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CPI
das ONGs
Reitor da UnB se exime da responsabilidade nos gastos com apartamento
de luxo
Elizângela
Araújo - ANDES-SN
Com informações da Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil,
Correio Brazilense e Agência Senado
Há
quase dois meses do início do escândalo da Fundação
de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos – Finatec,
o reitor da UnB, Timothy Mulholland, foi ouvido pela CPI das Organizações
Não-Governamentais – ONGs, do Senado Federal, na última
terça 4/3. Num depoimento morno, no qual se esquivou de qualquer
responsabilidade, Mulholland atribuiu a decoração e mobília
luxuosas de seu apartamento funcional à “área técnica”
da universidade, contradizendo declarações anteriores de
que o material deveria ser durável e que “não se mobilia
uma casa de qualquer maneira”, dadas ao Jornal Nacional, da Rede
Globo, em janeiro.
De acordo com a coluna Informe DF, do Jornal do Brasil desta quinta-feira
6/3, o “complexo” de Lula, que nada soube e nada viu no caso
do mensalão, irritou os senadores. Questionado sobre a compra de
cinco televisores de plasma para o apartamento – na verdade, uma
cobertura, Mulholland afirmou: "Não sei explicar, não
foi decisão minha". Apesar da irritação, “os
senadores admitem que não sabem o que fazer com ele”, afirma
a coluna. O mandato do reitor se estende até o final do próximo
ano e um possível afastamento só pode ser decidido pela
justiça.
Além de se eximir de qualquer responsabilidade, Mulholland disse
que lamenta o dano à imagem da UnB, causado pelo escândalo,
embora não tenha admitido, em nenhum momento, ter feito um erro.
"Pessoalmente, eu lamento enormemente o abalo na imagem da universidade
que resultou dessa polêmica". O reitor também rebateu
a acusação dos promotores do Ministério Público
do Distrito Federal e Territórios - MPDTF de que o dinheiro investido
no imóvel – R$ 470 mil (R$ 350 mil, de acordo com a UnB)
teria de ser destinado a pesquisa. Ele admitiu que os recursos públicos
para pesquisa são insuficientes, mas afirmou que o uso da verba
condiz com a rubrica "desenvolvimento institucional" e que a
preparação do imóvel não se deu em prejuízo
de qualquer programa da UnB, "especialmente de pesquisa".
Segundo o Ministério Público, o uso da verba destinada à
cobertura funcional, que teve origem num fundo constituído por
recursos da Finatec, foi decidido pela diretoria da Fundação
UnB – mantenedora da universidade – , presidida por Mulholland.
Repasses a outras fundações
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) questionou o reitor sobre repasses
de R$ 515 mil da UnB a três entidades supostamente comandadas por
petistas em 2005 – Saber, Cidadão do Futuro e Cata-Ventos
Juventude e Cidadania. O reitor informou que assumiu o cargo em novembro
de 2005 e em 2006 fechou a secretaria que fez os repasses por "ela
não estar prestando os serviços que se esperava".
Promotores
reafirmam que o dinheiro deveria custear pesquisa
Antes
do depoimento do reitor, os promotores de justiça Ricardo Antônio
de Souza e Gladaniel Pereira, do MPDFT, prestaram esclarecimentos à
CPI e reafirmaram que o dinheiro utilizado na reforma do imóvel
do reitor deveria ter custeado pesquisa. Ambos reafirmaram a acusação
de que a Finatec desprezou as regras de licitação e apontaram
o caráter empresarial da entidade. Para Gladaniel, "não
há mais sentido em que essas fundações de apoio ocupem
o espaço público e desempenhem atividades empresariais".
Segundo Gladaniel, a legislação que criou as fundações
privadas tem origem na ditadura, quando se justificava a necessidade de
existência desse tipo de instituição para captar recursos
públicos para as universidades sem a necessidade de tantas exigências
contratuais. “Esse sistema precisa necessariamente passar por uma
urgente reforma, pois essas fundações, hoje, não
contribuem para a pesquisa e a extensão universitária, como
deveria ser seu objetivo. Isso é claro quando observamos a deficiência
das nossas universidades e laboratórios de pesquisa”, afirmou
o promotor.
Segundo Gladaniel, o Ministério Público encontrou irregularidades
não somente na Finatec, mas também nas outras quatro fundações
de apoio ligadas à UnB. Entre as principais falhas, estão:
desenvolvimento de atividades empresariais no âmbito dessas fundações;
remuneração indireta e irregular de docentes contratados
com dedicação exclusiva; utilização das fundações
para burlar o princípio da legislação; subcontratação
de empresas para executar serviços que deveriam ser prestados pelas
fundações e aplicação de recursos em atividades
estranhas às de pesquisa e extensão universitária.
Gladaniel ressaltou que todas as irregularidades foram apuradas de forma
exaustiva pelo Ministério Público. Complementando as informações
de Gladaniel, o promotor de justiça Ricardo Antônio de Souza
criticou a subcontratação de empresas por parte das fundações
de apoio. “Não há que se falar em subcontratação.
Ela onera os cofres públicos e também o contribuinte, que
acaba pagando pelo menos mais dezesseis por cento para que um serviço
seja executado”.
Sigilo
bancário
O senador Alvaro Dias afirmou que solicitaria à CPI a quebra de
sigilo bancário e telefônico do presidente do Conselho Superior
da Finatec, Antônio Manoel Dias Henrique, que deveria ter dado seu
depoimento no mesmo dia. Henrique justificou sua ausência e se comprometeu
a comparecer perante à CPI, para uma oitiva, no próximo
dia 10 de março. Para Alvaro Dias, “é óbvio
que ele não quis comparecer para não ser confrontado com
os promotores”.
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