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  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN


Data: 04/11/2014

Docentes sofrem processo administrativo devido a performance na UFF

Envolvidos no caso receberam os processos administrativos disciplinares no dia 31 de outubro. Docentes repudiam punições ao evento performático 

Dois professores do Pólo Universitário de Rio das Ostras (Pura), da Universidade Federal Fluminense (UFF), receberam na última sexta-feira (31) os processos administrativos disciplinares (PAD) em decorrência do evento performático "Xereca Satânica", ocorrido no dia 28 de maio de 2014, no encerramento do “II Seminário sobre Corpo e Resistência” realizado no Pura. Jorge Vasconcellos, coordenador do projeto de pesquisa, e Ramiro Dulcich, diretor do Instituto de Humanidades e Saúde da UFF são alvos de sindicância instaurada pela reitoria, após a repercussão do evento na internet e na imprensa.

Organizado por um grupo de pesquisa cadastrado no CNPq, vinculado ao Departamento de Artes e Estudos Culturais (DAE), um dois cinco departamentos que compõem o Instituto de Humanidades e Saúde (RHS), o evento causou polêmica após a divulgação na internet de fotos de uma aluna que teve sua vagina costurada em uma performance no encerramento do seminário. O grupo foi acusado de estar realizando um “ritual satânico” nas dependências da instituição e ter cometido o crime de atentado ao pudor.

O ato performático tinha o intuito de questionar a liberdade ao próprio corpo e denunciar os estupros na região. Ramiro Dulcich explicou que o crescimento populacional, nos últimos anos, vinculado à exploração de petróleo no município foi desproporcional ao investimento em infraestrutura e segurança. “Temos um alto índice de estupros em Rio das Ostras. No ano passado, nos meses de setembro e outubro, ocorria um caso de estrupo a cada dois dias. A performance "Xereca Satânica" tinha o objetivo de denunciar esses casos e outras formas de violência à mulher na cidade”.

Perseguição

Após a repercussão do caso, a reitoria instaurou uma Comissão de Sindicância interna. O parecer final da comissão, divulgado em 1° de agosto, encaminhou a abertura de dois PAD: um contra os professores e outro contra os estudantes que participaram do evento. “Ao invés de abrir o diálogo, a reitoria assumiu o discurso da imprensa, abriu uma sindicância e nos tratou como criminosos”, afirmou Dulcich.

O professor disse ter ficado surpreso com a postura da reitoria e suspeita que talvez este caso “esteja sendo utilizado com outros fins”. “Nós apoiamos a greve dos servidores, reivindicamos as condições de trabalho: falta infraestrutura, aula em contêiner, entre outros”, ressaltou

O  diretor do Instituto de Humanidades e Saúde da UFF criticou o fato da instituição ter sido influenciada pela mídia que, segundo ele, agiu de forma sensacionalista. “O papel da administração foi limitado. Não ocorreu diálogo conosco. A UFF comprou o discurso, forneceu na página da universidade um canal de Ouvidoria para receber qualquer denúncia anônima sobre o caso, e criou uma Comissão de Sindicância interna, que deu um parecer muito ruim”. Ramiro Dulcich chamou a atenção para o fato de o professor que presidiu a sindicância ser o mesmo que fez o relatório final dos processos administrativos. No caso, o professor Sérgio Mendonça.

Nota de repúdio 

Representantes das seções sindicais do ANDES-SN, reunidos no Setor das Instituições Federais de Ensino Superior do Sindicato Nacional (Ifes) no último dia 25 de outubro,  manifestaram repúdio às punições e medidas disciplinares adotadas pela reitoria UFF. De acordo com a moção divulgada, a abertura de um processo administrativo disciplinar caracteriza uma “concepção policialesca, criminalizadora de expressões artísticas contra-hegemônica e despolitizadora do papel social da gestão nesta universidade”. Confira aqui.



Fonte: ANDES-SN


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