PRIVATIZAÇÃO Najla Passos A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira (18/6), o Projeto de Lei Complementar 92/07, que autoriza o poder público a criar fundações estatais de direito privado. Essas fundações poderão atuar em áreas como saúde, educação, pesquisa, assistência social, cultura, desporto, ciência e tecnologia, meio-ambiente, previdência complementar do servidor público, comunicação social e promoção do turismo nacional. "Esse projeto materializa a privatização de setores estratégicos do Estado, como a educação e a saúde, incluindo aí os hospitais universitários. Libera completamente a atuação da iniciativa privada nesses setores, atendendo à lógica do mercado", denuncia a 1ª vice-presidente da Regional Leste do ANDES-SN e coordenadora do GT Fundações, Solange Bretas. Ela diz que é preciso ressaltar que o PL aprovado trata-se do substitutivo apresentado pelo deputado relator, Pedro Henry (PP-MT), cujo conteúdo é ainda pior do que o projeto original apresentado pelo Executivo. "O projeto original não incluía a educação e a pesquisa, embora a educação constasse na mensagem inicial do governo, e não detalhava tanto a abrangência da atuação da iniciativa privada nessas áreas", esclarece. Solange Bretas destaca ainda que apesar do projeto prever que as fundações estatais devam obedecer à Lei de Licitações, essa será mais uma "letra morta" na legislação brasileira. "A experiência demonstra que as entidades apoiadas pelas fundações privadas se utilizam dessas entidades justamente pela facilidade que elas têm de burlar a Lei de Licitações", justifica. O PL-92/07 também prevê que a contratação dos funcionários das fundações estatais se dê por meio de concurso público, embora se concretizem pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, de forma que as entidades públicas atendidas por elas terão carreiras diferenciadas, já que seus funcionários obedecem ao Regime Jurídico Único - RJU. Polêmica instaurada A representante da Federação de Sindicatos de Trabalhadores de Universidades Brasileiras - FASUBRA, Fátima dos Reis, lembrou que esse debate é recorrente há Racha no governo "O projeto desobriga o Estado em relação a algumas de suas mais relevantes funções. Precisamos é remontar o Estado brasileiro, esfacelado pelos governos neoliberais, e não criar soluções paliativas", afirmou a deputada Alice Portugal. Já o representante do MEC defendeu que a função dos hospitais universitários não é mercadológica. Segundo ele, os HU são unidades estratégicas para o país, na medida que, além de prestarem serviços relevantes à população, garantem a formação dos profissionais de 14 diferentes áreas da saúde. Na ocasião, o deputado Pedro Henry declarou que aceitaria discutir melhor o projeto Ideário neoliberal De acordo com o secretário-geral do ANDES-SN, Luiz Henrique Schuch, Gaetani é considerado uma espécie de "ministro Bresser Pereira" do staff de Lula, ou seja, um dos principais ideólogos neoliberais do atual governo. "Por isso, sua entrevista é tão esclarecedora sobre as reais intenções do governo", diz Schuch. Sem economizar nas palavras e sem prever a forte oposição que o projeto teria por parte da sociedade organizada, Gaetani chegou a afirmar que "o direito privado permite maior capacidade de adaptação das organizações públicas ao dinamismo da realidade e do mercado de trabalho", deixando claro o viés privatizante contido na proposta. O secretário de Gestão disse ainda, questionado como se dará a captação de recursos para o funcionamento das fundações estatais, que "essas instituições não farão parte do orçamento da União". Tramitação |