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MEIO
AMBIENTE
Entidades pedem apoio das presidências da Câmara e do Senado
contra projetos de destruição da Amazônia
Por
Najla Passos (foto e texto)
ANDES-SN

Ambientalistas, sindicalistas e representantes dos movimentos sociais
entregaram aos presidentes da Câmara e do Senado, na terça-feira
(6/5), um abaixo-assinado contra projetos, em tramitação
nas duas casas, que ameaçam a Floresta Amazônica, os direitos
das comunidades tradicionais e o próprio Código Florestal
Brasileiro.
O documento - assinado por mais de 300 entidades sociais, sindicais e
ambientais, além de personalidades do meio jurídico e científico
- pede, principalmente, a rejeição do projeto de lei 6.424/05,
de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB), da bancada ruralista do Pará,
e da Medida Provisória 422/08, que tramitam a toque de caixa nas
duas casas.
O projeto de lei 6.424/05, que tramita associado a outros, prevê
a redução da reserva legal na área de floresta amazônica
de 80% para 50%, permitindo a ocupação da área com
o plantio de eucalipto, grãos, agrocombustíveis e cana-de-açúcar,
além de anistiar madeireiros e agressores do meio-ambiente das
multas devidas. Por isso, foi apelidado de projeto "Floresta Zero".
"Hoje há um sentimento nacional de defesa da floresta, e o
Congresso está indo exatamente na contramão desse sentimento.
O Brasil tem a maior floresta tropical do planeta, a maior biodiversidade
do planeta e aqui tramitam projetos perigosamente contrários aos
valores socioambientais", afirmou o consultor do Greenpeace, João
Alfredo Mello.
Legalização da grilagem
Já a Medida Provisória 422/08 - conhecida como "Plano
de Aceleração da Grilagem", em referência ao
Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, do governo
federal - possibilita a legalização da grilagem da Amazônia.
A MP dispensa a licitação para a aquisição
das terras públicas na região (que são maioria) para
detentores de imóveis com até 1,5 mil hectares.
A Constituição Federal prevê dispensa de licitação
para propriedades de até 50 hectares e a Lei de Licitações,
que amplia para, no máximo, 500 hectares. A MP, portanto, vai premiar
os grandes fazendeiros que ocuparam ilegalmente as terras públicas,
terras que poderiam ser destinadas à reforma agrária e à
preservação ambiental.
Outras bandeiras
As entidades condenam também o Projeto de Emenda Constitucional
- PEC 49/2006 que, atendendo aos interesses das grandes multinacionais
do papel e celulose, busca reduzir a faixa de fronteira nacional de 150
para 50 Km, permitindo assim que empresas estrangeiras possam adquirir
ou legalizar terras na faixa de fronteira.
O abaixo-assinado critica também os Decretos Legislativos 44/2007
e 326/2007, que sustam os efeitos do Decreto 4.887/2003, aquele que previa
a regulamentação do processo de titularização
das terras quilombolas.
Incentivo ao debate
O presidente da Câmara dos Deputados, deputado Arlindo Chinaglia,
demonstrou interesse em defender à Floresta Amazônica, apelidando
o pacote de medidas de "Estatuto do Desmatamento". Chinaglia
se comprometeu a fomentar o debate sobre o tema na casa, através
da criação de uma comissão geral que vise levar as
discussões ao plenário.
O presidente do Senado, Garibaldi Alves, também foi simpático
ao pleito das entidades. "É impressionante o número
de entidades que assinam o abaixo-assinado", afirmou. Da mesma forma
que o presidente da Câmara, Garibaldi prometeu encaminhar o documento
a todos os líderes partidários.
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