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CAMPANHA
SALARIAL 2007/2008
Processo de “negociação” antecipou práticas
previstas na reforma sindical do governo
Por Najla Passos
ANDES-SN
O comportamento dos representantes do governo federal durante
a negociação salarial 2007/2008 antecipou as mudanças
que a reforma sindical, em sua pior versão, pretende impor a todos
os trabalhadores do país, caso seja aprovada pelo Congresso Nacional,
como pretende o Executivo.
Conforme o presidente do ANDES-SN, Paulo Rizzo, são duas as principais
características dessa nova forma de negociação adotada
pelo governo federal. A primeira é a produção de
um simulacro de acordo, chancelado pela cúpula burocrática
de uma das centrais sindicais. A segunda é a transferência
ao patrão da prerrogativa de escolher quem são os representantes
dos trabalhadores no processo de negociação.
"Em dezembro, quando o ANDES-SN, por decisão majoritária
das assembléias de base, não aceitou assinar o acordo imposto
pelo governo, a CUT foi imediatamente chamada à mesa de negociações
para viabilizar o processo e atender prontamente à demanda do governo.
É isso o que pretende a reforma sindical do governo: que as centrais
possam negociar em nome de todos os trabalhadores, mesmo que esses trabalhadores
não deleguem esse poder a elas", denuncia Paulo Rizzo.
Ele lembra que o ANDE-SN não é sequer filiado à CUT,
uma central hoje em dia de caráter totalmente governista, que,
até por isso, não tem nenhuma representatividade frente
à categoria docente."A base da nossa categoria, que é
a principal interessada no processo de negociação salarial,
ficou completamente alijada do processo decisório, já que
quem firmou o acordo com o governo foi a central governista e não
os representantes devidamente eleitos pelos docentes, no caso o ANDES-SN
e a SINASEFE, e nem mesmo a central a que somos filiados, a CONLUTAS",
afirma ele.
O presidente do Sindicato Nacional lembra, também, que delegar
ao patrão a prerrogativa de escolha dos representantes da categoria
é uma prática geradora de peleguismo, como demonstra a história
dos movimentos sociais. "São os trabalhadores que devem escolher
seus representantes. Esse é um dos princípios básicos
de garantia de um sindicalismo que realmente atenda aos anseios dos trabalhadores",
reforça.
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