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GASTANÇA
Administradores
das IFES se beneficiam com a farra dos cartões corporativos
Najla
Passos
ANDES-SN
O
escândalo dos cartões corporativos atingiu em cheio as instituições
federais de ensino. A Universidade de Brasília – UnB lidera
o ranking dos gastos. Só no exercício de 2007, foi R$ 1,23
milhão. No Portal da Transparência da Controladoria Geral
da União – CGU, estão discriminadas, por exemplo,
compras de produtos de beleza e roupas infantis, Além de gastos
com restaurantes, bares e hotéis fazendas, dentre outros que não
aparentam ter qualquer ligação com a pesquisa científica
e acadêmica.
O assistente
do reitor, Wilde José Pereira, utilizou seu cartão para
compras em padarias, supermercados e em loja de artigos para festas. Em
entrevista à Folha de S. Paulo, ele afirmou que os gastos referem-se
a "homenagens e encontros" com autoridades, como ministros,
parlamentares e embaixadores. O que mais espanta, entretanto, na relação
dos gastos da UnB, são os saques sistemáticos de dinheiro,
o que dificulta o controle da aplicação dos recursos públicos.
Um único servidor, em três meses, sacou quase R$ 30 mil.
Conforme
a assessoria de imprensa da UnB, o reitor não irá conceder
mais entrevistas sobre o assunto. Nota Oficial divulgada pela instituição
garante, entretanto, que a UnB também faz auditoria nas compras
e saques feitos através dos cartões corporativos, e não
tem encontrado irregularidades.
Conforme
a presidente da Associação dos Docentes da UnB – ADUnB,
Rachel Nunes da Cunha, o Conselho de Representantes da Seção
Sindical aprovou uma série de medidas que serão encaminhadas
à assembléia para aprovação. Entre elas, o
afastamento do reitor e do diretor financeiro da universidade. (Clique
aqui para ver Nota à Imprensa, divulgada nesta sexta, 15/2).
UFPI e UNIFESP no ranking
A Universidade Federal do Piauí – UFPI é
a segunda no ranking dos gastos com cartões corporativos. No ano
passado, foram R$ 356,7 mil, de acordo com o Portal da Transparência.
Entretanto, o reitor da instituição, Luiz de Sousa Santos
Júnior, garantiu, em entrevista coletiva à imprensa, no
último dia 8, que os gastos foram ainda maiores: R$ 394 mil.
Conforme
ele, não há nenhuma irregularidade na utilização
destas formas de recurso. Sua justificativa é que a UFPI gastou
mais porque se antecipou às outras universidades e começou
a usar o sistema de cartão corporativo. Luiz Junior diz que, a
partir de junho, todas as universidades terão que usar cartões
corporativos. A medida estás prevista no decreto 5.355, de 25 de
janeiro de 2005.
A Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, terceira colocada
no ranking, consumiu R$ 290,9 mil dos cofres públicos através
dos cartões corporativos. Gasto no mínimo “interessante”
foi o do reitor da instituição, Ulysses Fagundes Neto, que
só no restaurante A Figueira Rubaiyat, em uma única noite,
“investiu” R$ 1.798,39. Ao responder às críticas,
se fez de rogado. Disse que o gasto se refere a um jantar com visitantes
estrangeiros, e garantiu que jamais fora orientado sobre o uso dos cartões.
Segundo denúncia publicada pela Folha de S. Paulo, o reitor da
UNIFESP também gastou mais de mil reais em uma farmácia
em São Paulo, mas alega que ressarciu o dinheiro. Sua assessoria
encaminhou ao jornal um guia de recolhimento da União, quando ele
devolveu, só em dezembro, os R$ 614,61 de uma compra feita quase
um ano antes, em janeiro de 2007. Não foi esclarecida a despesa,
na mesma farmácia, de R$ 447,44, realizada em julho. A assessoria
não soube informar se o valor foi ressarcido.
Em quarta
posição no ranking das IFES que mais gastam com cartões
de crédito, está o Centro Federal de Educação
Tecnológica de Goiás – CEFET/GO, que atingiu a marca
de R$ 283,7 mil. Um funcionário utilizou o cartão para sacar
sozinho, diretamente em caixas eletrônicos, R$ 23,5 mil.
A Universidade
Federal do Paraná – UFPR ocupa o quinto lugar, com gastos
de R$ 241 mil. A reitoria publicou uma nota oficial esclarecendo que,
por determinação do governo federal, a instituição
utiliza cartões corporativos desde 2006. Na nota, ressalta que
os membros da administração superior (reitores e pró-reitores)
não utilizam o benefício, destinado apenas aos servidores
autorizados.
