ANDES-SN Por
Elizângela Araújo Na próxima semana, os docentes filiados ao ANDES-SN elegerão a diretoria para o biênio 2008/10. A eleição, no entanto, significará bem mais do que a mera escolha dos próximos gestores da entidade, significará a reafirmação do projeto sindical, de universidade e de sociedade que o Sindicato Nacional defende desde sua fundação. Mesmo com a disputa entre forças e projetos antagônicos se dando fora do processo eleitoral, para o presidente do Sindicato Nacional, Paulo Rizzo, esta será “uma das eleições mais disputadas da história da entidade, pois se dará entre os professores e os projetos do governo federal” (veja artigo). Rizzo lembra que as pessoas que formam o Proifes e que por várias vezes tentaram se eleger dirigentes do Sindicato Nacional, hoje estão utilizando uma estratégia anti-democrática de disputar o espaço sindical por meio de conchavos com a CUT e o governo. Para ele, isso ficou ainda mais evidente durante o processo de negociação da pauta dos docentes com o governo, quando o Proifes, que não tem a representação da categoria, teve participação garantida nas discussões e, no final, “como num golpe orquestrado, assinou um termo de acordo que não tem validade legal e nem trouxe qualquer benefício por eles alardeado”. Então, afirma o presidente do ANDES-SN, o fato de haver chapa única não significa que a disputa não existe. “Ela existe, mas a estratégia desse grupo que sempre se opôs ao projeto que o Sindicato Nacional sempre defendeu é o de desacreditar os meios democráticos, tentando passar para os professores a falsa idéia de que não lhes interessa obter a direção do Sindicato Nacional”. Na opinião do sociólogo e professor da Unicamp Edmundo Fernandes Dias, um dos fundadores da antiga Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior – ANDES e, portanto, um dos mais expressivos militantes do Movimento Docente, o que está em jogo é a própria sobrevivência do sindicato. “Essa eleição reafirmará o projeto de sindicato que temos, portanto, será uma disputa com o governo, a CUT, o PCdoB etc., enfim, com todos os que vêm se posicionando do lado desse governo. Será uma eleição decisiva, que reafirmará que o ANDES-SN é o sindicato que realmente representa os professores”. Ex-presidente do ANDES-SN, o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF Marcio Antônio Oliveira também acredita que o fato de haver chapa única significa que a tática dos que se opõem ao Sindicato Nacional e seu projeto é a do descrédito. “Tivemos uma fase de disputas acirradas, hoje, porém, a tática da oposição é a de tentar esvaziar o processo democrático, não participando da eleição como uma forma de desmerecê-la”. Ele enfatiza que há anos os docentes optaram por um processo eleitoral democrático, quando decidiram, no 1º Congresso, eleger diretamente a diretoria do sindicato. Edmundo Dias lembra que os que hoje não participam do processo eleitoral democrático tentaram, várias vezes, obter a direção do Sindicato Nacional, mas somente uma vez foram eleitos. “Isso demonstra que eles não querem correr novamente o risco de perderem mais uma vez, no entanto, fazem a disputa de um modo que contraria tudo que um dia disseram defender, ou seja, um sindicalismo autônomo e independente, comprometido com um projeto de combate à privatização da universidade e dos serviços públicos essenciais, para citar somente o mínimo”. O professor da Unicamp lembra que a maior parte das seções sindicais ligadas ao Proifes, que é o representante da CUT e do governo Lula dentro da universidade pública, nunca se submeteram às decisões de assembléias do Sindicato Nacional. Ele critica a ausência do debate público: “algumas delas fazem assembléias eletrônicas, atendendo à estratégia de cooptação do governo Lula, que é a de convencer os trabalhadores que não há mais necessidade do embate público, da mobilização e dos protestos por parte da classe trabalhadora. E essas “assembléias eletrônicas” não têm nenhum controle quanto à veracidade das informações que divulgam”. Edmundo afirma que o ANDES-SN tem grande influência sobre o conjunto de funcionários públicos e até mesmo sobre a sociedade. “O fato de o Sindicato ter se desfiliado da CUT, por decisão de Congresso, foi um duro golpe para a central, que está buscando todas as formas de reverter essa situação, mesmo que enquanto filiado a essa central o ANDES-SN não tivesse o espaço necessário para colocar seu projeto”. Desafios Edmundo Dias diz que o grande desafio da próxima gestão é continuar mantendo a autonomia do ANDES-SN, ”principalmente se colar essa história do terceiro mandato para Lula, que porá em risco o Sindicato”. Para ele, outro desafio é continuar a construir um projeto capaz de empolgar a sociedade, “o que já vem fazendo junto com a Conlutas”. |