Nº 41 - Brasília, 27 de março de 2008
 

CAMPANHA SALARIAL 2007/2008
Processo de “negociação” antecipou práticas previstas na reforma sindical do governo

Por Najla Passos
ANDES-SN


O comportamento dos representantes do governo federal durante a negociação salarial 2007/2008 antecipou as mudanças que a reforma sindical, em sua pior versão, pretende impor a todos os trabalhadores do país, caso seja aprovada pelo Congresso Nacional, como pretende o Executivo.

Conforme o presidente do ANDES-SN, Paulo Rizzo, são duas as principais características dessa nova forma de negociação adotada pelo governo federal. A primeira é a produção de um simulacro de acordo, chancelado pela cúpula burocrática de uma das centrais sindicais. A segunda é a transferência ao patrão da prerrogativa de escolher quem são os representantes dos trabalhadores no processo de negociação.

"Em dezembro, quando o ANDES-SN, por decisão majoritária das assembléias de base, não aceitou assinar o acordo imposto pelo governo, a CUT foi imediatamente chamada à mesa de negociações para viabilizar o processo e atender prontamente à demanda do governo. É isso o que pretende a reforma sindical do governo: que as centrais possam negociar em nome de todos os trabalhadores, mesmo que esses trabalhadores não deleguem esse poder a elas", denuncia Paulo Rizzo.

Ele lembra que o ANDE-SN não é sequer filiado à CUT, uma central hoje em dia de caráter totalmente governista, que, até por isso, não tem nenhuma representatividade frente à categoria docente."A base da nossa categoria, que é a principal interessada no processo de negociação salarial, ficou completamente alijada do processo decisório, já que quem firmou o acordo com o governo foi a central governista e não os representantes devidamente eleitos pelos docentes, no caso o ANDES-SN e a SINASEFE, e nem mesmo a central a que somos filiados, a CONLUTAS", afirma ele.

O presidente do Sindicato Nacional lembra, também, que delegar ao patrão a prerrogativa de escolha dos representantes da categoria é uma prática geradora de peleguismo, como demonstra a história dos movimentos sociais. "São os trabalhadores que devem escolher seus representantes. Esse é um dos princípios básicos de garantia de um sindicalismo que realmente atenda aos anseios dos trabalhadores", reforça.

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