição dos serviços públicos,
somada ao congelamento salarial dos funcionários públicos
e ao ocultamento de uma inflação que rouba a possibilidade
de melhor qualidade de vida da população, vem produzindo
um caldo de cultura em que o despotismo do Executivo, aliado aos
mandamentos dos organismos internacionais, tornou possível
uma corrupção que atingiu patamares nunca antes
imaginados. Por exemplo, o FGTS expurgado será pago pelos
seus donos (os trabalhadores) ainda que desvalorizado pelo desconto
e por cinco anos de inflação. O brasileiro só
se aposentará com a morte.
Diante desse quadro, a Coordenação Nacional dos
Servidores Públicos Federais construiu o indicativo da
Marcha sobre Brasília. A conjuntura indicava claramente
a necessidade de o movimento de massa expressar-se com clareza.
O Fórum Nacional de Luta, a CUT e os partidos progressistas
aderiram a essa luta. O êxito da Marcha está demonstrado
pela tentativa de diminuição de sua importância
pela tropa de choque governamental. A pauta de luta incluiu os
seguintes eixos: reposição salarial, contra o expurgo
do FGTS, contra a destruição da Previdência
Social Pública e contra o anteprojeto de Emprego Público
e pela CPI da Corrupção, Já! A imprensa destacou
fortemente a luta pela CPI da Corrupção. É
verdade que os manifestantes querem passar a limpo todo o mar
de impunidades e de corrupção existente. Mas o fundamental
não era isso. Hoje, mais do que nunca, estamos lutando
para articular socialmente o combate ao modelo neoliberal e suas
conseqüências. Não cairemos novamente no conto
da moralidade que esterilizou a luta contra Collor e seu modelo
econômico e político. O ANDES-SN coloca com clareza
a centralidade da sua intervenção lutando pela carreira
única (isonomia de todos os docentes - 1°, 2° e
3° graus); contra o projeto de celetização da
docência universitária (eufemisticamente chamada
de Emprego Público) e pela paridade entre professores aposentados
e professores em atividade. O 20° Congresso foi muito claro
e incisivo ao apontar a luta em conjunto com os movimentos sociais.
Não existe contradição entre a luta geral
e a luta particular. Não nos estamos defrontando com políticas
isoladas, mas contra o programa neoliberal internacionalmente
recessivo e destruidor. Estamos nos mobilizando, e devemos acentuar
essa mobilização, para fazer frente tanto ao modelo
quanto às suas medidas.
Movimentos Sociais e Universidade: a mesma luta. Esta consigna
expressa a articulação entre o geral e o particular
(que é sempre o particular de um geral). Travar as lutas
contra o programa neoliberal é defender uma Educação
e uma Universidade laicas, democráticas, gratuitas, de
qualidade e socialmente referenciadas.
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Servidores
públicos se mobilizam contra
descaso e ataques do governo FHC
Trabalhadores
ocupam Esplanada dos Ministérios reivindicando reajuste salarial,
pagamento dos expurgos do FGTS e instalação da CPI da Corrupção
Os trabalhadores
estão mobilizados. O ato unificado da CUT, sindicatos filiados,
movimentos sociais e partidos de oposição, realizado no
dia 5, reuniu cerca de vinte mil pessoas - segundo estimativa dos organizadores
- na Esplanada dos Ministérios.
Os manifestantes vieram em caravanas de vários estados do país
exigir a instalação da CPI da Corrupção e
o pagamento imediato e integral dos expurgos do FGTS.
Os servidores públicos federais participaram de forma maciça,
protestando contra o congelamento salarial. A categoria está há
sete anos sem reajuste. O ANDES-SN, demais entidades ligadas à
Educação (Fasubra, Sinasefe, Contee, Une e Ubes) e estudantes
marcaram presença.
A manifestação teve início às 10h, com ato
em frente ao Banco Central. Participaram dirigentes da CUT, líderes
sindicais, funcionários públicos, professores, estudantes
e trabalhadores rurais sem-terra. Funcionários do BC se solidarizaram
com o protesto, jogando papéis picados das janelas.
Os manifestantes saíram em marcha até a Esplanada dos Ministérios,
num percurso de quatro quilômetros. Com palavras de ordem, pediam
"Fora, FMI" e a CPI de FHC. Nem o forte calor desanimou os participantes
que, amparados por vários trios elétricos e carros de som,
cantaram marchinhas ironizando as atitudes do governo. Uma das paródias
mais cantadas foi "Fernando eu quero/Fernando eu quero/Fernando eu
quero um aumento/São sete anos/são sete anos/São
sete anos e assim eu não agüento".
Pressão popular - Durante o ato, o presidente da CUT, João
Felício, reforçou a necessidade de manifestações
como essa. "Iniciamos hoje a mobilização nacional pela
conquista dos nossos direitos. Nosso objetivo é ir para as ruas
e demonstrar a nossa indignação. Só assim teremos
do governo a devida atenção para os nossos problemas",
afirmou.
Em frente ao Ministério da Educação, o presidente
do Sindicato Nacional, Roberto Leher, disse que o MEC deveria ser chamado
de sucursal do Banco Mundial para a educação, já
que aquele ministério implementa uma política de destruição
da universidade e da educação pública.
O dirigente petista Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante
coletiva à imprensa, que "o presidente não pode continuar
se comportando com esta arrogância, fingindo que é a única
autoridade moral do país". Lula disse que não se pode
justificar a não instalação da CPI em função
da estabilidade econômica. "Só seremos um país
justo se conciliarmos a estabilidade econômica com a estabilidade
social", avaliou.
Para Agnaldo Fernandes, coordenador geral da Fasubra e membro da Coordenação
Nacional das Entidades dos Servidores Federais - CNESF, a mobilização
"demonstrou organização de luta dos servidores, colocando
na ordem do dia a necessidade do reajuste salarial". Ele disse que
é preciso dar continuidade às mobilizações
em todo o país.
A manifestação foi encerrada com protesto em frente aos
Ministérios da Educação e Orçamento e Gestão.
No gramado do Congresso, os manifestantes montaram um painel com os nomes
de todos os parlamentares que não assinaram o requerimento de criação
da CPI da Corrupção.
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Momento
atual
Sociedade se mobiliza e exige CPI
contra a corrupção
Diante das graves denúncias de corrupção e irregularidades
no governo FHC, cresce em todo o país a indignação.
Nos últimos seis anos, todas as tentativas de investigação
do Congresso Nacional e no Ministério Público foram abortadas
por intervenção do Palácio do Planalto, com o apoio
dos partidos governistas.
O país vive uma crise política institucional sem precedentes
na história. É necessária a instalação
imediata de um CPI no Congresso Nacional para investigar todas as denúncias
de corrupção do governo FHC. Nesse sentido, partidos de oposição
e entidades representativas da sociedade civil estão se mobilizando
e vão à ruas exigir CPI já. Estão sendo coletadas
assinaturas que serão entregues aos parlamentares.
