Morte
de um dissidente
Alex
Goldfarb e Marina Litvinenko
Companhia das Letras
O
biólogo e ativista político Alex Goldfarb e Marina
Litvinenko são, respectivamente, um amigo e a viúva
do russo Alexander Litvinenko, o personagem central do livro.
A trama narra a lenta morte de Litvinenko, agente do serviço
secreto russo. Ele, que havia denunciado o plano de sua agência,
a FSB (ex-KGB), para assassinar um empresário, acusou Vladimir
Putin pelo seu envenenamento. Preste atenção no
modo como Goldfarb dispõe os fatos e suas informações
para criar a trama de crimes e delitos políticos. E nos
diálogos de Boris Ieltsin e Vladimir Putin. O livro traça
parte dos bastidores da política russa entre 1995 e abril
de 2007
Literaraturas de língua portuguesa
Benjamin
Abdala Junior
Ateliê
Benjamin Abdala Junior, professor titular de Estudos Comparados
da USP, é
uma raridade. Seu texto, acessível e claro, desmente a
tradição cabalística do jargão acadêmico.
Ele transita pelos universos da
literatura em língua portuguesa no seu novo livro, mas
não se limita a isso. A história e os movimentos
(melhor dizendo, turbulências) políticos estão
sempre nas suas reflexões. A apresentação
do livro, em que discute o
que chama de ecologia cultural e a globalização
política e da cultura, é um primor. Mas o professor
suscita debates sobre criação e sobre a escrita
e a linguagem. Um assunto caro a ele, a literatura neo-realista
de
Portugal é tema de um dos textos do livro.
Como
vivem os mortos
Wil Self
Alfaguara
Lily
Bloom é diferente da Molly Bloom joyciana. Sofreu e reclamou
muito, essa judia americana que mora em Londres. Aos 65 anos,
morre de câncer. Paz para Lily? Nadinha. Ela passa a morte
acompanhada por um filho morto
aos nove anos, um feto calcificado e criaturas feitas de toda
a gordura que ganhou e perdeu nas dietas que vivia fazendo. E
Lily continua a ver o mundo dos vivos, sobretudo as duas filhas
a quem despreza. O pior de tudo são as lembranças
da vida que teve. Temas sob medida para Will Self, escritor que
nem sempre acerta, mas que é inegavelmente criativo e
original. Esse romance ambicioso e volumoso mostra, sobretudo,
o humor irônico de Self.
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