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  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN


Data: 29/08/2017

29 de agosto marca o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica
 

29 de agosto é o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A data foi criada por ativistas lésbicas brasileiras em 29 de agosto de 1996 durante o 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), como um marco na luta de mulheres brasileiras que têm seus direitos violados diariamente por sua orientação sexual. De acordo com o balanço divulgado pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, dos mais de 130 mil casos de violações de direitos humanos denunciados em 2015, 23% das vítimas eram gays, 12% travestis, 10% lésbicas, 9% transexuais e 2% bissexuais.
 
Caroline de Araújo Lima, 1° vice-presidente da Regional Nordeste III e uma das coordenadoras do Grupo de Trabalho de Política de Classe para as questões Etnicorraciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do ANDES-SN, afirma que a data é uma grande vitória para as lésbicas tanto pelas conquistas de direitos alcançadas quanto pela luta travada diariamente contra a lesbofobia. “Infelizmente, a violência contra as lésbicas ainda é uma constante. Pesquisas revelam que lésbicas sofrem com o ‘estupro corretivo’, principalmente por seus familiares, como forma de puni-las e com a intenção de ‘mudar’ sua orientação sexual, além da violência sofrida nas ruas por causa de manifestação pública de afeto. É  importante denunciar também as várias violências que as lésbicas têm sofrido também nas instituições de ensino superior”, disse.  A diretora do ANDES-SN chama a atenção para um agravante: quando a mulher lésbica é negra a probabilidade de sofrer violência é ainda maior.
 
Combate a lesbofobia e outras formas de opressão
A realidade das mulheres lésbicas, sua invisibilidade na sociedade e a opressão enfrentada em diferentes espaços de convívio, inclusive o acadêmico e sindical, foi abordada durante II Seminário Nacional de Diversidade Sexual do ANDES-SN, que aconteceu sexta-feira (25). O evento integrou o Seminário Nacional Integrado do Grupo de Trabalho de Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), realizado na última semana (24 a 26 de agosto), na cidade de Pelotas (RS). Compuseram também o Seminário Integrado do GTPCEGDS o III Seminário Nacional de Mulheres e o II Seminário de Reparação e Ações Afirmativas.

Uma das palestrantes da mesa “Políticas Públicas para a população LGBT e o combate a LGBTfobia nas Instituições de Ensino Superior”, Qelli Rocha, professora da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), abriu os debates com um depoimento forte sobre a realidade das mulheres lésbicas e a invisibilidade dessa parcela da população na sociedade, inclusive frente às políticas públicas essenciais, como assistência de saúde preventiva. “A matriz heterossexista nos apaga de um campo médico da saúde preventiva, por exemplo, porque a gente não existe, porque a gente não faz sexo, ou não deveria fazer. Porque toda relação sexual é pensada a partir da heteronormatividade”, afirmou.

Ela contou da sua experiência na universidade e da perseguição que vem sofrendo, na instituição, por debater as questões LGBT na instituição e por montar um grupo de estudos sobre Gênero e Representatividade de Classe. Isso reforça ainda mais a necessidade de se avançar no debate, junto aos docentes, do combate à LGBTfobia, inclusive para que professores e professoras saibam lidar com as opressões sofridas por seus pares e pelos demais segmentos da comunidade acadêmica.

“Constituir no campo da Universidade, políticas de representação que atendam as demandas particulares desse segmento [mulheres lésbicas], na minha defesa, é estabelecer políticas de representação que, para além de ter como finalidade última a própria manutenção do segmento que ascendeu àquele espaço, propiciem a evidenciação do conflito e da contradição daquele sujeito no processo de ruptura com aquela norma, no caso, com a heteronormatividade compulsória”, disse Qelli. Confira aqui a matéria sobre o II Seminário de Diversidade Sexual do ANDE-SN.

Ainda, com o intuito de ampliar a visibilidade das demandas, não apenas da população lésbica, como a de toda a comunidade LGBT, das mulheres, dos negros e negras e da população indígena, o ANDES-SN reeditou a cartilha “Contra todas as formas de assédio, em defesa dos direitos das mulheres, das/os indígenas, das/os negros, dos LGBTs", lançada durante o 62º Conad do Sindicato Nacional, no mês de julho, em Niterói (RJ).


Fonte: ANDES-SN


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