PLANO
DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO Por
Ricardo Borges O ensino superior no país está sendo redesenhado e os esboços e ensaios do governo já permitem antever profundas mudanças. O objetivo está bem claro: ajustar as universidades públicas à lógica do mercado, atacar a autonomia das instituições de ensino superior (IES) e o preceito constitucional do ensino-pesquisa-extensão, bem como precarizar as condições de trabalho dos docentes. Esse quadro fica nítido ao se analisar o alardeado pacote do governo Lula para a Educação, o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Lançado no dia 24 de abril, o chamado “PAC da Educação” atinge diretamente as universidades federais. No bojo do PDE, o Decreto Nº 6.096 institui o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI. Para ter acesso ao documento, clique aqui Na avaliação da diretora do ANDES-SN Lighia Brigitta, o REUNI é uma ação de coerção que representa sérios riscos para as universidades federais. “Acenando com verbas que não ultrapassam 10% a 20% do atualmente empregado pelas IFES, o REUNI pretende induzi-las a se comprometerem com expansões da ordem de 100% nos ingresso e 200% nas matrículas”, alerta a professora. Esses números, segundo a profª Lighia, estão “escondidos” por trás da “meta global”, anunciada pelo Decreto Nº 6.096: elevar, num prazo de cinco anos, a taxa média de conclusão dos cursos de graduação presenciais para 90% e da relação de alunos de graduação em cursos presenciais por professor para 18. Na essência, o decreto não é diferente da primeira versão oficial que circulou em alguns órgãos superiores das IFES entre fevereiro e março de 2007. O ANDES-SN já havia alertado o movimento docente sobre as intenções do governo, por meio da nota pública “Universidade Nova, a Face Oculta da Contra-reforma Universitária”. Para ter acesso ao documento, clique aqui Ainda como parte do PAC da Educação, a Portaria Interministerial Nº 22 MEC/MP, de 30 de abril de 2007 (Clique aqui), institui o “banco de professores equivalentes”. Essa é a forma que o governo encontrou para manter basicamente o quadro atual de docentes e, ao mesmo tempo, cumprir as metas dentro do financiamento proposto. O “banco” foi construído dando-se a cada docente em exercício em 31/12/06 um peso diferenciado, segundo a sua condição de trabalho. Assim, um docente em dedicação exclusiva vale um pouco mais do que 3 professores em regime de 20horas; 4 docentes em 40 horas equivalem a 5 professores substitutos, todos também em regime de 40 horas, ou a 10 professores substitutos em regime de 20 horas. Vale lembrar que o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – limita por 10 anos a expansão das folhas de pagamento a apenas 1,5% ao ano. Ou seja, a contratação de docentes, “correspondentes à expansão das universidades federais” (Portaria 22), não será expressiva. “A situação, a médio prazo, uma vez que a universidade resolva aderir ao REUNI, pode complicar-se ao ponto que, tentando dar conta dos compromissos assumidos com a graduação, os reitores abdiquem dos contratos em dedicação exclusiva, da pós-graduação e da pesquisa mais dispendiosa, transformando as universidades, na prática, em algo parecido aos ‘colleges’ dos Estados Unidos”, conclui a profª Lighia. Tubarões
da educação lucram Os benefícios
não param por aí. Toda vez que uma faculdade privada recebe
um estudante pelo FIES, o pagamento é feito pelo governo com títulos
públicos, que agora poderão ser usados para liquidar dívidas
antigas e já vencidas. |