No dia 5 de abril, fortalecendo a manifestação organizada
pelo Fórum Nacional de Lutas, houve um grande ato público
em Brasília pela abertura da CPI da corrupção e por
um Brasil democrático, com ética na política e justiça
social. Confira abaixo manifesto pró-CPI.
Manifesto
contra a Corrupção: CPI Já!
Em Defesa do Brasil
As entidades populares, partidos políticos e personalidades públicas
que subscrevem este Manifesto entendem que é chegado o momento
de dar um basta à corrupção. A degradação
envolve o governo FHC, submerso em um mar de lama ímpar em nossa
História.
Mesmo no exterior, firmou-se idéia de que o nosso país é
o paraíso da corrupção e precisa do rigor de uma
"operação mãos limpas". A sociedade brasileira,
perplexa com o cinismo das elites dominantes e saturada de impunidade,
exige rigorosa apuração dos fatos e punição
dos culpados. Temos um presidente que treme quando se fala em Comissão
Parlamentar de Inquérito e empenha-se em evitar todas as iniciativas
de investigação, pois sabe que a condução
dos altos assuntos de Estado transformou-se num negócio entre amigos.
Denúncias surgem diariamente. São fatos que exigem uma ampla
e ágil mobilização da sociedade contra a corrupção
e pela imediata instalação da CPI, pois aceitar esse quadro
seria admitir a impunidade como definitivamente institucionalizada.
Entre as muitas denúncias não investigadas, podem ser enumeradas:
1- O episódio da compra de votos de parlamentares para assegurar
a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que estabeleceu
a reeleição para presidente da República, envolvendo
diretamente auxiliares próximos do Executivo, um procedimento típico
e recorrente do governo FH às vésperas de votações
no Congresso Nacional; 2- Maio de 95: Caso Sivam, Sistema de Vigilância
da Amazônia, favorecimento de empresa norte-americana em detrimento
da tecnologia nacional; 3- Novembro de 95: Proer, socorro financeiro que
custou R$ 40 bilhões aos cofres públicos, no programa criado
pelo governo FHC em 96 com o objetivo oficial de deter a crise financeira
que atingia a maioria dos bancos no país, especialmente em razão
da falência técnica do Banco Econômico e Banco Nacional;
4- Fevereiro de 96: Pasta cor-de-rosa - conjunto de documentos que ACM
ameaçou utilizar sobre corrupção no Banco Econômico;
5- Novembro de 98: Dossiê Cayman, documentos que comprovavam a existência
de uma conta (caixa 2) nas Ilhas Cayman, de R$ 360 milhões, dinheiro
que favoreceria as lideranças do partido do presidente FHC; 6-
Janeiro de 99: favorecimento de grandes bancos na desvalorização
do real, incluindo os bancos Marka e Fonte Cidam; 7- Julho de 2000: sobras
de campanha e caso Eduardo Jorge; 8- Agora, o caso ACM/Jader Barbalho.
Também a assinatura do Memorando Brasil/FMI, firmado para o empréstimo
da ordem de R$ 18,1 bilhões pelo prazo de 36 meses, o não
pagamento da correção do FGTS (um verdadeiro calote nos
trabalhadores) e o desmonte dos serviços públicos são
prova dessa lógica perversa de favorecer a elite contra os trabalhadores.
Todos esses fatos justificam CPIs. Implicaram no crescimento das dívidas
interna e externa e revelaram a apropriação, pelos interesses
privados, daquilo que é público. Uma promiscuidade que confisca
da sociedade os recursos para a superação da miséria
e do atraso.
Ao mesmo tempo, reafirmamos nossa luta para barrar a sangria das privatizações,
impedindo a entrega de Furnas e do sistema energético brasileiro
e das nossas empresas de saneamento básico. Esse caminho, rejeitamos:
já sabemos onde vai dar! Como se já não estivéssemos
saturados de incompetência, omissão e leviandade na administração
do que ainda é do povo brasileiro, perplexos, assistimos a mais
um capítulo dessa trágica série de irresponsabilidades
no afundamento de uma plataforma de bilhões de dólares.
As dez vidas dos trabalhadores da Petrobras não podem e não
serão em vão! Que a tristeza, que se mistura à indignação,
nos mobilize a todos, toda a sociedade brasileira, em defesa de nossa
dignidade, de nossa soberania, de nossa Pátria!
Chega de privatizações, omissão e incompetência!
Basta de corrupção! Em Defesa do Brasil!
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Meio
ambiente
Conflito sócio-ambiental: comunidade
do Batoque
e o Grupo Odebrecht
Águeda
Maria Garcia Coelho
PEA/CNPT/IBAMA/CE
As comunidades
litorâneas que exploram os recursos naturais para sua sobrevivência,
sempre o respeitaram como bem de uso comum. Isso tem garantido um alto
grau de preservação e conservação de ecossistemas
de grande relevância sócio-ambiental.
Por outro lado, essa realidade sofrem mudanças significativas quando
as relações de uso e apropriação dos recursos
naturais passam por um outro revés, como bem de uso privado e ou
mercadoria, com conseqüências desastrosas para as populações.
A quem isso interessa?
Enfatiza-se um segmento do mercado, o turismo, que se expande de maneira
desordenada e tem o meio ambiente como sua principal moeda de valor. É
nesse contexto que ainda poucos núcleos conseguem se manter e convivem
com o constante confronto da luta pela terra, como forma de garantir o
seu espaço. Espaço que vai além do território
de mar; mar e terra se permeiam como fundamentais na sua existência.
Entre esses poucos, destaca-se o Batoque, que há mais de dez anos
enfrenta a fúria dos especuladores e mantém embates que
se arrastam na esfera judicial - ora com indivíduos poderosos e
concentradores de terra, ora com grupos empresarias com discurso ambientalista
e propulsor de desenvolvimento.
O Batoque localiza-se no município de Aquiraz, a 54 km de Fortaleza,
entre a Reserva Indígena dos Genipapos-Kanindés e a Área
de Proteção Ambiental municipal do Balbino, já em
Cascavel-CE. O acesso é feito a partir da CE 040, rodovia estadual
com pavimentação asfáltica até o município
de Pindoretama. De Pindoretama ao Batoque, percorre-se uma estrada vicinal
sem pavimentação. Sua ocupação se deu no ano
de 1860, pela família Vitorino, que chegou e se instalou com o
propósito de explorar a pesca, coletar a tabuba (thypha dominguensis)
e desenvolver a pecuária extensiva. A partir desse marco, o núcleo
populacional teve a sua expansão, resultando nas atuais gerações.
A comunidade é constituída por 150 famílias que praticam
atividades extrativistas de pesca e coleta de frutos silvestres, bem como
a agricultura de subsistência, sobressaindo-se o cultivo de batata
doce em áreas de vazantes. A pesca é exercida de forma artesanal
com jangadas e paquetes, usando como apetrechos a linha e o anzol. A produção
pesqueira é de 40,77 toneladas por ano e representa 11,4% do pescado
no município de Aquiraz. Já a produção de
batata doce é de 60 toneladas ao ano, contribuindo com 18,75% da
produção do município. Para complementar a alimentação
e a renda familiar, praticam o extrativismo (murici, caju e coco), que
representa 15% da renda bruta da comunidade. Toda atividade econômica
que dá sustentação às famílias é
proveniente do setor primário, sendo 28,85% oriunda da pesca; 56,18%
da agricultura e 14,95% do extrativismo.
