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PREVIDÊNCIA
SOCIAL Najla
Passos Em contraposição
ao Fórum Nacional da Previdência Social, instituído
pelo governo Lula para operacionalizar a temida Reforma da Previdência,
entidades representativas dos movimentos social e sindical promoveram
na terça-feira (7) o Seminário em Defesa da Previdência
Pública, no auditório Petrônio Portela, no Senado
Federal, em Brasília-DF. Direito fundamental
- Representando a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Nacional,
Meire Monteiro argumentou que cada reforma que se anuncia no país
não vem para aperfeiçoar a previdência, prevista pela
Constituição. Segundo ela, nas três reformas previdenciárias
já realizadas, os trabalhadores só perderam direitos. A vida acima da dívida
- O Padre Bernard Lestienne, representando a CNBB (Confederação
Nacional dos Bispos do Brasil), lembrou que o déficit da previdência
anunciado pelo governo se refere ao dinheiro desviado para o pagamento
das dívidas interna e externa. “A vida tem que estar acima
da dívida. Não é possível que se retire direitos
básicos do cidadão para se pagar a dívida. Não
é possível mais que paguemos a dívida com a vida
dos pobres”, disse ele, conclamando os presentes a participarem
da campanha pela Auditoria da Dívida Externa. Dinâmica
do capital - O presidente do ANDES-SN, Paulo Rizzo, iniciou sua
participação alertando que os recursos da previdência
são dilapidados pela própria dinâmica do capitalismo.
“O desenvolvimento tecnológico propiciado pelo capitalismo
cria o caixa eletrônico para substituir o bancário, mas o
caixa não paga previdência”, exemplificou. Organização do evento – Além das entidades já citadas, também participaram da organização e realização do seminário as seguintes entidades: Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas); Conlute (Coordenação Nacional de Lutas dos Estudantes); Intersindical; Fenafisco (Federação Nacional do Fisco Estadual); Fenasps (Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social); Mosap (Movimento dos Servidores Públicos Aposentados e Pensionistas); MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra); Sindilegis (Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União); e SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Profissional). Jornada em defesa da Previdência Pública prevê Plebiscito Popular e Dia Nacional de Luta A defesa da previdência pública é um dos quatro temas que constarão no Plebiscito Popular que será promovido por entidades dos movimentos Sindical, Popular e Estudantil, de 1 a 7 de setembro, durante a Semana da Pátria, em todas as regiões do país. A consulta popular também questionará a opinião da população brasileira sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce (entregue ao capital especulativo durante o governo Fernando Henrique Cardoso por um valor 28 vezes menor do que ela valia); sobre o preço da energia elétrica (pela qual as famílias brasileiras pagam oito vezes mais caro do que as empresas); e sobre o pagamento das dívidas externa e interna (o que inviabiliza que o governo invista mais em programas sociais). No dia 25 de setembro, quando as entidades organizadoras do plebiscito irão divulgar o resultado, acontecerá uma grande mobilização nacional em defesa da previdência pública, com a realização de atos públicos nas principais cidades do país, dando continuidade ao calendário de luta. Mobilização crescente – Representando a Conlutas no Seminário em Defesa da Previdência Pública, na terça-feira (7), Neiva Oliveira afirmou que a classe trabalhadora está muito mais mobilizada para resistir aos ataques aos direitos sociais do que estava em 2003, quando foi aprovada uma outra reforma da previdência. “O recado que devemos mandar ao Congresso Nacional e ao governo Lula é que eles não vão encontrar a classe trabalhadora como em 2003. Nosso próximo passo é o plebiscito, no qual conseguimos incluir a duras penas a questão sobre a previdência. Depois, teremos que continuar mobilizados. Nós precisamos impedir que esse projeto venha para o senado, através de nossa mobilização e de nossa luta”, afirmou. “Previdência não é coisa só de aposentado”, alerta ex-deputado Toda a classe trabalhadora deve se envolver na luta em defesa da Previdência Pública. Quem afirma é o ex-deputado federal Sérgio Miranda, especialista em Orçamento, Previdência, Legislação Sindical e Trabalhista. “Engana-se quem pensa que previdência é coisa para aposentado. Quem paga auxílio-natalidade, auxílio-doença, auxílio-família, aposentadoria por invalidez? Muitos dos beneficiados são trabalhadores da ativa”, justificou, ao conclamar toda a sociedade a reforçar a campanha. O ex-deputado lembrou que a reforma alardeada pelo governo propõe que cada um economize o seu, acabando o pacto de gerações em que os trabalhadores da ativa de uma época pagam as aposentadorias de quem já trabalhou. “Essa medida irá congelar a distribuição de renda no Brasil”, atestou. Redução de benefícios - Sérgio Miranda mostrou como as reformas já realizadas em nada beneficiaram os trabalhadores. “A Constituição de 1988 previa um teto de dez salários-mínimos para os benefícios pagos pela Previdência, só que, com as reformas, o teto passou a ser medido por um valor nominal, que hoje é de R$ 2,8 mil, o que está longe dos dez mínimos previstos. Daqui a alguns anos, será o equivalente a dois ou três salários-mínimos”, alertou. Ele denunciou também que a fixação da idade mínima para aposentadoria, em detrimento da aposentadoria por tempo de serviço, como ficou proposto na última reforma, gerou ainda mais desigualdade no país. “Como é que no país campeão mundial de desigualdade nós podemos impor idade mínima para aposentadoria? A realidade do jovem classe média que tem os estudos pagos pelos pais e entra no mercado de trabalho aos 25 anos, com pós-graduação e tudo, é bem diferente da do garoto pobre obrigado a começar a trabalhar aos 16 anos, usando a força física, e aos 50 anos não consegue mais trabalho”, exemplificou.
Os participantes do Seminário
em Defesa da Previdência Social Pública repudiaram a proposta
de emenda constitucional que prorroga a DRU – Desvinculação
de Receitas da União até 2011, e aprovaram moção
que será enviada ao Congresso Nacional. A proposta deverá
ser votada esta semana pela Comissão de Constituição
e Justiça da Câmara dos Deputados. Na seqüência,
entrará em votação no plenário. Segundo ela, só nos primeiros seis meses deste ano, a dívida interna federal cresceu R$ 182 bilhões. “Essa quantia representa quase tudo o que foi gasto com a previdência pública durante todo o ano de 2006”, contrapõe ela. Ainda conforme a auditora, a previdência consome o segundo maior volume de dinheiro do orçamento da união. “O primeiro volume, claro, vai para o pagamento da dívida”, lembra. |