Nº 21 - Brasília, 30 de julho de 2007
 
 

5º CONAD
Palestras de abertura evidenciam necessidade de construir uma resistência unificada contra as reformas neoliberais de Lula

Ricardo Borges
De São Luís-MA

A construção de uma resistência unificada contra o desmonte da universidade pública e contra as reformas neoliberais do governo Lula foi o foco principal dos discursos dos participantes da Plenária de Abertura do 52° CONAD, realizada na manhã desta quinta-feira (26), no auditório central da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

Com o tema "Em defesa da educação pública, construir a unidade, resistir e avançar na luta", o 52° CONAD ocorre em uma conjuntura de aprofundamento dos ataques do governo ao conjunto da classe trabalhadora, em especial aos servidores públicos federais (SPF).

Na avaliação dos participantes da mesa, os novos pacotes de medidas do governo aumentam o arrocho salarial dos SPF e intensificam o processo de privatização dos serviços públicos, atendendo aos interesses do grande capital. Por outro lado, também foi enfatizada a crescente rearticulação da luta por parte dos trabalhadores contra essas nefastas reformas. A unidade na luta é apontada como essencial na construção da resistência e do enfrentamento.

O representante do Sindicato dos Trabalhadores da UFMA (SINTUFMA), Genésio Pereira, destacou a luta dos técnicos-administrativos, em greve há dois meses pela incorporação de gratificações, pelo aprimoramento da carreira, contra o PLP 01/07, contra a restrição do direito de greve e contra a transformação dos HU em Fundação Estatal.

O reitor da UFMA, Fernando Ramos, solidarizou-se com a luta dos servidores e defendeu essa pauta de reivindicações. O reitor também demonstrou preocupação quanto às medidas que fazem parte do Plano de Desenvolvimento da Educação - PDE. Segundo ele, "há muitas cascas de banana colocadas no Reuni". Saudou a vinda dos docentes e disse esperar que o evento aponte alternativas para "a reconstrução e o crescimento das universidades públicas".

Na avaliação do representante da Conlutas, Atnágoras Lopes, as deliberações do CONAD serão fundamentais para o conjunto da classe trabalhadora e para o êxito do cronograma de lutas, que envolve a campanha para anular o leilão de privatização da Vale do Rio Doce e a marcha a Brasília em outubro contra a Reforma da Previdência. "Que este CONAD sirva de exemplo para o fortalecimento da luta de classe nas ruas deste país de forma unificada", afirmou.

O presidente da APRUMA, Welbson Madeira, repudiou as medidas neoliberais adotas pelo governo estadual e manifestou apoio à luta dos professores e servidores estaduais, em greve há mais de dois meses contra a retirada de direitos. Ele enfatizou a necessidade de maior mobilização do movimento docente, rumo à greve das IFES. "Nós estamos recebendo metade do que recebíamos em 1995 e estamos correndo o risco de ficar mais dez anos com
os salários congelados. Esse arrocho faz parte do projeto de desmonte das universidades públicas. Ou resistimos agora ou não haverá mais universidade pública para as próximas gerações", conclamou.

O presidente do ANDES-SN, Paulo Rizzo, destacou a necessidade de o CONAD avaliar a aplicação do plano de lutas aprovado pelo 26° CONGRESSO do ANDES-SN, que destaca a inserção do Sindicato na reorganização da classe trabalhadora, a defesa do serviço público, a luta contra as reformas neoliberais e a ampliação da participação da categoria no Sindicato Nacional. "O balanço que fazemos é que estamos trabalhando na aplicação dessa centralidade, que teve conseqüências nas deliberações daquele congresso, entre elas a filiação do ANDES-SN à Conlutas. Essa adesão não
nos levou ao isolamento, pelo contrário. O ANDES-SN ampliou as suas relações com o movimento social, porque fez a opção de participar de forma atuante do processo de reorganização da classe trabalhadora", avaliou o presidente do Sindicato Nacional.

Paulo Rizzo afirmou que, caso o Congresso do ANDES-SN tivesse apontado outro caminho, que não a filiação à Conlutas, "o Sindicato estaria tremendamente isolado". Enfatizou que o ANDES-SN está com um respaldo cada vez maior, graças às articulações que o Sindicato vem fazendo. Destacou que é necessário ampliar o trabalho de base, visando a mobilizar os docentes para os inúmeros desafios que estão no horizonte. "Estamos no caminho certo, numa conjuntura que é extremamente difícil", concluiu Paulo Rizzo.

Números do 52° CONAD
Seções Sindicais: 49
Delegados: 45
Observadores: 91
Convidados: 3
Diretores do ANDES-SN: 34

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