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  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN


Data: 14/12/2016

Por todo o Brasil, manifestantes vão às ruas em protesto à aprovação da PEC 55

O dia 13 de dezembro de 2016, terça-feira, foi marcado por diversas manifestações em todo o Brasil contra Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55/16, que congela gastos públicos por 20 anos; a Medida Provisória (MP) 746/16, que instaura a contrarreforma do Ensino Médio; e a contrarreforma da Previdência. No Senado Federal uma manobra parlamentar antecipou a votação da PEC 55, que seria votada no meio da tarde. De forma rápida, os senadores aprovaram a medida por 53 votos favoráveis a 16 contrários, antes das 14h.

Em pelo menos 16 capitais, no Distrito Federal e em diversas cidades do país, os docentes foram às ruas, em conjunto com estudantes, técnico-administrativos e servidores de várias categorias para protestar contra um dos maiores retrocessos que o país já teve. Atos, bloqueios de avenidas, ocupações foram algumas das ações feitas pela população durante todo o dia.

“Depois do dia 29, quando fomos duramente reprimidos, se evidenciou a nossa disposição - dos professores, estudantes e outras categorias - de resistir aos retrocessos que estão sendo impostos. Então, o dia 13 foi considerado por nós mais um passo à frente nesse processo de mobilização que estamos realizando nesse último período. Nesse sentindo, as mobilizações que aconteceram nos estados, como indicado nacionalmente, foram muito positivas. Em dezenas de cidades ocorreram atos, em alguns com ações mais contundentes, como o travamento de vias”, comentou Eblin Farage, presidente do ANDES-SN.

Confira algumas mobilizações:

Brasília (DF) novamente foi palco de repressão policial. Assim como no dia 29 de novembro, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) reprimiu com brutalidade a manifestação de trabalhadores e estudantes na Esplanada dos Ministérios. A PM do DF impediu que a manifestação saísse da concentração, em frente ao Museu da República e seguisse sentido ao Congresso Nacional.  O carro de som, que havia sido autorizado pelo Governo do DF, não teve acesso liberado à área.

Após diversas tentativas de negociação com a força policial, quando o ato tentou prosseguir na Esplanada, mais de três mil pessoas, entre docentes do Comando Nacional de Greve do ANDES-SN, de instituições federais e estaduais de ensino, estudantes, técnico-administrativos em educação, servidores de diversas categorias e movimentos populares foram atacados com bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e cassetetes. Ao final do ato, mais de 70 pessoas tinham sido detidas, e em sua maioria estudantes. A CSP-Conlutas, central à qual o ANDES-SN é filiado, emitiu uma nota de repúdio à repressão aos manifestantes que protestavam contra a PEC 55 em Brasília. Leia aqui.

Em Porto Alegre (RS), estudantes bloquearam a Avenida Bento Gonçalves, no sentido bairro-Centro na manhã de terça, em frente à Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mais protestos ocorreram em outros pontos da capital gaúcha, com milhares de pessoas nas ruas da cidade para manifestar contra a aprovação da PEC 55. A manifestação foi duramente reprimida pela Brigada Militar, que não deixou a passeata chegar ao Piratini, ainda sim o ato resistiu e seguiu ao Largo do Zumbi, onde novamente foi atacado pela polícia. Em Pelotas, docentes realizaram ato em conjunto com demais categorias e o movimento estudantil, no largo do Mercado Público. Em Santa Maria, a população também foi às ruas contra a PEC 55.  

Em Curitiba (PR), o ato iniciou a noite na Praça 19 de Dezembro e seguiu pelas ruas da cidade. Centenas de participantes levavam cartazes e faixas com dizeres contrários ao governo do presidente Michel Temer. Em Florianópolis (SC), também houve ato contra a PEC 55, que percorreu as principais vias da cidade.  O ato unificado contou com a presença das centrais sindicais, do Fórum Catarinense em defesa do serviço público, movimentos estudantis e movimentos populares.

Já em São Paulo, uma das principais avenidas da zona Sul de São Paulo, a Teotônio Vilela, foi bloqueada das 6h30 às 8h30 por manifestantes de movimentos populares. A noite, um grupo de manifestantes ocupou o prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista, área central da cidade. Eles lançaram rojões e fogos de artifício na entrada do edifício, que estava fechado quando ocorreu a ação. Um dos diretores da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o empresário Laodse de Abreu Duarte, é o maior devedor da União no país entre as pessoas físicas: R$6,9 bilhões.

No Rio de Janeiro, diversos setores dos movimentos sindical, estudantil e popular realizaram ato conjunto na área central da cidade contra a PEC 55 e a ‘reforma’ da Previdência. Os manifestantes se concentraram na Candelária e percorreram a avenida Rio Branco em marcha

Em Minas Gerais, trabalhadores e estudantes da região realizaram uma paralisação na BR-040, na cidade de Congonhas. O trancamento da rodovia fez parte das mobilizações que ocorreram durante todo o dia contra a votação da PEC 55, que diminui investimentos em saúde e educação para destinar mais dinheiro para os banqueiros no estado. No final do dia, docentes, estudantes, técnico-administrativos e servidores de diversas categorias realizaram ato conjunto na praça central em Belo Horizonte.

Na Bahia, pela manhã, docentes da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) panfletaram no campus I contra a PEC 55 e todos os projetos do governo Temer que atingem a população e convocaram a comunidade acadêmica ao ato de tarde na Praça do Campo Grande, centro de Salvador. Os manifestantes ocuparam a pista em frente ao local e seguiu em caminhada. Com instrumentos percussivos e cartazes, os manifestantes passaram pelas principais avenidas da cidades e terminaram a passeata no início da noite em frente ao Fórum Ruy Barbosa. Em Vitória da Conquista, Feira de Santana e Ilhéus, representantes das comunidades acadêmicas da Uesb, Uefs e Uesc realizaram atividades para marcar a luta contra a PEC 55.

A cidade de Recife (PE) presenciou a revolta dos estudantes contra a PEC 55. Pela manhã, manifestantes – entre estudantes, movimentos sociais e centrais sindicais -, bloquearam o cruzamento das Avenidas Norte e Cruz Cabugá, no centro da cidade e com faixas contra o governo do presidente Michel Temer. No final da tarde, outra manifestação foi realizada e contou com a participação de mais de mil pessoas. O protesto acabou sob tiros da polícia militar. Em Fortaleza (CE), foi realizado um ato unificado com a participação de docentes das universidades Estaduais e Federal, estudantes, técnico-administrativos e demais setores dos movimentos sindicais e sociais.

Já na capital do Piauí, Teresina, trabalhadores de diversas categorias do serviço público e representantes do movimento estudantil se reuniram na Avenida Frei Serafim, no ato #OcupaTeresina em protesto contra a aprovação da PEC 55. Em Belém (PA), professores, técnico-administrativos em educação e estudantes da Universidade Federal do Pará protestaram contra os senadores Jader Barbalho (PMDB) e Flexa Ribeiro (PSDB), que votaram a favor da PEC 55, no primeiro turno no Senado. O ato ocorreu em frente à Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA), grupo que pertence a família Barbalho. Mais de 150 pessoas participaram da manifestação com palavras de ordem, panfletagem e fechamento de uma das pistas da Almirante Barroso por alguns minutos, de forma a paralisar o trânsito e atrair a atenção da sociedade.

 

Imagens de CSP-Conlutas, ANDES-SN, Sul21 e Sinasefe IFMG.

 


Fonte: ANDES-SN


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