A comunidade organizada em defesa dos seus interesses, toma conhecimento
de outros mecanismos de gestão comunitária de recursos ambientais,
que poderá garantir-lhe a posse da terra e a preservação
dos ecossistemas a qual estão inseridas. Estudam a fio, com a assessoria
do Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos, o instrumento
de gestão ambiental - Reserva Extrativista, que nasceu por iniciativa
dos seringueiros da Amazônia com o seu líder Chico Mendes
e posteriormente reconhecido pelo IBAMA/CNPT. Vendo na Reserva Extrativista
uma forma de manter a preservação e conservação
do meio ambiente, a sustentabilidade social e a garantia do espaço
territorial dos Batoqueiros, esses manifestam formalmente ao IBAMA o seu
interesse na criação da Reserva Extrativista do Batoque.
A partir daí, o IBAMA/CE, por meio do seu Núcleo de Educação
Ambiental, ampliou as suas ações na comunidade desempenhando
o papel que lhe cabe para criação de Reservas Extrativistas.
Posterior a isso, o grupo empresarial Odebrecht propôs a construção
de um mega complexo hoteleiro - Aquiraz Resort, no valor aproximado de
U$ 800 milhões, com uma extensão de 8 km de praia, afetando
profundamente a comunidade do Batoque, que seria obrigada a mudar do seu
próprio espaço. Isso quebra toda dinâmica histórico-social,
construída ao longo de mais de um século.
Instalou-se mais um conflito sócio-ambiental pelo uso e apropriação
do recurso natural. De um lado, a defesa do meio ambiente como um bem
de uso comum de geração em geração; e de outro,
o bem de uso privado segregado a grupos sociais específicos.
No desenrolar dos fatos, surgiram diferentes atores sociais; o empreendimento
promove audiência pública no Conselho Estadual de Meio Ambiente
- COEMA, onde várias instâncias do Estado se fazem presentes
e celebram o complexo como uma alternativa extremamente viável
para consolidação da política de turismo ora instituída
pelo governo do Estado. Desconhecem o processo já desencadeado
para Criação da Reserva Extrativista. Submetem o projeto
à aprovação do COEMA que, por intermédio de
alguns conselheiros, solicita vistas ao processo e pede a criação
de uma Câmara Técnica para avaliar o empreendimento e seus
impactos, assim como subsidiar sua decisão de aprovação
ou não. Essa atitude modifica significativamente o curso do processo.
A empresa abre canal direto de negociação com a Comunidade
do Batoque e são realizadas inúmeras reuniões em
território da própria comunidade. A partir daí, o
Ministério Público Federal atua como principal mediador.
Após idas e vindas, conflitos de interesses, audiências sob
a mediação do MPF e assessoria do CDPH, chega-se a um denominador
que beneficia as partes envolvidas. Firma-se um termo de ajustamento de
conduta entre elas, garantindo a área de Reserva Extrativista e
o espaço da comunidade, o empreendimento com as alterações
devidas e referendadas pelo COEMA.
Esse é um momento histórico e um dos raros exemplos no Estado
do Ceará, onde uma comunidade litorânea enfrenta um embate
com grupo econômico e sai fortalecida. Percebe-se que nessa correlação
de forças - às vezes muito desigual, onde o próprio
Estado ao praticar a gestão ambiental, como afirma Quintas (1995)
distribui os custos e benefícios de forma assimétrica na
sociedade - foi fundamental a capacidade de organização,
articulação e história de luta dos Batoqueiros. Esses
fatores contribuíram intensamente para um desfecho satisfatório
em defesa dos seus direitos e de um patrimônio sócio-ambiental
de relevância sem igual para as presentes e futuras gerações.
Todavia, ainda há muito o que se avançar. Com a consolidação
da Reserva Extrativista, estão contribuindo para "o ressurgimento
do comum, e reforçando a importância de se repensar e se
reconstruir as formas tradicionais de apropriação de espaços
e recursos naturais renováveis na gestão ambiental, na proteção
da biodiversidade e da diversidade sócio-cultural", como afirma
Diegues (1995).
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Artigo
Desenvolvimento sustentável e a
capitalização da natureza
José
Domingues de Godoi Filho
UFMT/GERNE -ADUFMAT-S.SIND.
Nos chamados
tempos de globalização, se por um lado os recursos naturais
renováveis e não-renováveis e a disponibilidade de
recursos energéticos chamam a atenção da opinião
pública, mobilizam movimentos sociais, geram novas pesquisas e
debates, por outro, as políticas econômicas e os estilos
de desenvolvimento estão dilapidando e depredando a riqueza ambiental
do planeta com velocidade maior do que é suportável.
O modo destrutivo de uso e apropriação dos recursos naturais
e da força de trabalho humano atingiu patamares tão assustadores
que nos obriga considerar algumas questões até então
impensáveis e bem sintetizadas por Viviane Forrester: - "é
preciso merecer viver para ter esse direito? Será útil viver
quando não se é lucrativo ao lucro?"
Com o discurso genérico do desenvolvimento sustentável,
a reprodução do capital, em sua fase "verde",
vem ultrapassando em muito as formas primitivas e selvagens de apropriação
e ampliando os mecanismos econômicos de trocas desiguais de recursos
naturais dos países em desenvolvimento, por produtos tecnológicos
do primeiro mundo; ao mesmo tempo em que assume uma estratégia
de discurso que legitima a apropriação dos recursos naturais
e energéticos. Esta manobra discute e define, por exemplo, a biodiversidade
como patrimônio da humanidade, recodificando as comunidades como
mercados emergentes e parte do capital humano do planeta.
O discurso da globalização não aglutina a integridade
da natureza e da cultura, ao contrário, os absorve para globalizar
racionalmente o planeta e o mundo. Submete todos à lógica
da racionalidade globalizante e faz emergir o discurso da sustentabilidade
do ambiente, tentando reconciliar contrários - meio ambiente e
crescimento econômico. Após a ECO-92, os debates e propostas
no sentido da internalização das condições
ecológicas de produção foram deixados de lado e substituídos
pelo discurso do crescimento econômico como um processo sustentável
e sustentado nos mecanismos de livre mercado. O mercado, por sua vez,
como "meio eficaz" para assegurar o equilíbrio ecológico
e a igualdade social, vem gerando fantasias do tipo normas das séries
ISO-9000 e ISO-14000 para garantir que a tecnologia reverterá os
efeitos da degradação nos processos de produção,
distribuição e consumo de mercadorias.
