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ENTREVISTA
- ROBERTO LEHER Fonte: Jornal da AdUFRJ Com o Plano de Desenvolvimento da Educação, o presidente Lula dá mais um passo na sua escalada populista, centrada no favorecimento do setor financeiro empresarial e nas promessas às classes menos favorecidas. Durante o lançamento do que chamou de “revolucionário PDE”, Lula disse que o plano fará com que “a mãe pobre possa acreditar que o filho dela poderá ser doutor, engenheiro”. De fato, o PDE engloba
ações que vão desde a instalação de
energia elétrica nas escolas básicas até a fixação
de recém-doutores no país, mas a idéia certamente
não é formar engenheiros, médicos, professores e
outros profissionais associando a No que diz respeito
à educação superior, o decreto que estabelece o Programa
de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais (Reuni – nº 6.096, 24/4/07) pode alterar
por completo a atual estrutura dessas instituições. O governo
acena para população com uma duplicação do
número de vagas nas universidades públicas e anuncia a elevação
da taxa média de conclusão dos cursos O Jornal da Adufrj-SSind
noticiou na última edição de 2 de maio o debate ocorrido
no Conselho Universitário sobre o decreto e os documentos do PDE.
O ANDES-SN divulgou uma nota (www.andes.org.br/imprensa/ultimas) na qual
chama a atenção para o caráter ilusionista do decreto.
O Sindicato chama a atenção para a Entrevistamos o conselheiro da seção sindical e professor da Faculdade de Educação, Roberto Leher, sobre as conseqüências do PDE para as universidades, especialmente para a carreira docente. Para Leher, o Plano é um ajuste na tática do governo de criar um “mercado educacional mais robusto”. O professor denuncia a falsa autonomia contida no plano, especialmente na gestão de pessoal, que significará o aumento das contratações precárias, na figura dos professores substitutos, para o preenchimento das vagas docentes e expansão dos cursos. Jornal
da Adufrj - Qual o nível de influência
das propostas do ‘Universidade Nova’, projeto recentemente
badalado por alguns reitores e encampado pela Andifes, no Plano de Desenvolvimento
da Educação do governo? Jornal
da Adufrj - O
que representa o decreto-lei do Reuni - Plano de Reestruturação
e Expansão das Universidades Federais, assinado pelo presidente
Lula em 24 de abril (Decreto nº 6.096)? O programa prevê, em linhas gerais, a quase duplicação do número de estudantes de graduação, mas de uma graduação minimalista, própria do capitalismo dependente. Isso sem recursos relevantes, sem garantir a assistência estudantil e a garantia de recursos estatais para a manutenção e desenvolvimento da ampliação das IFES. Os recursos somente serão liberados a partir do atingimento das referidas metas, na melhor tradição bancomundialista. O referido decreto prevê a possibilidade de um montante que não poderá ultrapassar o equivalente a 20% das despesas de custeio e de pessoal (excluindo os aposentados e pensionistas), montante este que será distribuído ao longo de cinco anos (Art 3, parágrafo 1o). Admitindo que todas apresentem planos de adesão ao REUNI, que o MEC trabalhe com o teto de 20% e, ainda, que os 20% serão distribuídos todos os anos, ao longo do período de contrato, grosso modo, o montante seria de aproximadamente R$ 1,12 bilhão/ano, cerca de R$ 21 milhão/ano por instituição que, com esses recursos, terá de arcar com a expansão da infra-estrutura e com as despesas de pessoal (Art.3, inciso III). Detalhe: O atendimento do Plano de cada IFES é condicionado à capacidade orçamentária e operacional do MEC (Art.3, §3o), o que pode confirmar um montante inferior a 20%, assim, as universidades podem contratar docentes e investir em infra-estrutura e o MEC não fica obrigado a se responsabilizar com a garantia dos recursos acordados. Considerando o PAC e o virtual congelamento das despesas correntes da União, essa possibilidade não é pequena. Outro detalhe: a decisão sobre a pertinência ou não do contrato de gestão elaborado pela IFES compete exclusivamente ao MEC. Jornal
da Adufrj - O que significam
um ‘banco de professores’ e o a figura do ‘professor
equivalente’ para a reposição do quadro docente? Jornal
da Adufrj - Como deve reagir
a comunidade universitária a mais essa investida do governo Lula
no processo de reforma da educação superior? O retrospecto das iniciativas de criação de uma graduação mais aligeirada para os pobres é suficientemente longo para comprovar que o mesmo é parte de um padrão de acumulação muito próprio do imperialismo de hoje, em que os países periféricos e semiperiféricos não ocuparão um lugar relevante na produção de conhecimento e em processos produtivos em que o conhecimento se constitui em vantagem comparativa importante. Assim, é imperioso que existam debates verdadeiros nos campi universitários para que os mitos em que se fundam essa proposta antiuniversitária sejam submetidos à crítica sistemática e fundamentada. Nos interstícios abertos pelas contradições da política do MEC, as universidades federais devem apresentar uma agenda ousada, consistente, que possibilite a real democratização e o acesso à universidade. Devemos fazer como agenda nos termos da que está propondo o Andes-SN: uma agenda estrutural para o Brasil de hoje, abordando os temas fundamentais: função social, acesso, financiamento, autonomia e democracia. Se a universidade se referenciar nesse projeto do governo, ela irá se desconstituir como instituição universitária, convertendo as IFES em Centros Universitários Federais. Uma derrota fundamental para a nação brasileira. Lograremos impedir isso com a mobilização desde a base. É imperioso que os departamentos, faculdades e institutos abram esse debate! |