RESISTÊNCIA Elizângela
Araújo De acordo com notícias veiculadas na imprensa, entre 90 mil e 100 mil servidores públicos federais estão em greve atualmente no país. A mais longa é a dos servidores da Cultura, que já ultrapassou os 70 dias sem nenhuma perspectiva de solução. Os funcionários do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) estão em greve também há mais de 70 dias. Os servidores técnico-administrativos das universidades estão paralisados há mais de 60 dias, inclusive limitando o atendimento nos hospitais universitários. Ou seja, a crise no setor aéreo não é novidade para os brasileiros que convivem diariamente com a crise da saúde, educação e cultura, que são os cidadãos carentes desses serviços e os servidores que vêm o estado adotar, cada vez mais, medidas que só pioram a situação, insensificam o processo de sucateamento e abrem caminho para o discurso fácil da privatização. Em todas as situações, o governo tem reagido de forma autoritária. Há uma verdadeira "caça às bruxas". O governo já ordenou aos dirigentes desses órgãos que envie uma lista com os nomes dos grevistas ao Ministério do Planejamento, que descontará os dias parados nos contracheques. No início deste mês, a presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou o corte de 17 dias não-trabalhados referentes à greve dos servidores, que lutam contra a Medida Provisória 366/07. A medida cria o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Na última terça-feira (24/7), o Comando Nacional de Mobilização dos Servidores do IBAMA conseguiu negociar com o Ministério do Meio Ambiente e o IBAMA a assinatura de um Termo de Compromisso entre as partes visando à não efetivação do corte dos salários de junho e julho e a restituição dos salários dos 17 dias. Na semana passada, o Palácio do Planalto determinou o corte dos salários dos servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). A punião ocorre pelo segundo mês consecutivo, segundo declarações da secretária de Comunicação da Associação dos Servidores do Incra (Cnasi), Vera Lucia Martins Ramos. Ela disse que no início deste mês os servidores em greve receberam os contracheques do mês de junho zerados. Ainda de acordo com ela, 70% dos 6 mil servidores do Incra estão em greve. Mesmo com o corte, os servidores continuam firmes e não pensam em pôr um fim à greve. O governo, por sua vez, diz que só negocia se houver suspensão da greve. Servidores
técnico-administrativos das universidades federais Na Universidade de Brasília (UnB), os conselhos Universitário e de Administração manifestaram abertamente apoio aos grevistas, cobrando do governo o avanço das negociações. Na última quarta-feira (25/7), os servidores entregaram ao Ministério da Saúde um documento em defesa dos hospitais universitários e contra a sua transformação em fundações estatais. |