A questão ambiental se converteu num instrumento para ampliar os
limites do crescimento.O ambiente e/ou o aparato tecnológico passam
a funcionar como tecnologia de reciclagem e a biotecnologia como um fator
para reduzir a vida a uma mera produção de mercadoria. O
ordenamento ambiental vira um instrumento viabilizador da localização
das atividades produtivas, dispersando as forças sociais, aumentando
o espaço de produção, circulação e
consumo, além de ampliar o território como suporte do crescimento
econômico.
O discurso da sustentabilidade foi incorporado às políticas
ambientais, seguindo os mesmos pressupostos da economia neoliberal, legitimando
a economia de mercado e justificando a capitalização da
natureza. São convocados para participar todos os sujeitos sociais
(governo, empresários, professores, povos indígenas, sem
terra...) de uma operação de pseudo-arrumação,
participação e integração, porém não
se respeitam diferentes visões. Não são permitidas
a discussão e formulação de um projeto futuro comum,
o que debilita as resistências da cultura, convertendo a natureza
para a lógica do capital. Assim, procura-se legitimar a desapropriação
dos recursos naturais e culturais das populações (a lei
de patentes e as reformas constitucionais impostas por FHC e sua base
parlamentar em nome da "modernidade", são bons exemplos),
em um esquema consertado e globalizado, no qual os conflitos passam a
ser "dirimidos" em um "campo neutro", no presente
caso, a OMC - Organização Mundial do Comércio.
A partir dessa lógica, busca-se fazer com que as populações
dos mercados emergentes e, particularmente, os povos indígenas
e as populações denominadas tradicionais, se reconheçam
como capital humano e que aceitem uma compensação econômica
negociada pela cessão deste patrimônio às empresas,
principalmente às multinacionais farmacêuticas e às
geradoras de produtos agronômicos. Estas constituirão instâncias
encarregadas de administrar os bens comuns "em benefício"
do equilíbrio ecológico e do bem estar da humanidade atual
e futura. Tudo isso representa uma operação simbólica
que funciona como um amálgama nos marcos ideológicos do
capital transnacional para legitimar as novas formas de apropriação
da natureza, o que faz crer que não há alternativas e impõe
um pensamento único, ao qual não se pode mais opor os direitos
tradicionais pela terra, pelo trabalho e pela cultura.
Torna-se urgente,então, desativar o poder de simulação
e perversão das estratégias globalizantes e fortalecer o
movimento de resistência que se articula para construir um paradigma
alternativo de sustentabilidade, em que os recursos naturais apareçam
como fundamentais para a reconstrução do processo econômico
dentro de uma nova racionalidade produtiva e de um projeto social fundado
nas autonomias culturais, na democracia e na produtividade da natureza.
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Grupos
de Trabalho
GTCA debate Mídia,
Neoliberalismo e Disputa de Hegemonia
O Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte (GTCA) se reuniu
nos dias 31 de março e 1o de abril, em Porto Velho-RO. O encontro
do grupo foi precedido do seminário (dia 31/3) "Mídia,
Neoliberalismo e Disputa da Hegemonia", realizado na Universidade
Federal de Rondônia (UNIR).
Os palestrantes foram o coordenador do Núcleo Piratininga, Vito
Gianotti, e o jornalista José Arbex (revista Caros Amigos). Participaram
dos debates professores, estudantes, sindicalistas e representantes de
movimentos sociais.
Durante a reunião do GTCA foram discutidos os seguintes temas:
as deliberações do 20o Congresso do ANDES-SN e o Plano de
Lutas 2001. Também foram definidos os temas e datas dos próximos
eventos do GTCA. Confira: seminário "Sindicatos e Mídias
Alternativas" e reunião do GTCA, dias 2 e 3 de junho, em Salvador-BA;
seminário "A imagem institucional nas organizações
sindicais", em Curitiba-PR; seminário "Cultura, Arte
e Lazer no Contexto da Organização Sindical", em Campinas-SP;
Encontro Nacional de Comunicação do ANDES-SN - "Globalização,
Comunicação e Artes" -, no Rio de Janeiro-RJ.
Encontro
Nacional de Ciência e Tecnologia na Amazônia
De 18 a 20 de abril será realizado o Encontro Nacional de Ciência
e Tecnologia na Amazônia, em Rio Branco-AC. Os principais objetivos
do evento são resgatar o papel do sindicato na sua relação
com a produção do conhecimento, discutir a atual política
de ciência e tecnologia do país e a necessidade da democratização
das decisões sobre essa política, em contraposição
aos grupos de poder instalados na região amazônica.
No dia 18 haverá conferência sobre "O papel das universidades
na produção do conhecimento científico e tecnológico
na Amazônia", com Roberto Leher, presidente do ANDES-SN. Para
o dia 19 estão previstas duas palestras: "Biodiversidade,
biotecnologia e bioética" e "Políticas públicas:
fundos setoriais e agências reguladoras". O encontro será
encerrado com debates sobre "Políticas públicas: zoneamento
econômico e eixos de desenvolvimento" e "Questão
energética regional, alternativas de geração, demanda
de populações isoladas".
Inscrições na ADUFAC. Fone/Fax: (0xx68) 229-2197/ 229-4620.
Denúncia
Reitoria da UEM persegue professores
Quando o assunto é o direito do cidadão à livre expressão,
a reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná,
passa ao largo. E exemplos não faltam.
Desde o ano passado, três professores foram afetados por perseguições
políticas. São eles: Issakar Lima Souza e Vandoel Pedro
Barbosa Junior, já demitidos dos quadros da instituição,
e Paulo César de Freitas Mathias, indiciado em inquérito
administrativo por sua atuação na liderança da greve
da universidade em 2000, e recentemente agredido pelo procurador-geral
do Estado do Paraná.
Os professores Vandoel e Issakar foram admitidos na UEM por meio de concurso
público e, ao final de um período de dois anos, correspondente
ao estágio probatório, foram reprovados no quesito "eficiência".
O fato é que nessa universidade a avaliação não
seguiu regra alguma (a própria não normatizou a avaliação
de estágio, deixando espaço para critérios pessoais
dos chefes de departamento) e, de forma subjetiva e até mesmo desonesta,
fez com que eles fossem reprovados. Pior: os processos administrativos
que se seguiram estão recheados de vícios de procedimento,
parecendo que foram estabelecidos somente para criar um amparo jurídico
à decisão - tomada previamente - de não admiti-los
na instituição.
O curioso é que esses professores, além de possuírem
a mais alta titulação acadêmica, sempre desempenharam
suas funções com responsabilidade e dedicação.
Prova disso são as manifestações de apoio de significativa
parcela dos docentes e estudantes da UEM.
Em razão do caminho arbitrário, portanto injusto, seguido
pelos processos de avaliação interna, caso dos professores
Issakar e Vandoel, nos quais as normas regimentais foram desrespeitadas
e, no caso do professor Paulo, desrespeito à autonomia da UEM pelo
Governo do Estado, o ANDES-SN foi à luta para resguardar o direito
constitucional de livre expressão e do direito do cidadão
ao exercício de sua profissão.
