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UNIFICAÇÃO
CONTRA RETIRADA DE DIREITOS
Manifestações do dia 23 unem trabalhadores de todo o país
Atendendo convocatória
do ANDES-SN, Conlutas e outras entidades do Fórum Nacional de Mobilização
Contra as Reformas Neoliberais, as associações de docentes
realizaram manifestações públicas nessa quarta-feira
23 em praticamente todo o país. Os protestos dos docentes contra
a reforma universitária e as medidas dos governos estaduais e federal
que ferem a autonomia das universidades, precarizam o trabalho docente
e a educação como um todo se uniram aos de outros movimentos
como MST, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e sindicados ligados
às demais centrais sindicais.
Pela
primeira vez unidos em um movimento nacional de reivindicação,
a esquerda radical, movimentos autônomos e setores mais alinhados
ao governo deram ao Planalto um recado claro de que haverá resistência
contra propostas de retirada de direitos. Em Brasília, cerca de
oito mil manifestantes foram à Esplanada dos Ministérios
dizer ao governo Lula que não aceitam sua política de cortes
de direitos que prioriza o pagamento de dívidas e favorece ao grande
capital.
Representantes do
ANDES-SN participaram do movimento. Paulo Gomes, 2º Tesoureiro do
sindicato, comemorou a unidade da luta. Para ele, o dia deu seqüência
ao encontro do dia 25 de março em São Paulo e marcou a união
da classe trabalhadora para barrar as reformas neoliberais que estão
em curso no país. “A partir da unidade que está sendo
construída nacionalmente, nós vamos virar o jogo”,
afirmou.
De
acordo os movimentos que participaram da mobilização, ocorreram
atividades em praticamente todos os Estados. Por parte do MST, por exemplo,
foram contabilizados 39 bloqueios de rodovias federais e estaduais em
oitos Estados (São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro,
Minas Gerais, Goiás, Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba).
O Movimento dos Atingidos por Barragens ocupou hidrelétricas no
Pará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e bloqueou estradas em
Goiás, Ceará e na Paraíba. Nos Estados já
citados, como nos demais - Acre, Amazonas, Amapá, Espírito
Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, e Tocantins,
bem como em Brasília -, o movimento sindical, estudantil e demais
articulados na jornada paralisaram atividades nos serviços públicos
e empresas privadas, e realizaram atos e manifestações nos
centros urbanos.
Exercício
de tolerância e coexistência política
Apesar do alcance das manifestações em nível nacional,
no entanto, para os grandes movimentos sociais e sindicais o 23 de maio
foi um exercício nada fácil de tolerância e coexistência
política. Unificados inicialmente em torno de um comunicado conjunto,
que apontou a política econômica do governo como principal
fator de aprofundamento dos desajustes sociais, nos últimos dias
a CUT acabou se apartando dos demais com um discurso voltado ao apoio
ao veto do presidente Lula à emenda 3 da Super Receita, e questões
pontuais, como o PLP 001/07.
José Maria
de Almeida, da Coordenação da Conlutas, concordou com a
avaliação de sucesso da jornada por conta da unificação
de tantos e tão diversos setores, mas ponderou que o maior desafio
da articulação será a superação das
diferenças entre a CUT e os setores mais críticos ao governo.
Impactos
e perspectivas
A avaliação das diferentes lideranças é de
que a mobilização do dia 23 deverá ter conseqüências
interessantes. Por um lado, avalia Paulo Pasin, um dos dois dirigentes
sindicais demitidos pelo metrô de São Paulo e ligado à
Intersindical, houve uma demonstração de forças por
parte dos trabalhadores que deve levar governo e Congresso a refletir,
antes de mexer em direitos trabalhistas. Por outro lado, apesar da certeza
de que a mídia deverá jogar contra os movimentos, a temperatura
da luta foi elevada e deve contagiar um número crescente de trabalhadores,
quando se derem conta que seus direitos estão em perigo.
"Vai
ser difícil o Congresso derrubar o veto à emenda 3 agora,
bem como criar um substitutivo a ela. Também demos um recado ao
Fórum da Previdência, não aceitaremos reformas",
diz Pasin. Em outubro, quando uma conclusão sobre a matéria
deverá ser encaminhada pelo Fórum ao Congresso, os movimentos
planejam uma grande marcha a Brasília para pressionar contra perdas
de direitos.
Para o dirigente nacional
do MST Gilmar Mauro, a articulação dos vários setores
e movimentos - que teve início, segundo ele, nas manifestações
contra o presidente dos EUA, George W. Bush, em março deste ano,
e depois se consolidou no 1º de Maio de Luta, na Praça da
Sé, em São Paulo - conseguiu realizar uma das maiores mobilizações
da história recente do país e teve o mérito de universalizar,
entre os vários atores, as pautas específicas de cada movimento,
num gesto de solidariedade muito importante para o sucesso das lutas sociais.
"O
recado ao Congresso, ao governo e ao Capital foi claro: amplos setores
da sociedade organizada não vão deixar barato ataques aos
seus direitos", afirma Mauro. Prova disso, segundo ele, foi a paralisação
de muitas categorias do setor produtivo ("como Toyota e Honda em
Campinas, por exemplo") e a sinalização de que outras
paralisações poderão ocorrer. Os bloqueios de rodovias
também simbolizaram a capacidade de interrupção do
fluxo do capital. (Com a agência Carta Maior)
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