A reitoria
da UFPR informa ainda que os saques só são autorizados quando
os funcionários não têm como fazer o pagamento em
cartão e que, nesses casos, a prestação de contas
é feita posteriormente. Caso esse, por sinal, de vários
servidores que, conforme o Portal da Transparência, realizaram vários
saques no decorrer do ano.
Confira
o ranking das IFES que mais utilizam o cartão corporativo:
1.
FUNDACAO UNIVERSIDADE DE BRASILIA 1.234.512,42
2. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUI 356.772,00
3. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SAO PAULO
290.989,88
4. CENTRO FED. DE EDUCACAO TECNOLOGICA DE GOIAS 283.722,46
5. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANA
241.044,02
6. CENTRO FED.DE EDUC.TECNOLOGICA DE S.CATARINA 207.316,97
7. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
185.219,96
8. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLANDIA 175.810,75
9. CENTRO FEDERAL DE EDUCACAO TECNOLOGICA
DE MG 137.093,14
10. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 123.519,54
11. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
108.643,03
12. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS 99.469,60
13. UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA
98.568,15
14. SUBSECRETARIA DE ASSUNTOS ADMINISTRATIVOS-SA 95.569,01
15. CENTRO FEDERAL DE EDUCACAO TECNOL.DO
PARA 95.523,76
16. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO 89.549,87
17. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE CRATO
89.381,04
18. UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
83.379,79
19. CENTRO FED. DE EDUC. TECNOLOG. DO PIAUI-CEFET
69.054,95
20. FUND.UNIVERSIDADE FEDERAL VALE SAO FRANCISCO 64.259,00
21. UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIAS
55.976,07
22. FUNDACAO JOAQUIM NABUCO 53.312,53
23. MINISTERIO DA EDUCACAO 52.403,08
24. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA 52.020,56
25. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE CASTANHAL
47.288,57
26. UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBA 41.367,17
27. CENTRO FEDERAL DE EDUC TECNOLOGICA DE
UBERABA 37.754,76
28. ESCOLA TECNICA FEDERAL DE PALMAS
- TO 35.037,52
29. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAPA
34.634,58
30. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DA AMAZONIA 33.101,04
31. CENTRO FEDERAL DE EDUCACAO TECNOL.DO
MARANHÃO 31.585,88
32. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE SATUBA 30.890,85
33. CENTRO FEDERAL DE EDUCACAO TECNOL.DO
RN 29.719,19
34. UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA 28.562,26
35. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE S.J.DEL-REI
27.106,79
36. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC 26.657,64
37. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE BELO JARDIM
24.821,15
38. CENTRO FED.DE EDUC.TECNOLOGICA DO ESPIR.SANTO 23.946,43
39. CENTRO FEDERAL DE ED.TECNOLOGICA DO
AMAZONAS 22.531,25
40. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE SAO LUIS 20.396,40
41. FUNDACAO UNIVERSIDADE DO AMAZONAS 20.345,82
42. CENTRO FEDERAL DE EDUCACAO TECNOL.DE JANUARIA 17.946,56
43. CENTRO FEDERAL DE EDUC.TECNOL.DO M.
GROSSO 17.245,41
44. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE RIO VERDE 16.336,65
45. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE MANAUS 15.646,22
46.
ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE CATU 15.439,93
47. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE SOUSA
14.327,97
48. CENTRO FEDERAL DE EDUCACAO TECNOL.DA
PARAIBA 12.294,39
49. CENTRO FEDERAL DE EDUC. TECNOLOGICA DE URUTAI 8.671,19
50. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECONCAVO DA
BAHIA 7.621,18
51. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARA 7.339,21
52. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO
NORTE 7.262,23
53. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE BARBACENA 7.062,19
54. CENTRO FEDERAL DE EDUCACAO TEC. DE SERGIPE
7.012,81
55. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS 6.908,08
56. FACULDADES FEDERAIS INTEGRADAS DE DIAMANTINA
6.756,52
57. ESCOLA DE FARMACIA E ODONTOLOGIA DE ALFENAS 6.504,00
58. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE S.J.EVANGELISTA
6.159,20
59. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE UBERLANDIA 6.052,54
60. ESCOLA AGROTECNICA FED. DO SENHOR DO
BOMFIM 6.000,00
61. SECRET.DE EDUCACAO INFANTIL E FUNDAMENTAL/MEC 3.885,43
62. FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE
3.200,00
63. CENTRO FED.DE EDUC. TECNOLOGIA DE RORAIMA 2.269,00
64. UNIVERSIDADE FEDERAL DE LAVRAS
1.640,00
65. FUND.COORD.DE APERF.DE PESSOAL NIVEL SUPERIOR 1.351,21
66. UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
730,00
67. ESCOLA AGROTECNICA FEDERAL DE ARAGUATINS 392,53
FONTE:
Portal da Transparência
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