O Sindicato Nacional está atuando em várias frentes: pela
via judicial, por meio de sua assessoria jurídica, e pela via política,
fazendo pressão para que a UEM reveja os casos.
Professores
da Unimep mantêm estado de alerta
Os professores da Unimep - Universidade Metodista de Piracicaba - reunidos
no último dia 2 em Assembléia Geral, deliberaram pelo fim
da greve, mas mantêm o estado de alerta.
A categoria, representada pela ADUNIMEP Seção Sindical,
decidiu voltar às atividades depois que a Reitoria resolveu negociar
a pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2001 e conversar
oficialmente com a entidade.
Segundo os diretores da ADUNIMEP, a Reitoria estaria desrespeitando a
seriedade e importância da entidade como representante sindical
da categoria, convocando reuniões informais e alongando o prazo
para início das negociações.
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Seções
Sindicais
ADUnB pressiona e garante transparência
na eleição para reitoria
O Conselho de Representantes da ADUnB-Seção Sindical conseguiu
evitar uma manobra no processo de sucessão do reitor da UnB, Lauro
Morhy, provável candidato à reeleição.
O reitor havia convocado, às pressas, uma reunião do Colégio
Eleitoral Especial (CEE) sem ouvir o Conselho Universitário (CONSUNI).
Em nota oficial divulgada aos professores e à imprensa, a ADUnB
denunciou a falta de transparência do processo e afirmou que a reunião
era "extemporânea e politicamente inadequada". Vale ressaltar
que o colégio eleitoral convocado pelo reitor é o mesmo
que o elegeu há quatro anos.
Depois da pressão da ADUnB, Morhy voltou atrás e decidiu
convocar uma reunião extraordinária do CONSUNI para o dia
22 de março. Direção, alunos, professores e funcionários
decidiram cancelar a convocação do CEE.
Foi marcado outro encontro do CONSUNI para o dia 30 de março, quando
foram discutidas as regras da eleição.
Vitória da democracia.
Encontro
da Regional Norte aprova moção de
repúdio
Os docentes representantes das Seções Sindicais da região
Norte aprovaram durante o III Encontro Ordinário da Regional Norte
- realizado dia 16 de março, em Manaus-AM -, uma moção
em repúdio à decisão do Conselho Universitário
da Universidade do Amazonas em seguir os critérios estabelecidos
na Lei 912/95 para a escolha do reitor da instituição.
Os companheiros consideram que a atitude do Conselho "demonstra subserviência
às políticas autoritárias e intervencionistas do
MEC, constituindo-se num retrocesso democrático construído
internamente nas IES públicas nos últimos 20 anos".
A moção reafirma as deliberações dos últimos
CONAD´s em defesa da universidade pública e contra a intervenção
governamental nos processos de nomeação e escolha de dirigentes,
assim como todas as formas de cerceamento da autonomia universitária.
Projeto
Sede de Leitura lança livros de professores da UFPB
Com o lançamento de seis livros e uma exposição em
artes plásticas, a ADUFPB-JP abriu a edição 2001
do Projeto Sede de Leitura. O evento foi realizado no último dia
30 de março, na sede sociocultural da entidade, rua Gilvan Muribeca,
88, no Cabo Branco.
O Projeto Sede de Leitura foi criado há mais de três anos
com propósito de promover a divulgação da produção
literária e artística dos professores do Campus I da UFPPB.
Nesses três anos, o Sede de Leitura já lançou mais
de cem publicações, entre conto, poesia, romance, além
de trabalhos nas áreas de música e artes plásticas.
Segundo o diretor cultural da ADUFPB-JP, José da Paz Alvarenga,
o projeto supre a falta do espaço que os autores deveriam dispor
para apresentar sua produção ao público.
"Entendemos que, com o Projeto, estamos estimulando ainda mais a
produção acadêmica dos docentes", comentou José
da Paz.
Foram lançadas as seguintes obras nesta edição do
Sede de Leitura: A hospitalização na percepção
da criança: fada madrinha ou bicho-papão, de Sinome Elisabeth
e Teresa Alcântara; Versos em azul e branco, de Terezinha Fialho;
Extensão Universitária, de José Francisco de Melo
Neto; Inverno Invisível, de Chico Lino Filho, além de uma
revista que aborda tema ligados à saúde e um caderno de
textos da ADUPB-PB.
Paralisação
na Ufpel
Em virtude das últimas decisões autoritárias da reitoria
da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), a comunidade universitária
decidiu paralisar em defesa da universidade pública, gratuita e
de qualidade. Os três segmentos da comunidade realizaram assembléia
no último dia 9 e decidiram pela paralisação, além
das exigências de abertura de negociação, por parte
da reitoria com os representantes legítimos das categorias, e a
retirada imediata das forças repressivas do espaço público
da Ufpel.
Foram formados comandos de mobilizações nas três categorias.
Adufpel-SSind e DCE marcaram nova assembléias para a segunda-feira,
16, quando deverá ser marcada assembléia de toda a comunidade.
A Asufpel reúne-se a cada dois dias para avaliações
e mantém a paralisação até se estabelecer
um processo de negociação.
Para entender
o caso
No dia 5 de março, reinicio das aulas na Ufpel, a reitoria anunciou
o fim do subsídio ao transporte na universidade. DCE, Adufpel-SSind
e Asufpel organizaram protestos contra a cobrança dos ônibus
e já estão há um mês com mobilizações
diárias.
Desde o dia 2 de abril é comum ver a presença de soldados
do Exército no Campus. Além da Polícia Federal, Comando
de Operações Especiais (COE) da Brigada Militar e soldados
do exército, há fortes indícios de "milícias"
particulares (seguranças) formadas pelos proprietários das
empresas de ônibus, que fazem o transporte para o campus. Estas
"milícias" exercem todo tipo de constrangimento e repressão
contra os estudantes e servidores.
No dia 6 de abril, a reitora Inguelore Souza recebeu uma comissão
de parlamentares quando tentaram convencê-la a receber os estudantes.
A resposta foi que não há o que negociar e que receberá
um representante de cada Diretório Acadêmico juntamente com
os diretores das unidades. Mas, não admite a presença do
DCE ou do Comando de Mobilização dos estudantes, nem a Adufpel-SSind
nem a Asufpel. Estão previstos novos protestos em toda a universidade
até o dia 16.
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Nossa classe
Luta
em defesa da educação pública reúne entidades
no FSM
O movimento docente marcou presença no Fórum Social Mundial,
realizado no início do ano, em Porto Alegre-RS. O ANDES-SN, a Fasubra
e a Sinasefe participaram ativamente do encontro mundial, debatendo políticas
em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade.
As discussões contaram com a participação da União
Nacional dos Estudantes (UNE), do Conselho Nacional Argentino de Docentes
Universitários (CONADU) e da Federação Internacional
Sindical dos Trabalhadores. Estiveram presentes também deputados
federais de partidos de oposição.
Foi consenso que o movimento docentes deve intensificar a luta,ao lado do
conjunto dos trabalhadores, para deter o desmonte da educação
pública - que atinge vários países, como reflexo da
política neoliberal.
