1º CONGRESSO DA CONLUTAS Najla Passos A difícil tarefa de reorganizar a classe trabalhadora brasileira e assegurar sua autonomia e sua independência de classe para enfrentar os grandes desafios impostos pela conjuntura atual e pela crise econômica mundial que se anuncia esteve no centro dos debates que mobilizaram as 3,5 mil pessoas que participaram do 1º Congresso Nacional da Conlutas, realizado de 3 a 6 de julho, em Betim (MG). "Nós precisamos avançar na construção de um tipo de organização que nunca houve no Brasil. Uma organização que una todos os explorados e oprimidos, não só em torno de suas demandas imediatas, mas também com o intuito de mudar o país, de mudar o mundo, de fazer uma verdadeira revolução socialista", afirmou o coordenador da Conlutas, José Maria de Almeida, em entrevista logo após a abertura do evento. Foram 2,8 mil delegados inscritos com direito a voto, representando 500 entidades e 175 sindicatos, sem contar os observadores e o pessoal de apoio. O Congresso consagrou a estrutura organizativa inovadora da Conlutas como central sindical, popular e estudantil desenhada desde o início para abarcar todos os setores em que se acha hoje fragmentada a classe trabalhadora brasileira. Grandes polêmicas "As formas dos trabalhadores se organizarem mudaram bastante, em função do desemprego e do mercado informal. E os sindicatos tradicionais ainda não encontraram formas de agregar os trabalhadores que não se encontram com a carteira assinada. Por isso, é importante concentrar na Conlutas os movimentos populares urbanos que organizam as pessoas, por exemplo, pela moradia", defendeu o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto – MTST, Guilherme Castro Boulos. A coordenadora da Central de Lutas dos Estudantes – CONLUTE, Camila Lisboa, também fez uma defesa apaixonada da ampliação da participação dos estudantes na nova central. Saiu vitoriosa quando a plenária aprovou, na mais polêmica e apertada votação do congresso, a fixação do percentual de 10% para participação dos estudantes nas plenárias da central, conforme ela havia proposto. Ao final da plenária de encerramento, ficou aprovado o caráter sindical, popular e estudantil da Conlutas, que continuará a representar movimentos estudantis, sindicais, agrários e populares. Também ficou aprovado seu caráter político, como uma coordenação combativa, classista e cujo objetivo estratégico é a unificação das lutas dos trabalhadores na perspectiva da construção de uma sociedade socialista. Autonomia em relação aos partidos Para as eleições de outubro, a plenária indicou que os trabalhadores façam uma opção de classe e votem em candidatos identificados com a luta dos trabalhadores e com os partidos que atuam no campo da classe trabalhadora. A mesma resolução reafirma, estrategicamente, o primado político da organização pela base e da ação direta dos trabalhadores sobre a ação institucional e as eleições burguesas. Unificação com a Intersindical A proposta foi aprovada, apesar das dificuldades políticas em materializá-la, que foram apenas acentuadas quando algumas das principais correntes políticas que militam no PSOL (MES e MTL) decidiram abandonar a Conlutas às vésperas de seu 1º Congresso. A plenária do Congresso, acolhendo proposta trazida por representantes da Intersindical, aprovou a indicação de que a Conlutas e a Intersindical articulem-se na Frente Nacional de Mobilização para fazer avançar, de forma unificada, as lutas da classe trabalhadora. Contra a alta dos alimentos "A alta dos alimentos recoloca a reforma agrária como importante pauta de discussão no país. E é uma pauta capaz de unificar todos os setores de luta da classe trabalhadora", propôs o coordenador do Grupo de Trabalho sobre Reforma Agrária da Conlutas, Zelito Silva, integrante do Movimento Terra e Liberdade - Democrático e Independente (MTL-DI). Bandeiras internacionais As principais delas passam pela exigência da saída das tropas brasileiras do Haiti, assim como das tropas imperialistas do Iraque, do Afeganistão e a saída de Israel da Palestina. Os delegados aprovaram também a luta pela legalização dos imigrantes em todo o mundo. |