No Paraná, protesto marca os 4 anos do Massacre do Centro Cívico

Publicado em 30 de Abril de 2019 às 17h50

Mais de 10 mil servidores públicos estaduais paranaenses protestaram na segunda-feira (29) contra o Massacre do Centro Cívico, ocorrido em 2015, em Curitiba (PR). O dia 29 de abril marca os quatro anos do episódio que deixou mais de 200 pessoas feridas. Os docentes das universidades estaduais públicas do Paraná paralisaram as suas atividades para marchar com os demais servidores pelas ruas da capital curitibana até o Centro Cívico.

Dez mil pessoas saíram às ruas de Curitiba para protestar

No dia 29 de abril de 2015, servidores públicos acompanhavam do lado de fora da assembleia legislativa a votação de um projeto que alterava o custeio da Paraná Previdência (Regime próprio da Previdência Social dos servidores paranaenses). Sob ordens do então governador Beto Richa (PSDB), policias militares atacaram os manifestantes com bombas, balas de borracha, cachorros, gás de pimenta.

“O 29 de abril de 2015 foi um marco no estado. Também marcou o rompimento da relação entre o governador e os servidores públicos estaduais. Infelizmente, ninguém foi punido pelo massacre, o que só aumenta mais a revolta e a indignação com o tratamento que os servidores receberam do governo Richa”, ressalta Edmilson da Silva, presidente da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Professora foge da repressão policial durante o Massacre do Centro Cívico

Além de denunciar o episódio, os servidores reivindicaram no ato desta segunda (29) a reposição de 16,24% de perdas da inflação sobre os salários. Eles se posicionaram, ainda, contra a reforma da Previdência, do governo Bolsonaro.

Silvana Rocha, 1ª vice-presidente da Regional Sul do ANDES-SN, avalia positivamente a ampla participação na manifestação. “Além do ato em Curitiba, houve manifestações e panfletagens em várias cidades do interior. Segundo a APP Sindicato, que representa os professores da rede básica estadual, 80% das escolas do estado aderiram à paralisação”, comenta.

Ela lembra, ainda, que os servidores estaduais paranaenses protestam contra a truculência policial também em 30 de agosto. Nessa data, em 1988, o governo de Álvaro Dias também reprimiu violentamente uma manifestação.

Comissão

No meio da manhã, representantes dos servidores públicos se reuniram com líderes do governo para debater o congelamento do reajuste salarial das categorias. Foi a primeira reunião do sindicato dos servidores públicos do estado com o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD). Uma comissão será formada por cinco representantes do sindicato, cinco do Executivo e dois deputados. Eles terão um prazo de 15 dias para apresentar uma proposta que seja consensual.

“Completamos, nesse mês, 40 meses sem reposição inflacionária nos salários, chegando a quase 17% de perdas. Queremos uma proposta que consiga romper com esse calote que vem ocorrendo há mais de três anos e esperamos que esse atual governo não repita os erros do governo passado e trate com mais respeito os servidores públicos do Paraná”, disse o presidente da Sesduem-SSind.

Imagens de APP Sindicato.

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