Os participantes realizaram passeata silenciosa pelas salas onde ocorriam
as conferências do FSM, na PUC-RS. Carregavam cartazes com palavras
de ordem em defesa da educação pública escritas em
português, espanhol, francês e inglês.
Foram muito aplaudidos em todas as salas. Uma demonstração
do espírito de união e de solidariedade que marcou o Fórum
Social Mundial.
A
semente de um outro mundo
Um outro mundo é possível. Esse foi o lema do I Fórum
Social Mundial, realizado de 25 a 30 de janeiro, em Porto Alegre-RS. O
evento reuniu cerca de 17 mil pessoas, entre políticos, estudantes,
sindicalistas, pensadores, ecologistas, artistas, trabalhadores rurais
sem terra, etc. Os participantes debateram e apresentaram propostas para
a construção de um mundo com mais solidariedade e justiça
social.
A grande repercussão do evento demonstrou que a pauta do FSM faz
parte da agenda mundial e que há um grande clamor popular contra
a globalização excludente.
O próximo encontro será realizado novamente em Porto Alegre-RS,
com a certeza de que um mundo melhor estará sendo construído.
Principais propostas do Fórum Social Mundial
Taxa Tobin
Idéia formulada pelo Prêmio Nobel de Economia, o americano
James Tobin. Prevê a taxação de 1% sobre as transações
financeiras internacionais, para que seja remetido a um fundo mundial
de combate à pobreza. Segundo os estudos elaborados por Tobin,
esse fundo poderia conseguir cerca de US$ 170 bilhões por ano.
Anulação
da dívida do Terceiro Mundo
Cancelamento incondicional da dívida externa do Terceiro Mundo
e uso do dinheiro poupado no combate à pobreza, ao analfabetismo
e às doenças.
Alternativa
à Alca
Questões como acesso ao mercado de trabalho; o respeito aos direitos
humanos e controles da qualidade ambiental devem ser parte integral de
acordos assinados no âmbito da Área de Livre Comércio
das Américas.
Agricultura
Familiar
Esforços para a defesa da agricultura familiar como forma de manter
um grande número de trabalhadores no campo.
Cidadania
e sociedade civil globalizada
Criar instituições democráticas de abrangência
global, capazes de reunir as agendas de movimentos contra a discriminação
e sobre problemas mundiais.
Restrições
ao livre comércio
Imposição de limites para o livre comércio. Armas,
alimentos transgênicos e lixo tóxico devem ter tratamento
diferenciado. O mesmo vale para temas relacionados aos direitos essenciais
- educação, saúde e cultura.
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Governo
proíbe contratações pelo RJU
No último dia 27, o governo baixou a Portaria Interministerial
nº 63, que veda o provimento de cargos públicos das Instituições
Federais de Ensino Superior (IFES) pelo Regime Jurídico Único
(RJU), bem como a abertura e a realização de concurso público
com a mesma finalidade.
Numa análise preliminar, a assessoria jurídica do ANDES-SN
destacou que, com esta medida, o Governo Federal pretende contratar futuros
servidores sob um novo regime jurídico, certamente o do Emprego
Público.
Além disso, a Portaria estabeleceu, aleatoriamente, o número
de vagas que ainda poderiam ser preenchidas por concursados sob o regime
da Lei nº 8.112/90 (RJU), desde que haja previsão orçamentária
nas IFES. Nesse caso, quando efetivamente ocorrerem os provimentos dos
cargos públicos permitidos por essa Portaria, haverá inconstitucionalidade
e ilegalidade, na medida que a ordem de classificação dos
concursos públicos não for observada.
Os princípios da impessoalidade e da legalidade serão desrespeitados,
uma vez que o administrador público, no caso, o Reitor da universidade,
terá que alijar docentes aprovados em razão de o número
de vagas disponíveis ser inferior ao autorizado pela Portaria.
Segundo os advogados do Sindicato, o art. 207 da Constituição
Federal foi desrespeitado pela Portaria Interministerial que buscou usurpar
a autonomia administrativa das universidades. A aplicação
dos preceitos da Portaria MOG/MEC nº 63 certamente ferirá
direitos de docentes aprovados em concurso público, cabendo aos
prejudicados recurso junto ao Poder Judiciário, via Mandado de
Segurança.
O que o governo pretende? Na audiência com o secretário da
Sesu foi anunciado que as próximas contratações seriam
as últimas pelo RJU. A portaria publicada afirma justo o contrário.
Balão de ensaio ou tentativa de acostumar a categoria à
idéia de que o Emprego Público virá fatalmente? Qualquer
que seja a resposta, essa medida pavimenta o caminho da destruição
da Universidade Pública, gratuita, laica, democrática e
socialmente referenciada.
Nossa luta, mais do que nunca, é barrar essa medida violenta e
defender os interesses do conjunto da população.
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Entrevista
"O
caminho da modernidade ética é a educação"
O ex-governador do Distrito Federal, professor Cristovam Buarque,
é hoje um dos intelectuais mais respeitados dentro e fora do
país. Autor de dezenas de livros em que apresenta alternativas
para o Brasil - muitos traduzidos no exterior -, Cristovam tem uma
meta: colocar todas as crianças na escola. Para concretizar
esse sonho, implementou o Bolsa Escola em sua gestão à
frente do Governo do Distrito Federal (1995-1998). O programa garante
um salário para as mães que mantêm os filhos de
7 a 14 anos na escola. Nesta entrevista, Cristovam analisa de forma
crítica as transformações mundiais, a globalização,
o papel das esquerdas e os desafios do Brasil. |
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InformAndes
- Como
o senhor vê as transformações pelas quais passa o
mundo e quais são os principais desafios para a humanidade no início
do século XXI?
Cristovam - Eu acho que nós estamos numa encruzilhada.
Temos dois caminhos adiante. Um é continuar no rumo dos últimos
anos e décadas e termos uma sociedade extremamente rica ao lado
de uma sociedade extremamente pobre. E se isso se mantiver, continuando
essa desigualdade crescente, dentro de mais algum tempo, que não
será muito, nós teríamos uma ruptura da espécie
humana em dois tipos diferentes de seres. Nem mais semelhantes serão
considerados. Isso é um risco. O outro (caminho) é inventarmos
o mais rápido possível uma maneira de evitar essa barbárie,
construindo uma modernidade que seja ética e não apenas
técnica. Para mim, o caminho dessa modernidade ética é
a educação. Termos todas as crianças do mundo na
escola. São 250 milhões de crianças que estão
fora da escola hoje, que trabalham. Não seria difícil colocar
todas na escola e fazer com que, por meio da Educação de
todos, evitemos a divisão da espécie humana como vai acontecer
se continuarmos no caminho que trilhamos nos últimos tempos.
InformAndes
- O senhor fala na separação
da humanidade entre ricos e pobres ou algo mais radical?
