Nº 16 - Brasília, 17 de maio de 2007
 

ENTREVISTA
Exemplo de Mobilização: filiados da ADURN vencem oposição para participar do Congresso do ANDES-SN

Por Aline Pereira
ADUR

O 26° Congresso do ANDES-SN certamente ficará na memória dos filiados da ADURN (Associação de Docentes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Por pouco, a seção sindical da base do ANDES-SN não enviou delegados para o evento mais importante do Sindicato Nacional, realizado em fevereiro em Campina Grande-PB. Porém, alguns sindicalizados conseguiram reverter o quadro, promovendo verdadeira mobilização entre os filiados da ADURN. Em menos de 24 horas, na véspera do Carnaval, obtiveram 284 assinaturas que obrigavam a Diretoria da Seção sindical a convocar, de acordo com o seu Regimento, nova Assembléia da categoria. A primeira não ocorreu por falta de quórum.

A Assembléia ocorreu e contando com a presença de pouco mais de cem associados (quorum mínimo é de 42 docentes) debateu os temas do 26º Congresso e elegeu a delegação que representaria a Associação de Docentes no Congresso do ANDES-SN, contrariando as previsões em contrário.

Almir Serra Martins Menezes Filho, professor do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, filiado à ADURN e 3° Vice-presidente do ANDES-SN, e Raimundo Nonato Nunes - sindicalizado da ADURN há 26 anos, professor do Departamento de Educação Física, em entrevista ao ADUR Informa, relataram o processo de mobilização vivido pela Seção Sindical do Rio Grande do Norte recentemente. Mensagens de agradecimento não faltaram. Após a realização da assembléia e da deliberação de enviar delegados ao Congresso do Sindicato Nacional, muitos filiados fizeram coro, enviando e-mails a Almir Menezes e a Raimundo Nonato, parabenizando o grupo pelo grande feito.

As mensagens dizem: “precisamos de união na luta para conseguirmos retomar a nossa ADURN das mãos dos que querem destruí-la. Estarei sempre disposto a participar da construção de um grupo capaz de conseguir esse objetivo maior”, disse um professor da Engenharia Mecânica. Outro, do Departamento de Enfermagem, afirmou: “Vocês foram brilhantes e mostraram, para os que ainda duvidavam, que uma luta se ganha com competência...”. E mais um, do Departamento de Matemática Aplicada, agradeceu: “Valeu mesmo, amigos. Ainda há luz no fim do túnel, graças a Deus e aos bravos do passado bem recente. Inquietos e inquebrantáveis”.

Por que a ADURN correu o risco de não participar do último Congresso do ANDES-SN?
Almir: Após a eleição de 2004 para a diretoria do ANDES, um grupo de pessoas que foram derrotadas durante o processo, procuraram montar uma nova entidade, o PROIFES (Fórum de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior), com a ajuda do governo federal. A partir da criação do PROIFES, algumas seções sindicais pretenderam se afastar do ANDES-SN para enfraquecer o sindicato no confronto natural entre os trabalhadores e o patrão, que, no nosso caso, é o governo. O processo se acelerou e na ADURN os ataques contra o ANDES-SN aumentaram, por meio de mentiras e ofensas gratuitas, calúnias e acusações sem fundamentos. A atual Diretoria da ADURN acha que o Congresso do ANDES-SN, assim como o próprio Sindicato Nacional, é “desimportante” para os professores, esquecendo de todo o passado histórico protagonizado pelo ANDES-SN nesses últimos 25 anos. Esse grupo, partindo do falso discurso de democracia, chamou uma assembléia numa quinta-feira pela manhã, antes do Carnaval. A assembléia não deu quorum porque a própria Diretoria trabalhou para que não desse, e alguns diretores, inclusive no horário da assembléia, permaneceram na sede da ADURN, e não no local onde a mesma se realizava. Naquele dia, à tarde, saiu um boletim da ADURN dizendo que não houve assembléia por falta de quorum, informando também que ninguém da diretoria iria ao Congresso. Os professores que foram até o local em que se realizaria a assembléia, diante da atitude desrespeitosa da presidente da Seção Sindical assinaram uma moção de repúdio, explicitando críticas quanto à postura da atual diretoria da ADURN. No entanto, achamos que isso era pouco e que era preciso chamar uma nova assembléia. Para que ela se efetivasse, tínhamos duas possibilidades: metade mais um do Conselho de Representantes, ou 10% da categoria. Isso em uma quinta-feira à tarde, véspera de Carnaval! Então, decidimos fazer o seguinte: coletar a assinatura dos sindicalizados, exigindo a convocação de nova assembléia. A Diretoria teria, então, 72 horas para convocá-la, caso contrário, poderia ser destituída. Ninguém acreditava que conseguiríamos reverter esse quadro. Tínhamos como prazo a noite de quinta-feira e a manhã do dia seguinte, pois às 13h daquela sexta-feira o expediente da ADURN seria encerrado. Tivemos a atuação de companheiros como Raimundo, Cristina e de outras pessoas guerreiras, que, em seis horas de trabalho, coletaram 284 assinaturas. Isso foi uma surpresa para a Diretoria da ADURN! Nova assembléia foi convocada e tivemos 99 pessoas assinando a lista de presença e mais cinco ou seis pessoas que participaram da reunião. Muito mais do que precisávamos, certamente. A manifestação da nossa base foi muito significativa.

