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  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN


Data: 26/03/2014

Repressão marca terça-feira (25) na Universidade Federal de Santa Catarina

Cenas de repressão policial que remontam a tempos sombrios e autoritários marcaram a tarde de terça-feira (25) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Policiais federais sem qualquer identificação passaram a abordar estudantes e a revistar suas mochilas, prendendo um estudante por porte de maconha - ainda a ser melhor esclarecido - e levando-o arrastado até um carro da segurança da universidade. Após a comunidade acadêmica tentar negociar a liberação do estudante, o delegado responsável chamou a Tropa de Choque e ordenou a ação, que feriu e deteve manifestantes - transformando o campus da UFSC em praça de guerra.

A repressão iniciou quando estudantes avisaram professores e técnico-administrativos da tentativa de detenção. A assembleia docente, a reunião do comando de greve dos técnico-administrativos em educação com a Reitoria e a reunião do Conselho do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) – que ocorriam concomitantemente - foram interrompidas para que seus participantes buscassem interceder junto à Polícia Federal (PF) e impedir a repressão. Mas, ao contrário de diálogo, o que se viu foi mais violência. Mesmo com tentativas de negociação e intercedência de várias autoridades das esferas públicas municipal, estadual e federal, a Tropa de Choque da Polícia Militar foi acionada para entrar no campus da UFSC.


Em frente ao Núcleo de Desenvolvimento Infantil - onde crianças preparavam-se para sair do prédio - foram usadas bombas de gás, cães, balas de borracha e cassetetes. Diversos professores, técnico-administrativos e estudantes foram agredidos. O professor Paulo Pinheiro Machado, diretor do CFH, foi atingido por spray de pimenta enquanto tentava negociar com a PF. Três estudantes e um morador da região foram detidos e documentos de professores e técnico-administrativos foram apreendidos. Segundo o professor Mauro Titton, presidente da Seção Sindical do ANDES-SN na UFSC, os feridos na manifestação foram levados a um hospital, e advogados acompanharam os manifestantes que tentavam fazer exame de corpo de delito e registrar boletim de ocorrência contra a violência policial. “Fomos muito mal recebidos e os estudantes sofreram intimidação, mas com a intervenção dos advogados conseguimos fazer o registro de BO” disse Titton. Para Mauro Titton a ação policial foi destemperada e afrontou a legalidade, além de violentar a autonomia universitária prevista no artigo 207 da Constituição Federal. Alguns manifestantes se mantiveram no campus e ocupam, desde o final da tarde de terça, a Reitoria da universidade, em um movimento autodenominado Levante do Bosque.


Em protesto contra a repressão policial, docentes, técnico-administrativos e estudantes convocaram a paralisação das atividades da UFSC na quarta-feira, e a realização de uma Assembleia da Comunidade Universitária para o mesmo dia. Também estão sendo realizadas atividades sobre a repressão policial durante todo o dia, na Reitoria da universidade. O ANDES-SN encaminhou uma carta ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, exigindo a imediata apuração dos fatos e a consequente punição dos responsáveis pela operação (leia o documento na íntegra aqui).

Universidade Federal de Campina Grande


As cenas vistas na UFSC não foram as primeiras de repressão dentro de uma universidade no mês de março. No dia 18, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), seguranças particulares e as Polícias Militar e Federal reprimiram manifestantes que lutavam contra a adesão dos dois Hospitais Universitários da universidade à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). “A intervenção de seguranças armados e sem identificação, agredindo e ameaçando estudantes, assim como a solicitação das polícias militar e federal por parte da reitoria, mostram o grau de truculência e autoritarismo da administração” afirmou Jose Irelanio Leite de Ataide, diretor-presidente da Associação dos Docentes da UFCG (ADUFCG). Apesar da repressão, a manifestação foi vitoriosa e mais uma vez a UFCG não aderiu à EBSERH.

*Com informações da Seção Sindical do ANDES-SN na UFSC e da ADUFC.
Fotos: Helio Rodak de Quadros Junior e Reprodução.


Fonte: ANDES-SN


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5 comentários | 3960 visualizações | 12 avaliações

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ZETIS PINHEIRO
31/03/2014
Id: 12419
Inadmissível uma situação dessa nos tempos de hoje .... Só nos resta esperança por dias melhores ...

ED
28/03/2014
Id: 12414
Sou filiado e fico indignado ao ler esta reportagem que parece ignorar o fato de que os policiais estavam fazendo o seu trabalho. A reportagem parece defender que não haja qualquer repreensão ao TRÁFICO e uso de drogas nas universidades. Fui aluno da UFSC e sei que lá há MUITA maconha e outras...

FILIPE LOPES
27/03/2014
Id: 12410
Um cenário ridículo causado pela PF e PM que não souberam como conduzir a situação. Utilizar spray de pimenta, tonfa, bomba de efeito moral e munição de borracha em universitários e professores federais é um absurdo. Os responsáveis devem ser identificados e punidos severamente pelo abuso.

MACIO BENTO BEZERRA
27/03/2014
Id: 12409
A MOBILIZAÇÃO FEITA PELOS ESTUDANTES DA UFCG, INFELIZMENTE, NÃO SERVIU DE NADA, POIS O MAGNIFICO REITOR EDILSON ASSINOU A ADESÃO A EBSERH NA TARDE DE ONTEM, DIA 26/03, DESRESPEITANDO A DECISÃO DO COLEGIADO PLENO DA UNIVERSIDADE.

GERSONCRUZ
27/03/2014
Id: 12408
Não sou a favor da truculência, mas universidade não deve ser território livre para comércio e uso de drogas. O governo rouba, escraviza, aliena e os estudantes aceitam isso..só não pode mexer na maconha? Universidade não é para fumar maconha...isso já é feito e muito bem feito aqui fora.