Cristovam- Mais radical do que pobres e ricos, porque pobres
e ricos supõem uma semelhança entre os dois. Falo de ruptura
biológica através de uma coisa pior que a humanidade já
tem condições de fazer, que é o uso da biotecnologia,
da engenharia genética da bioengenharia. Com a tecnologia que está
aí não é difícil dentro de mais algum tempo
nós termos os ricos vivendo 100, 120, 130 anos, sem doenças,
inteligentes... E os outros que ficarem excluídos disso vão
viver 40, 42 anos em média. Ficarão doentes, fracos, sem
desenvolvimento intelectual. Haverá uma falta de respeito mútuo.
A biotecnologia pode construir uma espécie de super-homens e deixar
os outros como somos hoje. Ou até piores.
InformAndes
- Qual é o papel das esquerdas e dos movimentos organizados
da sociedade hoje?
Cristovam - Perceber que nós não temos caminho
se não incorporarmos os excluídos, ou estaremos rompendo
com a ética, não merecendo o nome esquerda. Não existe
esquerda só de trabalhadores. A esquerda deve ser dos trabalhadores
e dos excluídos. Nós temos que incorporar os excluídos
nos nossos objetivos e construir uma ponte - que eu chamo de ponte da
dignidade - entre os excluídos e os trabalhadores do setor moderno.
Os partidos são aqueles que vão construir essa ponte, com
uma pauta do povo inteiro e não só com uma pauta de reivindicações
dos trabalhadores. Uma pauta em que esteja não só o salário,
o vale transporte e o tíquete alimentação, que isso
só tem quem tem emprego. Mas em que esteja escola, postos de saúde,
água e esgoto em todas as casas, segurança para evitar violência...
Esse é o nosso caminho das esquerdas: descobrirmos os excluídos,
formularmos propostas para eles e nos comprometermos a, nos primeiros
dias de governos, tomarmos as medidas necessárias para realizarmos
a inclusão social.
InformAndes-
Nos seus livros e artigos, o senhor denuncia que vivemos uma verdadeira
exclusão mundial, um apartheid social em escala global, e usa o
termo "cortina de ouro" para explicar a separação
entre os blocos moderno e excluído. Como reverter essa situação?
É possível uma globalização sem exclusão?
Cristovam - É possível. Depende do que se chama
globalização. Tem gente que chama de globalização
a própria exclusão, aí ela só pode ser com
exclusão. Mas a gente chama de globalização a convivência
internacional. Uma redução das barreiras alfandegárias,
a permissão do fluxo de mercadorias, de capital e de trabalhadores,
com um controle reduzido para tudo isso, essa globalização
é possível sim, sem exclusão social. Dizendo de outra
maneira, é possível a gente ter uma convivência internacional,
um fluxo livre de mercadoria e de pessoas e, ao mesmo tempo, garantir
toda criança na escola, ninguém passando fome, todo mundo
ter acesso a um sistema de saúde de qualidade, transportes públicos
acessíveis e bons, um lugar onde morar para todos, com água
potável, coleta de lixo e esgoto. Se todos tiverem essas coisas,
não haverá mais exclusão. Continuará havendo
desigualdades, mas não mais exclusão. Agora, se chamam globalização
os donos do planeta fazerem o que querem, a modernidade técnica
no lugar da modernidade ética, aí, claro que não.
Aí a globalização implica necessariamente exclusão.
InformAndes
- Qual é a análise que o senhor faz do Brasil
nesse contexto mundial?
Cristovam - O Brasil é o melhor retrato do planeta Terra
e da civilização mundial. O Brasil tem todas as tragédias
e todos os recursos. Se a gente for olhar os Estados Unidos e a Europa,
esses caras não têm nada a ver com a humanidade de hoje -
estão muito melhor do ponto de vista material. Se a gente olha
a África, não parece com a civilização. Está
muito pior. Há degradação em todos os aspectos, sanitários,
educacionais... Então, nesses dois grupos que citei, um está
muito melhor e outro muito pior. Se a gente olha a Índia, não
dá nem para dizer se é um país ou não. É
uma divisão, uma federação de grupos, de religiões,
de castas, de idiomas. A China está em outro planeta. Tem características
tão especiais que os problemas são muito diferentes do restante
da humanidade. O que mais parece com a humanidade é a América
Latina e dentro da América Latina, o Brasil. É um país
que tem recursos suficientes, tem problemas que implicam uma urgência
em procurar outro caminho e uma massa crítica intelectual e política
capaz de encontrar esse caminho alternativo.
InformAndes
- Em suas viagens ao exterior, onde ministra palestras sobre
o Bolsa Escola, o senhor vem propondo a substituição da
dívida externa dos países pobres pelo programa. Qual tem
sido a repercussão?
Cristovam - A idéia de trocar a dívida por Bolsa-Escola
"pega" do ponto de vista social, consciente. Ela não
pegou ainda do ponto de vista instrumental, que é muito complicado.
O banco não pode abrir mão da dívida. Alguém
tem que pagar o banco para que o banco perdoe. Isso dificulta a instrumentalização
da troca da dívida por bolsa escolar. Mas daqui a um pouquinho
a gente vai chegar. A repercussão é muito boa. No mundo
inteiro, ninguém fica contra. Difícil é fazer, criar
alguns instrumentos para isso, entrar no esquema de poder dos bancos,
por meio de seus diversos diretores. Isso vai levar tempo.
InformAndes - Quais são os planos políticos de Cristovam
Buarque para 2002?
Cristovam - Primeiro, ajudar o PT e os partidos da Frente (Brasília
Popular) a ganhar a eleição e retomar o Distrito Federal.
O DF está sendo destruído, porque mataram todos os programas
sociais, com o Saúde em Casa, Bolsa-Escola, Poupança-Escola,
BRB Trabalho... E mais ainda pela manipulação da consciência
popular, por meio de esmolas que, na verdade, servem mais para aqueles
que têm dinheiro. (...) Eu acho que Brasília precisa ter
um representante no Senado do qual se orgulhe. Eu quero ser este senador.
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Internacional
Uma
Pedagogia para 2001
Entre os dias 5 e 9 de fevereiro, os educadores voltaram seus olhos para
Cuba, quando foi realizado o Congresso Pedagogia 2001.
Com o objetivo de proporcionar o mais amplo intercâmbio científico
e debate político sobre os rumos da Educação, o evento
reuniu mais de seis mil pessoas, das quais cinco mil estrangeiros, vindos
de 42 países. O Brasil participou com aproximadamente 600 educadores.
No total, foram apresentados 2.150 trabalhos, sendo 477 brasileiros.
Para a professora Graça Bollmann, representante do ANDES-SN ao
encontro, esse se realizou "nos marcos da globalização
neoliberal, cujas conseqüências na vida política, econômica
e social recaem sobre os países periféricos, particularmente
sobre os países denominados em desenvolvimento". A professora
entende que a situação de penúria a que estão
submetidos o Caribe e a América Latina não mudará,
caso mobilizações e propostas com a participação
dos movimentos sociais organizados não sejam ampliadas. E completa:
"Eventos como o Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre,
em janeiro deste ano, e o Congresso Pedagogia 2001, em Cuba, ainda que
específico da Educação, expressam a discussão
da necessidade de mudanças que, em boa hora, ultrapassa as fronteiras
dos países, evidenciando a luta contra a globalização".
