53º CONAD Elizângela Araújo A ameaça à liberdade de organização sindical deu o tom dos debates do primeiro dia do 53° CONAD. Tanto o ex-presidente Paulo Rizzo, quanto o presidente recém empossado Ciro Correia destacaram, na plenária de abertura, a perseguição que o ANDES-SN vem sofrendo por parte do governo e as reações do Sindicato Nacional frente à ameaça da cassação do direito de livre organização dos docentes. Além dos dirigentes do ANDES-SN, também participaram da mesa de abertura o coordenador da Conlutas Atinágoras Lopes; Ricardo Eugênio Ferreira, representante do SINASEFE; Adriano Castorino, representante do SINTAD; o reitor da UFT, Allan Kardec Martins Barbiero, que também representou a Andifes; e João Araújo Lima Júnior, secretário adjunto de Ciência e Tecnologia do Tocantins, representando o governador do estado. Liberdade de organização sindical X unicidade sindical O Sindicato reagiu e saiu vencedor perante a 1ª Seção do STJ. Mais tarde, essa vitória foi confirmada pelo STF, que reconheceu a validade do registro sindical. No entanto, nos últimos anos, o Ministério do Trabalho tem baixado, constantemente, novas regulamentações para a efetivação do registro sindical, muitas delas exigindo recredenciamento. Por pressão política e sob o argumento da unicidade sindical, a Secretaria do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE passou a criar dificuldades para o ANDES-SN, que somente em 13 de julho de 2003 obteria, novamente, seu registro sindical, suspenso outra vez em dezembro do mesmo ano. A Assessoria Jurídica Nacional – AJN impetrou mandado de segurança, obtendo liminar favorável em fevereiro de 2004, porém, em junho do mesmo ano, novamente foi suspenso. Hoje, o processo tramita no Tribunal Superior do Trabalho – TST e não há expectativa de julgamento. Interpretações divergentes Disputa pela base docente Na última tentativa de conciliação promovida pelo MTE, em setembro de 2007, o secretário adjunto que coordenou a reunião lembrou que o ANDES-SN teve representação acolhida pela Organização Internacional do Trabalho – OIT relativa a práticas anti-sindicais nas instituições particulares. Esse mesmo funcionário é responsável por fazer a defesa do governo na OIT. Ele argumentou, ainda, que não acredita que o Legislativo decida pôr fim à unicidade sindical em curto ou médio prazo, e que o seu papel como mediador é estimular as entidades que tèm conflito de base a recuarem ou aceitarem ficar sem o registro, apoiando-se apenas em sua legitimidade. |