MOVIMENTO
Greves
dos servidores federais segue forte
Ricardo
Borges
Colaboraram: Camila Gonzalez e Elizângela Araújo
A greve dos
servidores públicos federais está crescendo em todo o país,
com novas adesões de categorias. Na segunda-feira (4), os funcionários
do
Datasus, que dão suporte de informática ao Sistema Único
de Saúde,
cruzaram os braços. Também paralisaram as atividades os
servidores das
universidades federais, do Banco Central (há 34 dias), Ibama, Incra,
Ministério da Cultura e da Comissão Nacional de Energia
Nuclear.
Ao todo já
são quase 100 mil servidores parados. Isso corresponde a cerca
de 9% do total de 1,1 milhão de servidores na ativa. Outras categorias
estão discutindo em plenárias a adesão ao movimento
nacional.
O governo
federal não negocia com os servidores e sequer cumpre acordos
firmados no ano passado. Em resposta, os servidores mantêm a disposição
de luta unificada por melhores condições salariais e contra
as reformas que
retiram direitos: contra o Projeto de Lei Complementar 01/2007, que limita
pelos próximos dez anos a despesa com pessoal e encargos sociais
no
serviço público, incluído no PAC; contra a regulamentação
do direito de
greve do funcionalismo e contra a Reforma da Previdência.
FASUBRA
- A greve dos técnico-administrativos das IFES já
atinge 38
universidades. As reivindicações incluem piso salarial mais
alto, política
de reposição de perdas recursos para o Plano de Saúde
Complementar da
categoria. O movimento é contra a transformação dos
hospitais
universitários em fundações.
SINASEFE
- Os servidores federais da Educação Básica e Profissional
aprovaram, na 80ª Plenária do SINASEFE realizada dia 2/6,
a deflagração da
greve por tempo indeterminado a partir deste mês (após o
dia 20/6) e a
realização de paralisações nos dias 19, 20
e 21 de junho. Foi aprovada
também a inclusão de um índice de reajuste de 28%,
o mesmo concedido ao
presidente e aos parlamentares.
ANDES-SN
- O Setor dos Docentes das IFES do ANDES-SN, em reunião realizada
no último sábado (2/6), indicou que as Seções
Sindicais realizem rodadas de assembléias para discutir as melhores
formas de mobilização da
categoria com vista ao enfrentamento. "É fundamental que a
categoria se
mobilize, uma vez que o governo ainda não sinalizou com a abertura
de
negociação da pauta de reivindicações. Somente
com mobilização, será
possível pressionar o governo para a afetiva abertura de diálogo",
afirma
o 2º vice-presidente, Agostinho Beghelli Filho.
Jornada
de lutas - Na última Plenária Nacional dos SPFs,
ocorrida dia 2 de
junho, foi aprovada a realização de uma jornada de lutas
de 12 a 14 de
junho, com a realização de um ato em Brasília no
dia 14 de junho, em
conjunto com o MST. A próxima plenária nacional está
marcada para o dia 1ºde julho.
O Comando
Nacional dos Setores em Greve da Condsef (Confederação dos
Trabalhadores no Serviço Público Federal) prepara manifestação
na
Esplanada dos Ministérios para o próximo dia 12 de junho
pela derrubada do
PLP 01. A próxima Plenária Nacional da Condsef será
no dia 13 de junho.
Docentes
das estaduais mantêm greve
Os docentes
das universidades estaduais de São Paulo e da Bahia continuam em
greve por melhores salários, contra a precarização
das condições de trabalho e em defesa da autonomia universitária.
Em assembléia
realizada na segunda-feira, os professores da USP decidiram
manter a greve iniciada no dia 23 de maio, no entanto, votaram
favoravelmente a um indicativo de suspensão da greve a partir da
próxima
segunda-feira (11). Hoje será realizada nova assembléia
da categoria para
discutir a estatuinte. "Boa parte dos problemas que enfrentamos agora
se
deve à falta de um maior processo democrático dentro da
USP, daí a
necessidade de debater a estatuinte", afirma o presidente da Adusp,
César
Minto.
O Fórum das
Seis - que integra os servidores e funcionários das três
universidades paulistas: USP, Unesp e Unicamp - conseguiu do Cruesp
(Conselho dos Reitores das Universidades do Estado de São Paulo)
a
garantia de que fariam acompanhamento rígido da arrecadação
do ICMS do
Estado, fonte financeira de repasse às universidades. Além
disso, haverá
uma nova reunião, em outubro, para avaliar se será possível
ou não avançar
nas negociações a respeito da incorporação
de um valor fixo de R$ 200 ao
salário dos servidores.
Bahia
- Os docentes da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), da
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (USB) e da Universidade
Estadual de Feira de Santana (ADUFS) aprovaram em assembléia a
continuidade, por tempo indeterminado, da greve iniciada no dia 28 de
maio.