Raimundo: Isso revitalizou nosso sindicato. Esse grupo que está tentando se organizar para atacar o ANDES-SN tem quase dez anos, acreditamos. Muitas vezes, quando estávamos em greve e defendíamos as nossas reivindicações, a oposição estava negociando na Câmara e no Senado, mesmo não sendo nosso representante legítimo, como é o ANDES-SN. Então, essas ações já acontecem há algum tempo, já que eles sempre quiseram negociar proposições que as bases rejeitaram - como foi o caso da GED (Gratificação de Ensino à Docência). Hoje, os opositores ao ANDES-SN contam cada vez mais com o apoio do governo, que visa enfraquecer o movimento. Acredito, contudo, que atingiremos novamente maior mobilização da categoria, por meio das informações que passamos à base, que terá oportunidade de ver o que está acontecendo realmente. Foi exatamente isso que aconteceu na ADURN.

Almir: O PROIFES, por exemplo, se intitula democrático, mas não realiza assembléias. Faz consultas virtuais aos seus “filiados”, sendo estes, membros de cinco ou seis associações de docentes. Como exemplo da não representatividade desse grupo, em junho do ano passado, eles realizaram um encontro nacional em Caldas Novas-GO – uma instância hidromineral, que não tem universidade. A estadia e o transporte ficaram por conta da direção do Proifes... Com que dinheiro? Aqui, no ANDES-SN, todos nós contribuímos para realizar um evento, contando com a colaboração financeira da base. Bem, mesmo tendo realizado um evento em uma cidade turística, com todas essas benesses, sabe quantos delegados foram? Apenas seis! Então, esse grupo não tem legitimidade para representar os docentes. Essa função compete ao ANDES-SN.

Depois da realização da Assembléia, como transcorreu o processo para que a delegação da ADURN comparecesse ao Congresso?
Almir:
Bem, na nossa Seção Sindical, cada delegado tem que apresentar uma tese, sendo que ele deve conseguir, pelo menos, vinte assinaturas de apoio. Se forem dois signatários na tese, são mais cinco assinaturas de apoio, e assim sucessivamente, de acordo com o número de proponentes da tese. Nosso grupo apresentou tese, algumas pessoas da Diretoria da ADURN apresentaram tese também. As propostas foram para a assembléia, houve votação, e aprovou-se a delegação que participaria do evento: professores Raimundo Nonato, Maria Cristina de Morais, Ibiraci Maria Fernandes, João Wanderley e Maria Goretti Cabral. Uma observação importante é que temos conseguido nos aproximar dos filiados também, ainda que não tenhamos comunicação oficial. Temos dificuldade para conversar com nossos colegas, no sindicato. Não a conversa de corredor, mas a conversa política. Um jornal de oposição que editamos teve pouca penetração, porque as pessoas partem da premissa de que só vão encontrar briga política de “turma contra turma”. Criamos, então, o que chamo de BOP (Boletim de Ocorrências Políticas) – claro que o nome é uma brincadeira, em cima do Boletim de Ocorrências Policiais. Toda quinta-feira, fazemos uma espécie de clipping, com cinco ou seis artigos, com temas diversificados, dos jornais de grande circulação, dos alternativos e revistas e damos uma formatação que torne atraente a leitura. Converso com o docente e pergunto se posso enviar o BOP para o e-mail dele. Todos os e-mails são enviados depois que faço esse convite pessoal ao professor. Isso é importantíssimo! O BOP, nosso boletim, tem sido um canal para nos aproximarmos da categoria.

Raimundo: O espírito de luta não é inerente a todos. Sofremos muitos revezes nesses últimos anos, porque não trabalhamos em causa própria somente, mas também para nossos filhos e nossos netos. Temos necessidade de mobilizar a categoria.

Quais as avaliações sobre o episódio ocorrido na ADURN e sobre a participação da delegação da AD no Congresso do ANDES-SN?
Almir:
Nossa avaliação é que os docentes da UFRN não estão desinteressados do que ocorre no sindicato como muitos pensavam e que existe um número, que não é pequeno, disposto a defender o ANDES-SN e a nossa seção sindical, mantendo a democracia, autonomia e independência em relação a governos, reitorias e/ou partidos políticos. Não estamos sós. Quanto à participação da delegação da ADURN no Congresso foi muito positiva, com a tese defendida pela delegação sendo incorporada aos encaminhamentos aprovados no evento e pelo reconhecimento dos delegados das outras seções sindicais de que a nossa luta para participar no congresso serve como exemplo de que o trabalho de base jamais pode ser abandonado. A mensagem que fica é de que com organização, unidade, força de vontade e dedicação podemos enfrentar e vencer os desafios que a vida nos lança a cada momento.

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