| |
CAMPANHA
SALARIAL 2007/2008
Proposta
para os professores de 1º e 2º grau desestrutura a carreira
Elizângela
Araújo
ANDES-SN
Da mesma
forma que não aceitou discutir as reivindicações
dos docentes das duas carreiras conjuntamente, o governo não admite,
agora, sequer negociar a construção de uma carreira única
– reivindicação histórica da categoria. Essa
postura é cínica, pois o mesmo governo manteve um grupo
de trabalho no Ministério da Educação, por mais de
dois anos, com a participação do ANDES-SN e do SINASEFE,
desenvolvendo esforços com o objetivo de convergir para a carreira
única.
A novidade apresentada pelo governo é a transformação
da carreira de 1º e 2º grau em carreira da educação
básica, técnica e tecnológica. “Mais que uma
simples mudança de nome, trata-se de uma verdadeira destruição
da carreira, totalmente oposta à proposta de carreira do ANDES-SN”,
enfatiza o presidente do Sindicato Nacional.
Agostinho Beghelli Filho, 2º vice-presidente do ANDES-SN, diz que
“o eventual atrativo monetário da proposta do governo para
uma parcela dos docentes se dá a partir de uma total desestruturação
da carreira”. Ele explica que a “reestruturação”
imposta não mantém steps, proporção entre
os regimes de trabalho e nem a progressão vertical por titulação.
“Em 2010, haverá valores de vencimento básico menores
do que os de hoje. Isso é um problema sério para a categoria,
pois o que é garantido para o professor que se aposenta é
somente o vencimento básico. E essa é uma situação
negativa que abrange todos os docentes”.
Agostinho também lembra que ao manter no contracheque duas linhas
variáveis – incentivo à titulação e
gratificação, o governo abre a possibilidade de, nos próximos
reajustes, conceder índices diferenciados por titulação,
o que certamente traria prejuízos para grande parte dos docentes.
Outra possibilidade negativa, destaca Agostinho, é de que a gratificação
por produtividade seja retomada. “A garantia de que a GEAD não
se torne produtivista seria sua incorporação ao vencimento
básico”. Além disso, ele lembra que a tabela apresentada
pelo governo traz reajuste negativo para parte da categoria que recebe
complemento salarial porque seu vencimento básico está abaixo
do salário-mínimo. “Se compararmos a tabela apresentada
pelo governo com as tabelas atuais aplicando o reajuste do salário-mínimo,
alguns professores em regime de trabalho de 20 horas terão reajustes
menores.”
<<
VOLTA
|