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REALIDADE
PARALELA Lucas
Ferraz No último mês de maio, o Congresso aprovou o reajuste de 28,5% no salário bruto de deputados e senadores, elevando os vencimentos de R$ 12.847 para R$ 16.512. Para cada congressista, o aumento, retroativo a abril, foi de R$ 3.664,89, mas para os cofres públicos, esse reajuste representará um acréscimo anual de R$ 32,6 milhões. Isso porque cada um dos 594 parlamentares – 513 deputados e 81 senadores – não recebem 13 salários, como a maioria do povo brasileiro, mas sim 15: no início e no final de cada ano, eles têm direito a receber uma ajuda de custo, no mesmo valor do vencimento. Levantamento feito pelo Congresso em Foco mostra que, antes do reajuste do último mês, o Congresso destinava anualmente R$ 114,5 milhões. Agora, com o reajuste, o valor anual destinado ao pagamento de deputados e senadores será de R$ 147,1 milhões. Ressalte-se que nessa conta não entram outros benefícios a que têm direito os congressistas – e com valores, muitas vezes, superiores aos seus salários –, como verba de gabinete, verba indenizatória, gastos com passagens aéreas, auxílio moradia, entre outros. Se todos os 513 deputados usassem o valor a que têm direito, ao final de um ano isso representaria um gasto de R$ 657 milhões (leia mais). Custo
parlamentar O Congresso em Foco procurou a secretaria de comunicação do Senado para fazer levantamento semelhante em relação ao custo mensal de cada senador. O departamento informou que o diretor, única pessoa responsável por tais números, está em férias. Este site, no entanto, também não conseguiu apurar os valores gastos pelos senadores no levantamento que realizou no ano passado (leia). Sabe-se, contudo, que ele é superior ao dos deputados. Acima
da média De acordo com o estudo
da Transparência Brasil, em termos absolutos, o orçamento
destinado à Câmara e ao Senado só perde para o dos
EUA. Entretanto, comparações com o PIB per capita e com
o salário mínimo local mostram que o Congresso brasileiro
é muito mais caro ou, pelo menos, está entre os mais onerosos
do mundo. Congresso
brasileiro está entre os mais caros do mundo Para o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), é preciso acabar com “certos penduricalhos”, como o uso de selos num tempo que o e-mail está extremamente popularizado e o corte no número de servidores. Mesma opinião tem o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que defende ser possível “reduzir custos sem perder a eficácia”. “A democracia é custosa”, diz Chico Alencar (RJ), líder do Psol na Câmara. Segundo ele, não é justo alguns parlamentares custarem todo esse valor e “não terem espírito público”. Para reduzir o custo parlamentar, diz, é preciso um “esforço coletivo”. Verbas
extras Há ainda despesas
como o auxílio moradia, no valor de R$ 3 mil, que é usado
por parlamentares que não ocupam os apartamentos funcionais que
a Câmara disponibiliza. Ao todo há 432 apartamentos. O valor
também é usado, embora não por todos, por deputados
do próprio Distrito Federal. Passagens
aéreas O parlamentar que tem direito a receber o maior valor em verbas extras na Câmara é o líder do PR, Luciano Castro. Além de ser de Roraima, o que lhe permite gastar R$ 16.938,44 com passagens aéreas (valor maior que o seu salário), ele, como líder partidário, tem direito à R$ 5.513,09 para gastos com cota postal e telefone. O valor total é de R$ 108.379,15 por mês, R$ 5.778,44 a mais que a média. Luciano Castro admite que o custo não é barato, mas que no contexto da Câmara não há nada que se possa fazer. “A distância é muito grande e a passagem é muito cara. Vou quase todo fim de semana a meu estado. Além do mais, uso muito telefone como líder partidário. Tudo isso realmente encarece”, justifica. Periódicos
e gráfica A própria instituição paga esses gastos, sem repassar a verba aos parlamentares. O Congresso em Foco, contudo, usou esses números na soma para determinar o custo mensal de um deputado, amparado em dados de um levantamento do ano passado (leia mais). Por mês, conforme informou a assessoria de comunicação na época, cada parlamentar tinha pago pela instituição, em média, R$ 100 com periódicos e R$ 500 com custos de gráfica. Jeitinho
parlamentar Por causa disso, é normal na hora de votação ver deputados correndo pelos corredores, perguntando aflitos se a votação já terminou. Pois, se deixarem de registrar o voto, terão corte no salário no fim do mês. Muitos ficam em seus gabinetes ou participando de reuniões com a bancada e as comissões e aparecem em plenário apenas na hora de votar. Outra prática comum é a justificativa de faltas. Além das licenças médicas, os parlamentares também podem ter as faltas abonadas quando estão em “missão oficial” em determinado estado ou até fora do país. O problema é que quando o parlamentar justifica sua falta como missão oficial, não há nenhum tipo de conferência para verificar se o requerente estava de fato trabalhando no referido período. O Senado
não divulga levantamentos sobre as faltas ou ausências justificadas
dos senadores. No site da Câmara dos Deputados, por sua vez, é
possível consultar quanto cada deputado gastou em verbas indenizatórias
e quais as viagens feitas com o dinheiro da Casa. Clique para ver. |