À
espera dos bárbaros
J. M. Cotzee
Companhia das Letras, 208 p., R$ 39,50
O
cenário é um lugarejo poeirento na província
ocidental de um certo Império. Um magistrado sem nome toca
adiante sua rotina de funcionário correto a serviço
de uma ordem que não lhe cabe questionar: recolhe impostos,
dita sentenças e pouco se ocupa dos bárbaros maltrapilhos
que perambulam a esmo pelo deserto escaldante. Nas horas vagas,
abandona-se à melancolia e à escavação
de ruínas próximas, cobertas pela areia.
Seus dias de modorra moral são interrompidos pela chegada
do Coronel Joll, emissário de uma misteriosa Terceira Divisão
de "guardiães do Estado". Especialista nas artes
do "interrogatório", Joll vem da capital para
investigar um suposto movimento de sedição entre
os bárbaros. Os rumores a respeito são mais que
tênues, o que não impede Joll de torturar prisioneiros,
disseminar a histeria xenófoba e silenciar dissidentes
- entre os quais o Magistrado. À espera dos bárbaros
reitera as preocupações éticas que movem
toda a prosa de J. M. Coetzee. O romance parte das encruzilhadas
da população branca no apartheid sul-africano para
construir uma profunda meditação sobre a natureza
do poder absoluto, da censura, do compromisso e da moral em tempos
difíceis.
Descobertas
perdidas
As raízes antigas da ciência moderna, dos babilênios
aos maias
Dick Teresi
Companhia das Letras, 440 p., R$ 59,00
A
maior parte das pessoas ainda se surpreende ao descobrir o quanto
as civilizações não-ocidentais contribuíram
para o conhecimento científico, já que tradicionalmente
os grandes nomes da ciência são europeus: Isaac Newton,
Galileu Galilei, Nicolau Copérnico e outros. Esta é
a revelação que propõe Descobertas perdidas,
ao mostrar que povos da Suméria, da Babilônia, do
Egito, da Índia, da China, da África, do mundo árabe
e de muitos outros lugares chegaram a conclusões importantes
nas áreas da matemática, astronomia, cosmologia,
física, geologia, química e tecnologia muito antes
de a Europa adotar ou recriar as novidades.
Num texto claro e envolvente, Teresi apresenta e explica dezenas
dessas descobertas, mostrando, por exemplo, como os matemáticos
indianos inventaram o zero, um dos conceitos cruciais da matemática,
que talvez só pudesse ter surgido em mentes budistas: representar
o nada era considerado ímpio na Europa cristã. Conta
também que mais de mil anos antes do nascimento de Pitágoras,
o teorema que conhecemos com seu nome já existia entre
os babilônios, e que na América os maias tinham obsessão
por fazer contas e manter registros da passagem do tempo.
O livro traça um panorama completamente novo e intrigante
das origens e dos alicerces da ciência.
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