Nº 23 - Brasília, 17 de agosto de 2007
 

MOBILIZAÇÃO NACIONAL
Movimentos sociais realizam Jornada em Defesa da Educação Pública

ANDES-SN, com informações do MST

A Jornada Nacional em Defesa da Educação Pública será realizada em todo o país entre os dias 20 e 24 de agosto. Diversas entidades e movimentos sociais organizam uma série de atos públicos pelo país para reivindicar o aumento do investimento em educação. Atualmente, o Brasil investe apenas 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), metade dos 7% previstos no Plano Nacional de Educação (PNE) aprovado pelo Congresso Nacional em 2000.

O ANDES-SN é uma das entidades que articulam o movimento e convoca todos os docentes a participarem das manifestações que estarão sendo realizadas durante a semana. “Se a luta é por educação pública de boa qualidade, o ANDES-SN estará presente, defendendo maior acesso à universidade pública com garantias de permanência, mais investimentos e a revogação de medidas que precarizem a atividade docente e ponham em risco a qualidade do ensino, como os recentes decretos que criaram o REUNI, as IFET (Instituições Federais de Ensino Tecnológico) e o professor-equivalente, entre outras medidas”, afirma Paulo Rizzo, Presidente do Sindicato Nacional.

A programação da semana é bastante variada, pois cada local tem sua própria agenda. Cada estado vai promover debates, aulas públicas, atos públicos e ocupações. O principal ponto da Jornada será uma passeata unificada dos movimentos sociais em torno da pauta da educação, no dia 22, que acontecerá simultaneamente em todo o país. Em São Paulo, o grande ato deverá ser no dia 24 (sexta-feira) devido à mobilização dos professores da rede pública, marcada para esse dia.

Para o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), uma das entidades coordenadoras da jornada, lutar pelo direito à educação e por uma educação pública de qualidade é trabalhar pela construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Mas para isso é preciso mudar a lógica mercantilista que se abalou sobre a educação e lutar para que o Estado retome seu papel de provedor dos direitos sociais, garantindo educação pública e qualidade para todos.

Na defesa da universalização do acesso à educação básica, o MST tem como bandeira histórica a alfabetização. O Movimento vem colocando essa bandeira em prática com a Campanha Todos e Todas Sem Terra Estudando, cujo objetivo é construir territórios livres do analfabetismo. Pela democratização do conhecimento, o MST iniciou neste mês de agosto a Campanha Nacional de Solidariedade às Bibliotecas do MST, cuja meta é recolher livros para as bibliotecas de assentamentos e acampamentos espalhados pelo Brasil e para os centros de formação nos estados.

Além de mais investimentos no setor, qualidade no ensino e democratização do acesso, a Jornada também reivindica um sistema nacional de educação que impeça a fragmentação entre os diversos níveis e garanta a obrigatoriedade no ensino médio publico; piso salarial nacional para os trabalhadores da educação calculado pelo DIEESE para a jornada de 20 horas; imediata implantação do ensino de história da África em todos os níveis educacionais, entre outros.

Eixos da Jornada Nacional

1. Pela erradicação do analfabetismo;

2. QUEREMOS ESTUDAR: garantia do acesso da classe trabalhadora a educação publica de qualidade e socialmente referenciada em todos os níveis.Fim do vestibular e dos processos excludentes de seleção para ingresso;

3. Implementação de políticas de ações afirmativas capazes de reverter o processo histórico de exclusão, com gratuidade ativa e políticas de assistência estudantil para garantir a permanência;

4. Ampliação do investimento público da educação pública para no mínimo 7% do PIB;

5. Em defesa da expansão de vagas com garantia de qualidade e abertura de concursos para professores e técnico-administrativos e infra-estrutura adequada;

6. Autonomia das universidades frente as ingerências de governos e mantenedoras.

7. Em defesa de uma formação universitária baseada no tripé ensino, pesquisa e extensão e contra a mercantilização da educação e da produção do conhecimento;

8. Por uma avaliação institucional de educação superior socialmente referenciada, com participação dos estudantes, profissionais da educação e movimentos sociais, sem caráter produtivista, meritocrático e punitivo;

9. Gestão democrática, com participação paritária de estudantes, técnico-administrativos e docentes em todos os níveis de decisão das instituições e sistemas de ensino;

10. Controle público do ensino privado em todos os níveis. Pelo padrão unitário de qualidade na educação. Pela redução das mensalidades e contra punição dos inadimplentes;

11. Garantia da livre organização sindical e estudantil, em especial, nas instituições privadas. Em defesa do direito a greve;

12. Por um sistema nacional de educação que impeça a fragmentação entre os diversos níveis e garanta a obrigatoriedade no ensino médio publico;

13. Contra a privatização do ensino público e dos hospitais universitários, seja por meio das fundações privadas seja pela aprovação do projeto de criação de fundações estatais;

14. Pela garantia dos direitos conquistados pelos professores e técnico-administrativos das instituições públicas, contra o Projeto de Lei Complementar – PLP 15.Pelo Passe Livre Estudantil financiado pelo lucro das empresas de transportes;

16. Em defesa de um piso salarial nacional para os trabalhadores da educação calculado pelo DIEESE para a jornada de 20 horas;

17. Pela derrubada dos vetos ao PNE 2001. Pela construção coletiva do novo PNE da sociedade brasileira que atenda as reivindicações históricas da classe trabalhadora;

18. Pela imediata implantação da lei 10.639 /2003em todos os níveis educacionais.

Entidades e movimentos organizadores:

MST, Via Campesina, UNE, UBES, ANDES-SN, Conlute, CMP, CMS, CONLUTAS, CONSULTA POPULAR, CONTRAPONTO, CPT, ABONG, CÍRCULO PALMARINO, DCE/PUC-PR, DCE/UFBA, DCE/UFPR, DCE/UFSE, DCE/UNIBRASIL, DCE/Unicam, DCE USP, Educafro, Denem, Enecos, ENEF, ENEFAR, Enen/ Nutrição, Exneto/ Terapia Ocupacional, , FEAB, FEMEH, GAVIÕES DA FIEL, INTERSINDICAL, JULI-RP, LEVANTE POPULAR, MAB, MAIS-PT, MARCHA MUNDIAL DE MULHERES, MCL, MMC, MMM, MOVIMENTO CORRENTEZA, MOVIMENTO MUDANÇA, MPA, MSU, PJR, REPED, ROMPER O DIA, UJC, UJR, UJS, UEE, UEE-SP.

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