CRIMINALIZAÇÃO
DO MOVIMENTO CAMPONÊS Por Najla
Passos Pelo menos
15 trabalhadores rurais sem-terra, incluindo uma mulher grávida,
foram assassinados na noite dessa quarta-feira (9/4), em Rondônia,
no município de Campo Novo (aproximadamente 360 Km de Porto Velho),
em mais uma ação das milícias armadas que atuam no
Estado, com a ampla colaboração da polícia local,
conforme denúncia da Liga dos Camponeses Pobres - LCP. Mortes
anunciadas Nas reportagens publicadas, os camponeses pobres eram acusados de serem guerrilheiros pertencentes aos quadros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – FARCS, o que, ainda conforme a campanha da imprensa, justificaria uma intervenção militar na região. No dia 4/4, a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Rondônia – UNIR, realizou um ato contra a criminalização do movimento camponês. Participaram professores, estudantes, técnicos-administrativos e representantes de diversas entidades de defesa dos direitos humanos, de sindicatos e de movimentos sociais. Em Carta Aberta à sociedade, esses movimentos denunciaram a perseguição aos camponeses alertando as autoridades para possíveis desdobramentos negativos da prática que, de fato, resultou no massacre de noite de quarta-feira. Congresso
do ANDES-SN Conforme este trabalhador rural, foragido da Justiça, a alardeada Operação Paz no Campo, articulada pelo Governo de Rondônia, em dezembro de 2007, não passou de uma fachada para encobrir mais ataques aos movimentos camponeses. Só na Fazenda Forkilha, no sul do Estado, a Operação Paz no Campo justificou um amplo ataque aos 1,1 mil acampados do local. O saldo foi 200 famílias presas em regime de ajuntamento, 23 pessoas encarceradas, 16 mandados de prisão em aberto contra as lideranças dos camponeses, três mortes e extensa lista de práticas coercitivas e vexatórias. Homens e mulheres foram duramente torturados. Muitos foram obrigados a beber pimenta com alho. Entre as torturas, a polícia ainda simulou o afogamento de alguns trabalhadores como forma de terrorismo. A esposa de um dos participantes da ocupação, grávida há seis meses, sofreu um aborto. Outra senhora grávida ouviu ameaças de que “cuspiria o feto pela boca”. Filhos dos agricultores também foram espancados. Na época, a Revista Veja e jornais do estado justificaram os abusos policiais afirmando que os camponeses pobres pertenciam a uma quadrilha de ladrões de carga. |