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OCUPAÇÃO
DA UnB
Reitor pede afastamento, mas estudantes mantêm ocupação
Por Najla
Passos
ANDES-SN
O reitor
da Universidade de Brasília - UnB, Timothy Mullholland, não
resistiu à pressão da comunidade acadêmica e à
avalanche de denúncias que pesam contra ele e oficializou nesta
quinta-feira (10/4) seu pedido de afastamento do cargo por 60 dias.
Os 1,6 mil estudantes que participam da ocupação do prédio
da reitoria comemoraram a decisão, mas decidiram manter o movimento.
Nesta sexta-feira (11), eles paralisarão as atividades acadêmicas
para pressionar o Conselho Universitário a atender a pauta de reivindicação
estudantil.
Os estudantes exigem, agora, a renúncia do vice-reitor, o fim das
fundações privadas que atuam na UNB e mais verbas para moradia
estudantil, dentre outros pontos.
Reivindicam, também, a imediata convocação de um
congresso extraordinário para definir novos critérios para
a eleição do reitor. Para eles, o fato do voto de professores
e servidores ter peso maior nas eleições universitárias
impede que os alunos elejam um reitor que realmente represente os interesses
de toda a comunidade acadêmica.
Negociações
suspensas
Em assembléia geral realizada ontem (9/4), os 1,6 mil estudantes
credenciados para votar decidiram não acatar a proposta efetuada
pela reitoria para que eles procedessem a desocupação do
prédio e mantiveram o indicativo de greve aprovado na assembléia
anterior.
E mais: suspenderam toda e qualquer negociação com a administração
superior até que a água e a energia da reitoria ocupada
sejam religadas. “Ter acesso à água, principalmente
neste calor, é uma questão de direitos humanos”, afirmou
Yuri Soares, estudante de História e membro da Comissão
de Comunicação.
Para o estudante, o re-ligamento da energia e da água foram acordados
na última reunião com representantes da reitoria, intermediada
pela OAB Nacional, na noite de terça-feira. “Além
de muito autoritária, essa reitoria não cumpre os acordos
que formula”.
Apoios
generalizados
Desde o início da ocupação, os estudantes têm
recebido manifestações de apoio de diferentes categorias,
de todas as regiões do país. Estudantes de outras universidades
se deslocam para a UnB com o objetivo não só de prestar
apoio ao movimento, mas também de discutir a pauta comum que poderá
deflagrar uma mobilização nacional.
Um importante apoio manifestado durante a assembléia, e recebido
com entusiasmo pelos estudantes, foi o do servidor técnico-administrativo
Edmilson Lima, que atua há 28 anos como segurança na UnB.
Conforme ele, os seguranças que entraram em conflito com os estudantes,
durante a ocupação da reitoria, foram obrigados pelo gabinete
do reitor a participar da ação, mesmo sob protestos individuais.
“Cerca de 90% dos seguranças que atuam na UnB são
terceirizados e, por isso, ficam suscetíveis às ameaças
da reitoria, já que não têm nenhuma estabilidade no
emprego. É um absurdo o grau de autoritarismo ”, esclareceu.
Conforme o funcionário, os seguranças, como os demais servidores
da UnB, apóiam o movimento dos estudantes e, tanto quanto eles,
estão indignados com as denúncias de corrupção
na UnB.
Professores
e servidores apóiam reivindicações dos ocupantes
Durante
a assembléia realizada hoje (10/4) na Associação
dos Docentes da UnB - ADUnB SSind, os professores decidiram não
só apoiar o afastamento do reitor, como também pedir a saída
saída do vice-reitor, Edgar Mamiya, e dos cinco decanos até
a conclusão das investigações sobre irregularidades
na relação entre a universidade e as fundações
privadas Finatec e Funsaúde. A assembléia também
manifestou apóio ao movimento dos estudantes.
Os professores
também querem a renovação do conselho diretor da
Fundação Universidade de Brasília - FUB. A FUB é
uma entidade autônoma, responsável pela manutenção
da UnB, presidida pelo reitor. Segundo a assessoria da universidade, ao
se afastar do cargo, Mulholland também fica afastado da presidência
da FUB. Os professores também vão encaminhar proposta ao
Conselho Universitário - ConsUni para definir como será
a investigação interna sobre as supostas irregularidades
na universidade e, também, o processo de transição.
A próxima
assembléia do ConsUni está prevista para esta sexta-feira
(11/4).
Com o apóio
dos servidores, decidido em assembléia realizada também
nesta quinta (10/4), toda a comunidade acadêmica pressiona a UnB
a atender as justas reivindicações do movimento estudantil.
UFMG
também continua ocupada
Até
o fechamento desta edição, a reitoria do Campus da Pampulha,
da UFMG, continuava ocupada. O movimento começou na última
segunda-feira, como uma uma forma de pressionar a universidade a apurar
a responsabilidade da repressão truculenta ocorrida no Campus na
última quinta-feira (3/4). De acordo com um manifesto divulgado
pelos alunos na última sexta (4/4), policiais militares invadiram
o Instituto de Geociências – IGC da UFMG com autorização
da reitoria. No local, haveria uma exibição do documentário
Grass, que aborda a história da maconha nos Estados Unidos, seguida
de um debate.
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