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ENTREVISTA
Exemplo
de Mobilização: filiados da ADURN vencem oposição
para participar do Congresso do ANDES-SN
Por
Aline Pereira
ADUR
O 26°
Congresso do ANDES-SN certamente ficará na memória dos filiados
da ADURN (Associação de Docentes da Universidade Federal
do Rio Grande do Norte). Por pouco, a seção sindical da
base do ANDES-SN não enviou delegados para o evento mais importante
do Sindicato Nacional, realizado em fevereiro em Campina Grande-PB. Porém,
alguns sindicalizados conseguiram reverter o quadro, promovendo verdadeira
mobilização entre os filiados da ADURN. Em menos de 24 horas,
na véspera do Carnaval, obtiveram 284 assinaturas que obrigavam
a Diretoria da Seção sindical a convocar, de acordo com
o seu Regimento, nova Assembléia da categoria. A primeira não
ocorreu por falta de quórum.
A Assembléia
ocorreu e contando com a presença de pouco mais de cem associados
(quorum mínimo é de 42 docentes) debateu os temas do 26º
Congresso e elegeu a delegação que representaria a Associação
de Docentes no Congresso do ANDES-SN, contrariando as previsões
em contrário.
Almir Serra Martins
Menezes Filho, professor do Departamento de Matemática da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, filiado à ADURN e 3° Vice-presidente
do ANDES-SN, e Raimundo Nonato Nunes - sindicalizado da ADURN há
26 anos, professor do Departamento de Educação Física,
em entrevista ao ADUR Informa, relataram o processo de mobilização
vivido pela Seção Sindical do Rio Grande do Norte recentemente.
Mensagens de agradecimento não faltaram. Após a realização
da assembléia e da deliberação de enviar delegados
ao Congresso do Sindicato Nacional, muitos filiados fizeram coro, enviando
e-mails a Almir Menezes e a Raimundo Nonato, parabenizando o grupo pelo
grande feito.
As mensagens
dizem: “precisamos de união na luta para conseguirmos retomar
a nossa ADURN das mãos dos que querem destruí-la. Estarei
sempre disposto a participar da construção de um grupo capaz
de conseguir esse objetivo maior”, disse um professor da Engenharia
Mecânica. Outro, do Departamento de Enfermagem, afirmou: “Vocês
foram brilhantes e mostraram, para os que ainda duvidavam, que uma luta
se ganha com competência...”. E mais um, do Departamento de
Matemática Aplicada, agradeceu: “Valeu mesmo, amigos. Ainda
há luz no fim do túnel, graças a Deus e aos bravos
do passado bem recente. Inquietos e inquebrantáveis”.
Por
que a ADURN correu o risco de não participar do último Congresso
do ANDES-SN?
Almir: Após a eleição de 2004 para
a diretoria do ANDES, um grupo de pessoas que foram derrotadas durante
o processo, procuraram montar uma nova entidade, o PROIFES (Fórum
de Professores das Instituições Federais de Ensino Superior),
com a ajuda do governo federal. A partir da criação do PROIFES,
algumas seções sindicais pretenderam se afastar do ANDES-SN
para enfraquecer o sindicato no confronto natural entre os trabalhadores
e o patrão, que, no nosso caso, é o governo. O processo
se acelerou e na ADURN os ataques contra o ANDES-SN aumentaram, por meio
de mentiras e ofensas gratuitas, calúnias e acusações
sem fundamentos. A atual Diretoria da ADURN acha que o Congresso do ANDES-SN,
assim como o próprio Sindicato Nacional, é “desimportante”
para os professores, esquecendo de todo o passado histórico protagonizado
pelo ANDES-SN nesses últimos 25 anos. Esse grupo, partindo do falso
discurso de democracia, chamou uma assembléia numa quinta-feira
pela manhã, antes do Carnaval. A assembléia não deu
quorum porque a própria Diretoria trabalhou para que não
desse, e alguns diretores, inclusive no horário da assembléia,
permaneceram na sede da ADURN, e não no local onde a mesma se realizava.
Naquele dia, à tarde, saiu um boletim da ADURN dizendo que não
houve assembléia por falta de quorum, informando também
que ninguém da diretoria iria ao Congresso. Os professores que
foram até o local em que se realizaria a assembléia, diante
da atitude desrespeitosa da presidente da Seção Sindical
assinaram uma moção de repúdio, explicitando críticas
quanto à postura da atual diretoria da ADURN. No entanto, achamos
que isso era pouco e que era preciso chamar uma nova assembléia.
Para que ela se efetivasse, tínhamos duas possibilidades: metade
mais um do Conselho de Representantes, ou 10% da categoria. Isso em uma
quinta-feira à tarde, véspera de Carnaval! Então,
decidimos fazer o seguinte: coletar a assinatura dos sindicalizados, exigindo
a convocação de nova assembléia. A Diretoria teria,
então, 72 horas para convocá-la, caso contrário,
poderia ser destituída. Ninguém acreditava que conseguiríamos
reverter esse quadro. Tínhamos como prazo a noite de quinta-feira
e a manhã do dia seguinte, pois às 13h daquela sexta-feira
o expediente da ADURN seria encerrado. Tivemos a atuação
de companheiros como Raimundo, Cristina e de outras pessoas guerreiras,
que, em seis horas de trabalho, coletaram 284 assinaturas. Isso foi uma
surpresa para a Diretoria da ADURN! Nova assembléia foi convocada
e tivemos 99 pessoas assinando a lista de presença e mais cinco
ou seis pessoas que participaram da reunião. Muito mais do que
precisávamos, certamente. A manifestação da nossa
base foi muito significativa.