Segundo Graça, o Congresso Pedagogia 2001, ao ser realizado em
um país de economia planificada, em que o investimento na Educação
é um dos melhores do mundo e o índice de analfabetismo é
quase zero, constituiu-se, apesar de suas contradições,
no melhor cenário para o encontro de educadores do mundo.
Toda essa realidade predominante na América Latina e Caribe foi
objeto de análises e reflexões durante as sessões
da 7ª edição do Congresso, que tratou como temas centrais:
a formação de valores; a qualidade da Educação;
a formação docente; a didática das Ciências;
a História, as Línguas e a Arte em defesa de nossa identidade;
a formação de técnicos e profissionais, as relações
entre sociedade, família e escola; Ciências Pedagógicas
e investigação educacional.
O debate acadêmico evidenciou-se pela diversidade de enfoques e
concepções teórico-metodológicas. Esse fato,
segundo Graça, permitirá enfrentar o novo milênio
sob uma perspectiva ética na Educação e marcará
os rumos de uma globalização de outro tipo: a globalização
da solidariedade.
Como resultado, os participantes do evento declararam que, para elevar
a Educação na América Latina e Caribe, são
necessárias, entre outras, as seguintes medidas:
* implementar políticas sociais
voltadas para a eliminação dos índices de pobreza;
garantir alimentos básicos; imunização desde o nascimento,
permitindo alcançar níveis de saúde necessários
à sobrevivência e diminuição dos índices
de mortalidade infantil;
* incrementar programas educativos
de atendimento a crianças de zero a seis anos, com participação
pedagógica da família e com base na comunidade, utilizando
as melhores experiências da área e ampliando sua oferta progressivamente;
* desenvolver um trabalho mais profundo
por uma Educação de qualidade, dedicando maior atenção
aos fatores associados a esta: que promova a criação de
ambientes educativos mais favoráveis, participativos e democráticos
nas instituições de Educação, o compromisso
educacional familiar e a melhoria de sua condição social
e econômica, a disponibilidade de materiais de trabalho e a satisfação
e superação dos educadores.
O documento final do encontro enfatiza que "as políticas neoliberais,
a submissão às exigências do FMI e a impagável
dívida externa são obstáculos aos objetivos e às
aspirações da Educação em nossos países".
Conquistas
de Cuba na área educacional
Atendimento Pré-Escolar (0 a 6 anos): 99%, contra 17% na
América Latina.
Escolarização até a 5ª série do Ensino
Fundamental: 100%, contra 73% na América Latina.
Continuidade dos estudos após a 6ª série: 99,9%,
contra 40% na América Latina.
Proporção de educadores para alunos: 1/30, contra
1/100 na América Latina.
Formação de professores: 93,5% dos professores são
graduados universitários e mais de 77% dos professores primários
são licenciados em nível superior em Cuba.
Investimento em Educação: A maioria dos países
da América Latina não ultrapassa os 5% do PIB, inclusive
o Brasil, que aplica menos de 4%. A UNESCO recomenda, no mínimo,
6% . Cuba investe em Educação 11,7% do PIB (1999) e 16,5%
dos gastos totais do país.
Escolarização entre grupos de 12 a 14 anos: 96,3%.
Analfabetismo: está praticamente erradicado.
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Expediente
InformAndes
é uma publicação mensal do Sindicato Nacional
dos Docentes das Instituições de Ensino Superior.
Sede e Redação: Campus da Universidade de Brasília
- UnB-DF
Presidente:
Roberto Leher; 1º Vice-Presidente: Fernando Molinos Pires Filho;
2ª VICE-PRESIDENTE: Maria Lia Silva e Reis; 3ª VICE-PRESIDENTE:
Marina Barbosa Pinto; SECRETÁRIO GERAL: Edmundo Fernandes Dias;
1ª SECRETÁRIA: Lena Lúcia Espíndola Rodrigues
Figueirêdo; 2ª SECRETÁRIA: Ana Lúcia Barbosa
Faria ;3ª SECRETÁRIA: Cláudia Gonçalves de Lima;
1º TESOUREIRO: José Domingues de Godoi Filho; 2º TESOUREIRO:
Antônio Luiz de Andrade; 3ª TESOUREIRA: Celi Zulke Taffarel;
REGIONAL NORTE: 1ª VICE-PRESIDENTE REGIONAL NORTE: Vera Lucia Jacob
Chaves; 2º VICE-PRESIDENTE REGIONAL NORTE: Antônio José
Vale da Costa; REGIONAL NORDESTE I: 1º VICE-PRESIDENTE REGIONAL NE
I: Franci Gomes Cardoso; 2ª VICE-PRESIDENTE REGIONAL NE I: Antônio
de Pádua Rodrigues; REGIONAL NORDESTE II: 1ª VICE-PRESIDENTE
REGIONAL NE II: Maria Elisabete de Almeida; 2ª VICE-PRESIDENTE REGIONAL
NE II: Maria Marieta dos Santos Koike; REGIONAL NORDESTE III: 1º
VICE-PRESIDENTE REGIONAL NE III: Rui Belém de Araújo; 2ª
VICE-PRESIDENTE REGIONAL NE III: Maria Cristina da Rocha Mendes; REGIONAL
LESTE: 1ª VICE-PRESIDENTE REGIONAL LESTE: Angela M. S. Ferreira;
2º VICE-PRESIDENTE REGIONAL LESTE: Valter Pires Pereira; REGIONAL
PLANALTO: 1º VICE-PRESIDENTE REGIONAL PLANALTO: Cláudio Lopes
Maia; 2º VICE-PRESIDENTE REGIONAL PLANALTO: Fernando Mascarenhas
Alves; REGIONAL PANTANAL: 1º VICE-PRESIDENTE REGIONAL PANTANAL: Carlos
Roberto Sanches; 2º VICE-PRESIDENTE REGIONAL PANTANAL: Mário
Luiz Alves; REGIONAL SÃO PAULO: 1º VICE-PRESIDENTE REGIONAL
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VICE-PRESIDENTE REGIONAL RJ: Marcelo Badaró Mattos; 2ª VICE-PRESIDENTE
REGIONAL RJ: Maria Cristina Miranda da Silva; REGIONAL SUL: 1ª VICE-PRESIDENTE
REGIONAL SUL: Maria da Graça Nóbrega Bollmann; 2º VICE-PRESIDENTE
REGIONAL SUL: Luiz Allan Kunzle; REGIONAL RIO GRANDE DO SUL: 1º VICE-PRESIDENTE
REGIONAL RS: Luiz Carlos Gonçalves Lucas; 2º VICE-PRESIDENTE
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Jornalistas: Luís André Barreto (MTb 9907) e Ricardo Borges
(MTb 3052). Ilustração: Ricardo Borges.
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