Nº 46 - Brasília, 8 de abril de 2008
 

ANDES-SN
Eleição da nova diretoria reafirmará o projeto sindical, de universidade e de sociedade do Sindicato Nacional
Desafio da próxima gestão é manter a autonomia da entidade

Por Elizângela Araújo
ANDES-SN

Na próxima semana, os docentes filiados ao ANDES-SN elegerão a diretoria para o biênio 2008/10. A eleição, no entanto, significará bem mais do que a mera escolha dos próximos gestores da entidade, significará a reafirmação do projeto sindical, de universidade e de sociedade que o Sindicato Nacional defende desde sua fundação.

Mesmo com a disputa entre forças e projetos antagônicos se dando fora do processo eleitoral, para o presidente do Sindicato Nacional, Paulo Rizzo, esta será “uma das eleições mais disputadas da história da entidade, pois se dará entre os professores e os projetos do governo federal” (veja artigo).

Rizzo lembra que as pessoas que formam o Proifes e que por várias vezes tentaram se eleger dirigentes do Sindicato Nacional, hoje estão utilizando uma estratégia anti-democrática de disputar o espaço sindical por meio de conchavos com a CUT e o governo. Para ele, isso ficou ainda mais evidente durante o processo de negociação da pauta dos docentes com o governo, quando o Proifes, que não tem a representação da categoria, teve participação garantida nas discussões e, no final, “como num golpe orquestrado, assinou um termo de acordo que não tem validade legal e nem trouxe qualquer benefício por eles alardeado”.

Então, afirma o presidente do ANDES-SN, o fato de haver chapa única não significa que a disputa não existe. “Ela existe, mas a estratégia desse grupo que sempre se opôs ao projeto que o Sindicato Nacional sempre defendeu é o de desacreditar os meios democráticos, tentando passar para os professores a falsa idéia de que não lhes interessa obter a direção do Sindicato Nacional”.

Na opinião do sociólogo e professor da Unicamp Edmundo Fernandes Dias, um dos fundadores da antiga Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior – ANDES e, portanto, um dos mais expressivos militantes do Movimento Docente, o que está em jogo é a própria sobrevivência do sindicato. “Essa eleição reafirmará o projeto de sindicato que temos, portanto, será uma disputa com o governo, a CUT, o PCdoB etc., enfim, com todos os que vêm se posicionando do lado desse governo. Será uma eleição decisiva, que reafirmará que o ANDES-SN é o sindicato que realmente representa os professores”.

Ex-presidente do ANDES-SN, o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF Marcio Antônio Oliveira também acredita que o fato de haver chapa única significa que a tática dos que se opõem ao Sindicato Nacional e seu projeto é a do descrédito. “Tivemos uma fase de disputas acirradas, hoje, porém, a tática da oposição é a de tentar esvaziar o processo democrático, não participando da eleição como uma forma de desmerecê-la”. Ele enfatiza que há anos os docentes optaram por um processo eleitoral democrático, quando decidiram, no 1º Congresso, eleger diretamente a diretoria do sindicato.

Edmundo Dias lembra que os que hoje não participam do processo eleitoral democrático tentaram, várias vezes, obter a direção do Sindicato Nacional, mas somente uma vez foram eleitos. “Isso demonstra que eles não querem correr novamente o risco de perderem mais uma vez, no entanto, fazem a disputa de um modo que contraria tudo que um dia disseram defender, ou seja, um sindicalismo autônomo e independente, comprometido com um projeto de combate à privatização da universidade e dos serviços públicos essenciais, para citar somente o mínimo”.

O professor da Unicamp lembra que a maior parte das seções sindicais ligadas ao Proifes, que é o representante da CUT e do governo Lula dentro da universidade pública, nunca se submeteram às decisões de assembléias do Sindicato Nacional. Ele critica a ausência do debate público: “algumas delas fazem assembléias eletrônicas, atendendo à estratégia de cooptação do governo Lula, que é a de convencer os trabalhadores que não há mais necessidade do embate público, da mobilização e dos protestos por parte da classe trabalhadora. E essas “assembléias eletrônicas” não têm nenhum controle quanto à veracidade das informações que divulgam”.

Edmundo afirma que o ANDES-SN tem grande influência sobre o conjunto de funcionários públicos e até mesmo sobre a sociedade. “O fato de o Sindicato ter se desfiliado da CUT, por decisão de Congresso, foi um duro golpe para a central, que está buscando todas as formas de reverter essa situação, mesmo que enquanto filiado a essa central o ANDES-SN não tivesse o espaço necessário para colocar seu projeto”.

Desafios
“O maior desafio do ANDES-SN é manter-se vivo, independente, unificado, resistente às pressões que são fortes e insistem contra ele”, afirma Marcio Antônio. “Hoje, quem não toca na orquestra do governo é considerado inimigo público, então, nosso sindicato precisa ampliar sua atuação junto com outros sindicatos. Além disso, precisa convencer os professores de que no seu projeto coletivo há espaço para as realizações individuais, já que há, em todo o mundo, uma acentuação do processo de individualização, de meritocracia e competição acirrada”.

Edmundo Dias diz que o grande desafio da próxima gestão é continuar mantendo a autonomia do ANDES-SN, ”principalmente se colar essa história do terceiro mandato para Lula, que porá em risco o Sindicato”. Para ele, outro desafio é continuar a construir um projeto capaz de empolgar a sociedade, “o que já vem fazendo junto com a Conlutas”.

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