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  Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN


Data: 04/09/2017

Chilenos realizam novo protesto contra o sistema de previdência privada do país

Milhares de chilenos foram às ruas em todo o país, nesse domingo (3), em mais um protesto contra o sistema de previdência privado do Chile, conhecido como AFP (Administradoras de Fundos de Pensão). Esse foi o terceiro grande protesto nacional realizado em 2017. Os manifestantes reivindicam um novo sistema de seguridade social por repartição e repudiaram uma lei apresentada pelo governo chileno que pouco altera o modelo atual.

 “Nós temos certeza que a mensagem não foi entendida pelo governo. O que os cidadãos desse país disseram muito claramente é não mais AFP! Nós queremos acabar com o lucro e o negócio dos administradores de fundos de pensão e reestabelecer no Chile um sistema de seguridade social que ofereça aposentadorias e pensões decentes”, disse Carolina Espinoza, representante do movimento Não+AFP, que organizou a manifestação, explicando que as mudanças apresentadas pelo Executivo do país, entre as quais um adicional de 5% a ser repassado ao órgão de administração estatal não é a solução que os chilenos estão cobrando.

De acordo com outro representante do No+AFP, Luis Messina, a situação precisa ser levada a sério e que os protestos contra a AFP são ainda mais necessários do que no passado. “O fato de o governo ter mantido o dinheiro dos trabalhadores a serviço de grandes grupos econômicos é a prova concreta de que as instituições do Estado não podem resolver o problema das pensões chilenas. Nós precisamos nos unir por que as mudanças só virão das mãos dos trabalhadores a medida que nos fortalecermos e lutarmos por elas”, disse.

Previdência chilena
Desde 1981, a Previdência chilena funciona por meio de uma conta de contribuições forçadas, com trabalhadores destinando 10% de seus salários para as Administradoras de Fundos de Pensão, que funcionam de maneira similar aos fundos de pensão brasileiros, como o Funpresp. Quando se aposentam, os trabalhadores chilenos recebem aposentadorias menores do que os valores investidos ao longo dos anos.

As AFP administram mais de 150 milhões de dólares provenientes dos salários dos trabalhadores, e utilizam essa quantia para investir em empresas ou em ações na bolsa de valores. As perdas dessas operações são socializadas entre os trabalhadores, o que faz com que muitos tenham que seguir trabalhando após a aposentadoria.

Em janeiro de 2017, o jornal El Desconcierto denunciou que as AFP investiram mais de 120 milhões de dólares (mais de R$ 380 milhões) nos últimos dez anos em operações financeiras ilegais. A maioria desse dinheiro foi investida em ações de alto risco, proibidas pela legislação previdenciária chilena. As AFP administram anualmente no Chile um valor semelhante à soma dos Produtos Internos Brutos (PIB) de Jamaica, Paraguai, Honduras, Bolívia, Eslovênia e Montenegro.


Manifestantes são reprimidos na Argentina
As ruas de Buenos Aires (foto ao lado) foram tomadas por centenas de milhares de manifestantes na última sexta-feira (1), em um protesto que exigiu o aparecimento, com vida, do ativista Santiago Maldonado, visto pela última vez em um ataque policial na província de Chubut, em uma manifestação mapuche, no dia 1 de agosto.

A manifestação foi reprimida pela força policial do governo Macri. Além de 23 participantes da manifestação, cerca de 10 correspondentes de meios de comunicação foram detidos durante a repressão ao ato, que deixou ainda 20 pessoas feridas.

Leia também:
Entrevista: Chilenos lutam pelo retorno da Previdência Pública

*com informações da TeleSur e fotos do movimento No+AFP e Esquerda Diário


Fonte: ANDES-SN


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