Nº 43 - Brasília, 10 de abril de 2008
 

OCUPAÇÃO DA UnB
Reitor pede afastamento, mas estudantes mantêm ocupação

Por Najla Passos
ANDES-SN

O reitor da Universidade de Brasília - UnB, Timothy Mullholland, não resistiu à pressão da comunidade acadêmica e à avalanche de denúncias que pesam contra ele e oficializou nesta quinta-feira (10/4) seu pedido de afastamento do cargo por 60 dias.

Os 1,6 mil estudantes que participam da ocupação do prédio da reitoria comemoraram a decisão, mas decidiram manter o movimento. Nesta sexta-feira (11), eles paralisarão as atividades acadêmicas para pressionar o Conselho Universitário a atender a pauta de reivindicação estudantil.
Os estudantes exigem, agora, a renúncia do vice-reitor, o fim das fundações privadas que atuam na UNB e mais verbas para moradia estudantil, dentre outros pontos.

Reivindicam, também, a imediata convocação de um congresso extraordinário para definir novos critérios para a eleição do reitor. Para eles, o fato do voto de professores e servidores ter peso maior nas eleições universitárias impede que os alunos elejam um reitor que realmente represente os interesses de toda a comunidade acadêmica.

Negociações suspensas
Em assembléia geral realizada ontem (9/4), os 1,6 mil estudantes credenciados para votar decidiram não acatar a proposta efetuada pela reitoria para que eles procedessem a desocupação do prédio e mantiveram o indicativo de greve aprovado na assembléia anterior.

E mais: suspenderam toda e qualquer negociação com a administração superior até que a água e a energia da reitoria ocupada sejam religadas. “Ter acesso à água, principalmente neste calor, é uma questão de direitos humanos”, afirmou Yuri Soares, estudante de História e membro da Comissão de Comunicação.
Para o estudante, o re-ligamento da energia e da água foram acordados na última reunião com representantes da reitoria, intermediada pela OAB Nacional, na noite de terça-feira. “Além de muito autoritária, essa reitoria não cumpre os acordos que formula”.

Apoios generalizados
Desde o início da ocupação, os estudantes têm recebido manifestações de apoio de diferentes categorias, de todas as regiões do país. Estudantes de outras universidades se deslocam para a UnB com o objetivo não só de prestar apoio ao movimento, mas também de discutir a pauta comum que poderá deflagrar uma mobilização nacional.

Um importante apoio manifestado durante a assembléia, e recebido com entusiasmo pelos estudantes, foi o do servidor técnico-administrativo Edmilson Lima, que atua há 28 anos como segurança na UnB. Conforme ele, os seguranças que entraram em conflito com os estudantes, durante a ocupação da reitoria, foram obrigados pelo gabinete do reitor a participar da ação, mesmo sob protestos individuais.

“Cerca de 90% dos seguranças que atuam na UnB são terceirizados e, por isso, ficam suscetíveis às ameaças da reitoria, já que não têm nenhuma estabilidade no emprego. É um absurdo o grau de autoritarismo ”, esclareceu. Conforme o funcionário, os seguranças, como os demais servidores da UnB, apóiam o movimento dos estudantes e, tanto quanto eles, estão indignados com as denúncias de corrupção na UnB.

Professores e servidores apóiam reivindicações dos ocupantes
Durante a assembléia realizada hoje (10/4) na Associação dos Docentes da UnB - ADUnB SSind, os professores decidiram não só apoiar o afastamento do reitor, como também pedir a saída saída do vice-reitor, Edgar Mamiya, e dos cinco decanos até a conclusão das investigações sobre irregularidades na relação entre a universidade e as fundações privadas Finatec e Funsaúde. A assembléia também manifestou apóio ao movimento dos estudantes.

Os professores também querem a renovação do conselho diretor da Fundação Universidade de Brasília - FUB. A FUB é uma entidade autônoma, responsável pela manutenção da UnB, presidida pelo reitor. Segundo a assessoria da universidade, ao se afastar do cargo, Mulholland também fica afastado da presidência da FUB. Os professores também vão encaminhar proposta ao Conselho Universitário - ConsUni para definir como será a investigação interna sobre as supostas irregularidades na universidade e, também, o processo de transição. A próxima assembléia do ConsUni está prevista para esta sexta-feira (11/4).

Com o apóio dos servidores, decidido em assembléia realizada também nesta quinta (10/4), toda a comunidade acadêmica pressiona a UnB a atender as justas reivindicações do movimento estudantil.

UFMG também continua ocupada
Até o fechamento desta edição, a reitoria do Campus da Pampulha, da UFMG, continuava ocupada. O movimento começou na última segunda-feira, como uma uma forma de pressionar a universidade a apurar a responsabilidade da repressão truculenta ocorrida no Campus na última quinta-feira (3/4). De acordo com um manifesto divulgado pelos alunos na última sexta (4/4), policiais militares invadiram o Instituto de Geociências – IGC da UFMG com autorização da reitoria. No local, haveria uma exibição do documentário Grass, que aborda a história da maconha nos Estados Unidos, seguida de um debate.

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