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ESTADUAIS
DO CEARÁ
Governo
cede à pressão dos professores e negocia alterações
no PCCV
Elizângela
Araújo
ANDES-SN
A greve de
três meses dos docentes das universidades estaduais do Ceará
foi suspensa por 15 dias, a partir da última terça (15/2),
após compromisso público do governador Cid Gomes de negociar
as alterações reivindicadas pelos docentes no Plano de Cargos,
Carreiras e Vencimentos – PCCV. Os docentes mantêm estado
de greve durante esse período, no qual negociarão as alterações
no plano.
O plano “foi um dos carros-chefes da greve de 2006”, explica
Francisco Augusto Silva Nobre, presidente da SINDURCA Seção
Sindical do ANDES-SN. Ele disse que durante a greve o governador assumiu
uma postura autoritária e debochada, mas acabou cedendo à
pressão dos docentes quando percebeu que o movimento era forte
e que nem as ameaças de corte de ponto ou determinação
da ilegalidade pela justiça estadual fizeram os professores recuar.
Cid Gomes não oficializou o compromisso, no entanto, o assumiu
publicamente, por meio da imprensa, que negociaria com os professores.
“Já estamos conseguindo tirar do texto do PCCV alguns pontos
negativos, como o que quebrava a autonomia universitária”,
diz Francisco Augusto. A comissão formada por membros do governo
e professores estabeleceu o prazo de 15 dias para concluir a proposta
de consenso.
O governo também assumiu o compromisso de enviar a proposta para
aprovação pelos professores das três universidades
– URCA, UVA e UECE – para só depois encaminhá-la
à Assembléia Legislativa. Os parlamentares que participaram
da reunião se comprometeram a votar o plano em regime de urgência,
tão logo ele chegue à casa. Segundo Augusto, o governo tem
o apoio de 99% dos parlamentares estaduais.
Um dos pontos da negociação é a proposta de 100%
de aumento salarial nominal até 2010. “Só aceitamos
aumento real, ou seja, com a reposição da inflação,
até 2009”, adianta.
De acordo com um dossiê preparado pelo movimento docente, os professores
das universidades estaduais do Ceará têm os salários
mais baixos entre as universidades estaduais do país.
Cronologia
- Em 2007, após uma greve iniciada no final de 2006, o
governo aceitou formar uma comissão com os representantes dos docentes
para elaborar uma proposta de plano. Em maio, o governo disse que a proposta
não seria aquela e apresentou outra, que não atendia às
reivindicações dos professores. Entre maio e dezembro, os
professores tentaram negociar, sem sucesso. Com a greve, o governo se
negava a negociar, até que recuou.
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