Segundo informações
do movimento grevista, o principal motivo para a
permanência da greve é a ambigüidade do governo estadual,
que ainda não
apresentou proposta concreta para a incorporação da Gratificação
de
Estímulo às Atividades Acadêmicas - GEAA (27,2%),
principal ponto da pauta de reivindicações.
Depois de cinco meses
de audiências, nenhuma proposta ou calendário da
incorporação foi apresentado. O governo dá por encerrado
o processo de
negociação salarial e insiste na proposta de reajuste linear
de 4,5% (em
duas etapas) para todo o funcionalismo estadual. Além disso, condiciona
a
instauração da Mesa Setorial ao fim do movimento grevista.
O movimento
avaliará os rumos da greve na próxima assembléia,
marcada para o dia 12/6.
Ceará
– Os professores e técnicos administrativos da Universidade
Estadual do Ceará (Uece), ainda não estão falando
em greve, como explicou o professor Célio Coutinho, Presidente
do Sinduece (Sindicato dos Docentes das Universidades Estaduais do Ceará),
mas esperam que o governo negocie com a categoria a proposta do Plano
de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) apresentada por eles. Em audiência
realizada no último dia seis com os secretários estaduais
de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e de Planejamento e Gestão,
não houve contraproposta nem posição oficial do governo
sobre a reivindicação dos professores.
Célio
Coutinho informou que uma nova audiência com os secretários
está marcada para o próximo dia 15. “Nessa reunião,
o governo deverá apresentar uma análise da nossa proposta
e uma contraproposta para o PCCV”. Segundo ele, há possibilidade
de não continuidade do semestre letivo, que se inicia nesta segunda-feira
11, caso o governo não possibilite avanço na negociação.
Paraná
– Além da greve nas universidades de São
Paulo, outras universidades começam a articular assembléias
para análise de possíveis paralisações. No
próximo dia 13, docentes de cinco universidades estaduais do Paraná
- Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual do Centro
Oeste (Unicentro), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) – discutirão
em assembléia a questão do reajuste salarial e do indicativo
de greve.
Estudantes
ocupam reitorias
Esta semana, estudantes ocuparam as reitorias de quatro universidades
federais do país, em protesto por melhorias nas instituições
e em solidariedade a invasões semelhantes, como a da USP.
Na UFPR e na UFPE,
as invasões fazem parte do dia de mobilização nacional
que a UNE prepara para hoje no país. Já os alunos que invadiram
a reitoria
da UFRGS negam articulação com a entidade estudantil. Em
reunião com o
reitor da UFRGS, José Carlos Hennemann, o grupo apresentou demandas
como redução da taxa de vestibular, cota de 20% para negros
e de outros 20% para alunos de escolas públicas e construção
de um restaurante
universitário. O protesto também ocorre em apoio ao movimento
grevista de
servidores das universidades federais.
Na UFPR,
cerca de cem estudantes invadiram um dos três andares da
reitoria. Eles reivindicam a criação de um plano de assistência
estudantil, a implantação de linhas de ônibus entre
os campi e a
utilização do rádio e da TV da UFPR pelos alunos.
Na UFPE, cerca de 30
estudantes montaram acampamento no saguão de entrada da reitoria.
Entre as reivindicações estão o aumento de bolsas
e de verba para assistência
estudantil, a reativação do restaurante universitário
e a criação de uma
creche para filhos de alunos e docentes.
Na UFMA,
cerca de 70 alunos iniciaram no final da tarde de terça (5) uma
ocupação na reitoria. De acordo com Denise Albuquerque,
do DCE da UFMA, a ocupação seria mantida até que
o reitor Fernando Ramos recebesse os estudantes e atendesse às
suas reivindicações: conclusão das obras de construção
da casa estudantil e a revogação da resolução
66 do Conselho Superior, que prevê o pagamento de taxa por uso dos
espaços físicos da universidade por alunos e professores.
Denise explicou
que o reitor tinha se comprometido a terminar a casa do estudante antes
do final do seu mandato, mas na última reunião com os estudantes
informou que a previsão de conclusão das obras é
para janeiro de 2008. "Ele sempre pede mais tempo para terminar a
construção e nunca conclui", afirmou Denise. De acordo
com a estudante, os alunos que moram nas residências coletivas atuais
vivem em péssimas condições.
Impasse
na USP
A
reitora da USP, Suely Vilela, negou-se a apresentar novas propostas aos
estudantes que mantêm há mais de um mês a ocupação
da Reitoria. Em reunião realizada nesta segunda-feira (4) com uma
comissão de 20 alunos e seis representantes dos funcionários,
a reitora diz que só cumpre propostas já feitas com o fim
do protesto, iniciado no dia 3 de maio. Está marcada para hoje
uma assembléia dos estudantes para discutir os próximos
passos do movimento. Na próxima quarta-feira (6), estudantes, professores
e
funcionários da USP Unicamp e Unesp realizarão um encontro
conjunto em
frente à reitoria da USP. (Com informações
da Folha Online, Adusb e ADUFEPE)
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