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EM
DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA
Ocupação vitoriosa da UnB dá força à
campanha contra as fundações privadas "de apoio"
Entidades
do movimento estudantil e Fasubra Sindical intensificam campanhas contra
as fundações
Por
Elizângela Araújo
ANDES-SN
| O
25º CONGRESSO do ANDES-SN, realizado em Cuiabá-MT, deliberou
por notificar as reitorias das IFES e, na seqüência,
representar contra as fundações privadas ditas de
apoio junto aos ministérios públicos Federal e dos
estados. |
A luta pelo
fim das fundações privadas "de apoio" nas universidades
pública ganhou
mais força após a vitoriosa ocupação da reitoria
da Universidade de Brasília - UnB. Pauta histórica do ANDES-SN,
que há pelo menos duas décadas vem alertando a comunidade
universitária para os aspectos negativos da relação
entre as fundações privadas e as instituições
públicas de ensino superior, a questão entrou de vez na
pauta de outras organizações que também pautam a
defesa do ensino público e gratuito.
Fasubra Sindical defende extinção das fundações
privadas "de apoio"
A Federação de Sindicatos de Trabalhadores das Universidades
Brasileiras – Fasubra Sindical enviou nota ao Ministério
da Educação, Ministério Público Federal, União
Nacional dos Estudantes – UNE, Andifes e à Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – Contee,
no último dia 17, defendendo a extinção das fundações
de apoio de direito privado no âmbito das instituições
de ensino superior – IES e a administração dos recursos
públicos pelas próprias universidades públicas.
Na nota, a direção da Federação reafirma posicionamentos
históricos que se coadunam com os do ANDES-SN, enfatizando sua
história de defesa da autonomia universitária, conjugada
ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão.
A entidade também informa ao governo e aos demais destinatários
da nota que sua base deliberou, em Plenária Nacional Estatutária,
pela realização de uma “ampla campanha nacional contra
as fundações de apoio privadas e encaminhar manifestação
pública por uma ampla auditoria, através do Ministério
Público”.
Os servidores técnico-administrativos cobram do governo que propicie
às universidades condições objetivas de exercício
pleno e autônomo de sua gestão administrativa e financeira,
sem a necessidade do subterfúgio das fundações privadas.
“Torna-se fundamental a ação do MEC retirando os entulhos
autoritários que limitam o exercício da democracia e da
autonomia de gestão administrativa e financeira das IFES”,
afirma a nota, cuja conclusão pede o descredenciamento, pelo MEC
e pelo Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT, das
fundações de apoio privadas.
Vitória
na UnB nacionalizou o debate sobre fundações na UNE
Em entrevista por telefone ao InformANDES Online, a presidente da UNE,
Lúcia Stumpf, afirmou que a vitória do movimento de ocupação
da reitoria da UnB nacionalizou o debate sobre as fundações
de apoio no interior da entidade. “Antes, fazíamos esse debate
de forma mais localizada. A partir do episódio da UnB, temos conseguido
politizar mais o debate que a mídia restringia ao problema de má
gestão de recursos públicos”, explicou.
Lúcia informou que a intensificação da campanha contra
as fundações já começará a ganhar força
com a distribuição de material informativo e publicitário
a partir deste final de semana. No início do mês, a UNE divulgou
uma nota na qual defende "uma legislação que combata
as fundações privadas e que garanta uma nova regulamentação
para as fundações de apoio".
O documento
também pede e uma auditoria pública nas fundações
de apoio em todo o país. Para Lúcia, as fundações
privadas “de apoio” são verdadeiras caixas-pretas.
A posição da UNE contra as fundações também
abarca a reivindicação de eleições diretas
para reitor e a paridade nos conselhos deliberativos.
Frente
de Oposição Estudantil critica posição da
UNE
Vinícius
Almeida, estudante da Universidade Federal Fluminense – UFF e membro
da Frente de Oposição Estudantil – FOE da UNE, critica
a posição expressa na nota. Ele explicou que a formulação
do documento não foi discutida com todos os setores que a compõem.
“Já fizemos essa crítica à direção
da UNE, pois para nós não há sentido em pedir o fim
das fundações privadas ao mesmo tempo em que se pede uma
legislação que regulamente as fundações de
apoio. Nossa posição é mais coerente com a do ANDES-SN
e da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária, ou seja, queremos
o fim dessas fundações. Para nós, não interessa
uma mera regulamentação”.
