Nº 36 - Brasília, 18 de janeiro de 2008
 

ESTADUAIS DO CEARÁ
Governo cede à pressão dos professores e negocia alterações no PCCV

Elizângela Araújo
ANDES-SN

A greve de três meses dos docentes das universidades estaduais do Ceará foi suspensa por 15 dias, a partir da última terça (15/2), após compromisso público do governador Cid Gomes de negociar as alterações reivindicadas pelos docentes no Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos – PCCV. Os docentes mantêm estado de greve durante esse período, no qual negociarão as alterações no plano.

O plano “foi um dos carros-chefes da greve de 2006”, explica Francisco Augusto Silva Nobre, presidente da SINDURCA Seção Sindical do ANDES-SN. Ele disse que durante a greve o governador assumiu uma postura autoritária e debochada, mas acabou cedendo à pressão dos docentes quando percebeu que o movimento era forte e que nem as ameaças de corte de ponto ou determinação da ilegalidade pela justiça estadual fizeram os professores recuar.

Cid Gomes não oficializou o compromisso, no entanto, o assumiu publicamente, por meio da imprensa, que negociaria com os professores. “Já estamos conseguindo tirar do texto do PCCV alguns pontos negativos, como o que quebrava a autonomia universitária”, diz Francisco Augusto. A comissão formada por membros do governo e professores estabeleceu o prazo de 15 dias para concluir a proposta de consenso.

O governo também assumiu o compromisso de enviar a proposta para aprovação pelos professores das três universidades – URCA, UVA e UECE – para só depois encaminhá-la à Assembléia Legislativa. Os parlamentares que participaram da reunião se comprometeram a votar o plano em regime de urgência, tão logo ele chegue à casa. Segundo Augusto, o governo tem o apoio de 99% dos parlamentares estaduais.

Um dos pontos da negociação é a proposta de 100% de aumento salarial nominal até 2010. “Só aceitamos aumento real, ou seja, com a reposição da inflação, até 2009”, adianta.

De acordo com um dossiê preparado pelo movimento docente, os professores das universidades estaduais do Ceará têm os salários mais baixos entre as universidades estaduais do país.

Cronologia - Em 2007, após uma greve iniciada no final de 2006, o governo aceitou formar uma comissão com os representantes dos docentes para elaborar uma proposta de plano. Em maio, o governo disse que a proposta não seria aquela e apresentou outra, que não atendia às reivindicações dos professores. Entre maio e dezembro, os professores tentaram negociar, sem sucesso. Com a greve, o governo se negava a negociar, até que recuou.

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