Raimundo:
Isso revitalizou nosso sindicato. Esse grupo que está tentando
se organizar para atacar o ANDES-SN tem quase dez anos, acreditamos. Muitas
vezes, quando estávamos em greve e defendíamos as nossas
reivindicações, a oposição estava negociando
na Câmara e no Senado, mesmo não sendo nosso representante
legítimo, como é o ANDES-SN. Então, essas ações
já acontecem há algum tempo, já que eles sempre quiseram
negociar proposições que as bases rejeitaram - como foi
o caso da GED (Gratificação de Ensino à Docência).
Hoje, os opositores ao ANDES-SN contam cada vez mais com o apoio do governo,
que visa enfraquecer o movimento. Acredito, contudo, que atingiremos novamente
maior mobilização da categoria, por meio das informações
que passamos à base, que terá oportunidade de ver o que
está acontecendo realmente. Foi exatamente isso que aconteceu na
ADURN.
Almir:
O PROIFES, por exemplo, se intitula democrático, mas não
realiza assembléias. Faz consultas virtuais aos seus “filiados”,
sendo estes, membros de cinco ou seis associações de docentes.
Como exemplo da não representatividade desse grupo, em junho do
ano passado, eles realizaram um encontro nacional em Caldas Novas-GO –
uma instância hidromineral, que não tem universidade. A estadia
e o transporte ficaram por conta da direção do Proifes...
Com que dinheiro? Aqui, no ANDES-SN, todos nós contribuímos
para realizar um evento, contando com a colaboração financeira
da base. Bem, mesmo tendo realizado um evento em uma cidade turística,
com todas essas benesses, sabe quantos delegados foram? Apenas seis! Então,
esse grupo não tem legitimidade para representar os docentes. Essa
função compete ao ANDES-SN.
Depois
da realização da Assembléia, como transcorreu o processo
para que a delegação da ADURN comparecesse ao Congresso?
Almir: Bem, na nossa Seção Sindical, cada delegado
tem que apresentar uma tese, sendo que ele deve conseguir, pelo menos,
vinte assinaturas de apoio. Se forem dois signatários na tese,
são mais cinco assinaturas de apoio, e assim sucessivamente, de
acordo com o número de proponentes da tese. Nosso grupo apresentou
tese, algumas pessoas da Diretoria da ADURN apresentaram tese também.
As propostas foram para a assembléia, houve votação,
e aprovou-se a delegação que participaria do evento: professores
Raimundo Nonato, Maria Cristina de Morais, Ibiraci Maria Fernandes, João
Wanderley e Maria Goretti Cabral. Uma observação importante
é que temos conseguido nos aproximar dos filiados também,
ainda que não tenhamos comunicação oficial. Temos
dificuldade para conversar com nossos colegas, no sindicato. Não
a conversa de corredor, mas a conversa política. Um jornal de oposição
que editamos teve pouca penetração, porque as pessoas partem
da premissa de que só vão encontrar briga política
de “turma contra turma”. Criamos, então, o que chamo
de BOP (Boletim de Ocorrências Políticas) – claro que
o nome é uma brincadeira, em cima do Boletim de Ocorrências
Policiais. Toda quinta-feira, fazemos uma espécie de clipping,
com cinco ou seis artigos, com temas diversificados, dos jornais de grande
circulação, dos alternativos e revistas e damos uma formatação
que torne atraente a leitura. Converso com o docente e pergunto se posso
enviar o BOP para o e-mail dele. Todos os e-mails são enviados
depois que faço esse convite pessoal ao professor. Isso é
importantíssimo! O BOP, nosso boletim, tem sido um canal para nos
aproximarmos da categoria.
Raimundo:
O espírito de luta não é inerente a todos. Sofremos
muitos revezes nesses últimos anos, porque não trabalhamos
em causa própria somente, mas também para nossos filhos
e nossos netos. Temos necessidade de mobilizar a categoria.
Quais
as avaliações sobre o episódio ocorrido na ADURN
e sobre a participação da delegação da AD
no Congresso do ANDES-SN?
Almir: Nossa avaliação é que os docentes
da UFRN não estão desinteressados do que ocorre no sindicato
como muitos pensavam e que existe um número, que não é
pequeno, disposto a defender o ANDES-SN e a nossa seção
sindical, mantendo a democracia, autonomia e independência em relação
a governos, reitorias e/ou partidos políticos. Não estamos
sós. Quanto à participação da delegação
da ADURN no Congresso foi muito positiva, com a tese defendida pela delegação
sendo incorporada aos encaminhamentos aprovados no evento e pelo reconhecimento
dos delegados das outras seções sindicais de que a nossa
luta para participar no congresso serve como exemplo de que o trabalho
de base jamais pode ser abandonado. A mensagem que fica é de que
com organização, unidade, força de vontade e dedicação
podemos enfrentar e vencer os desafios que a vida nos lança a cada
momento.
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