Combate
às fundações também ganha destaque dentro
da Frente de Luta Contra a Reforma Universitária
A estudante da Unicamp Camila Lisboa, integrante da Coordenação
Nacional de Lutas dos Estudantes – Conlute e da Frente de Luta Contra
a Reforma Universitária, também compartilha a opinião
de que a vitória dos estudantes da UnB fortaleceu a luta contra
as fundações. “Como também fortaleceu a luta
contra todo o projeto de universidade que a Reitoria da UnB implementava,
entre os quais o REUNI”, acrescenta.
Segundo Camila, a Frente discutirá, neste final de semana, em sua
reunião em Brasília, “o fortalecimento de um pólo
que organize um combate aos projetos de fundações”.
Ela também critica a posição da UNE ao defender um
projeto de regulamentação das fundações de
apoio e ser favorável ao projeto de fundações estatais
do governo federal.
A discussão sobre as fundações privadas de apoio
nas universidades públicas deverá ser um dos pontos do Plebiscito
Nacional Contra o REUNI, que a Frente está organizando para a semana
de 26 a 30 de maio de 2008. Camila explica que a pergunta sobre fundações
de apoio não estará em todas as cédulas do plebiscito,
mas que deverá estar presente em várias universidades. “Isso
não se deve a algum entendimento de que esse assunto não
seja central, mas é que o plebiscito foi formulado antes dessa
discussão ganhar tanta visibilidade”, justifica.
ANDES-SN
intensifica campanha pelo fim das fundações
Para a 1ª
vice-presidente regional Leste e coordenadora do GT Fundações
do ANDES-SN, Solange Bretas, é inegável o fato de que as
denúncias das irregularidades cometidas pelas fundações
atuantes na UnB, feita pelo Ministério Público do Distrito
Federal e Territórios – MPDFT, ampliaram, pelo menos parcialmente,
o debate sobre as fundações privadas ditas de apoio pela
sociedade.
“É fato que a imprensa tem restringido o debate às
irregularidades, às vezes, quase com um viés sensacionalista,
no entanto, toda essa publicidade acabou por chamar a atenção
de outras entidades ligadas à educação e de sindicatos
ligados a empresas estatais, por exemplo, que também convivem com
essas entidades. Para nós, do ANDES-SN, que temos levantado essa
questão nos últimos anos, já estava mais do que na
hora desse debate ganhar força”, afirma Solange.
Para a professora, o fato de um grande número de jornalistas terem
procurado ouvir membros da diretoria do Sindicato Nacional para opinarem
sobre o papel e a atuação das fundações privadas
ditas de apoio, durante a sucessão de escândalos que tem
ocorrido desde o ano passado, é uma prova da gravidade da situação
e da consistência das denuncias do Movimento Docente. “Temos
credibilidade e acúmulo para alertar a sociedade sobre os melefícios
da relação entre as universidades públicas e essas
fundações privadas ditas de apoio, portanto, intensificaremos,
cada vez mais, a campanha pelo fim dessa relação espúria
e juridicamente ilegítima que põe em risco a autonomia universitária
e a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”.
Para o Sindicato Nacional, as universidades públicas devem tomar
para si o papel que delegaram às fundações. “O
governo tem que rever o papel das universidades e lhes dar condições
para uma gestão plena, democrática, realmente voltada para
os interesses da sociedade, e não de grupos empresariais e de alguns
professores envolvidos com os negócios milionários que,
muitas vezes, afetam diretamente o fazer acadêmico”, defende
Solange.
A Coordenadora do GT Fundações também pondera que,
mesmo não tendo uma posição idêntica à
do ANDES, a intensificação do debate sobre os malefícios
das fundações privadas no âmbito da UNE é importante.
Outra questão
levantada por Solange é que, além de auditorias fiscal e
contábil dessas fundações, que se aterá unicamente
à aplicação dos recursos públicos geridos
por elas, como reivindicam a Fasubra Sindical e a UNE, se faça
também uma avaliação da atuação dessas
fundações privadas dentro das IES públicas. “O
governo deve dar todas as condições para que as universidades
cumpram o seu papel”.
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