Protestos de 11 e 12/2 impulsionam novas mobilizações em 1º de abrilManifestações marcaram os dias 11 e 12 de fevereiro nas principais capitais do país. Nos protestos de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre - além da manifestação organizada pelo ANDES-SN em Pelotas -, o mote foi a denúncia das demissões que vêm ocorrendo e as tentativas patronais de redução de salários e direitos.
Uma medida por estabilidade no emprego durante a crise foi reivindicada ao governo Lula "que vem dando dinheiro aos empresários e banqueiros e permite que eles demitam milhares de trabalhadores", diziam os manifestantes.
As mobilizações de 11 e 12 impulsionam a realização do dia nacional de luta com paralisações e protestos em todo o país, no próximo dia 1º de abril. Essa data foi aprovada por diversas entidades de esquerda durante seminário no Fórum Social Mundial.
São Paulo: 1.500 pessoas em frente à FIESP
A Avenida Paulista foi palco na quinta-feira (12/2), de uma grande manifestação contra as demissões e propostas de redução de salários e direitos
Foi um ato unificado organizado pela CONLUTAS, pelos Sindicatos dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Campinas, Limeira e Santos e Intersindical.
A manifestação reuniu cerca de 1.500 pessoas em frente à Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), principal centro empresarial do país e grande articuladora das propostas para redução de direitos.
A CONLUTAS alertou a sociedade para os prejuízos que a flexibilização de direitos traz à classe trabalhadora e deixou claro que não aceitará acordos neste sentido.
“Temos que rechaçar essa proposta indecente dos empresários que lucraram muito no último período, estão recebendo dinheiro público do governo e ainda assim querem jogar a crise sobre os trabalhadores, com demissões e redução de direitos”, disse José Maria de Almeida, da coordenação nacional da CONLUTAS.
O ato teve início com uma passeata que percorreu a Avenida Paulista, entre o Masp e a Fiesp. Os manifestantes carregaram bandeiras, faixas e cartazes para exigir estabilidade no emprego e dizer não às demissões e à ofensiva dos empresários de reduzir salários e direitos.
Um grande boneco representou o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, com uma “foice da morte” em referência às demissões que vem ocorrendo no país. Outro bonecão representou um metalúrgico da GM, montadora que demitiu 802 trabalhadores em São José dos Campos, no mês de janeiro.
“Hoje estamos dando um recado claro para os empresários de que não vamos aceitar estes ataques e que estamos apenas começando a nossa luta em defesa dos empregos, salários e direitos. Os trabalhadores não vão pagar pela crise. Os ricos que paguem”, disse Luiz Carlos Prates, o Mancha, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos e integrante da CONLUTAS.
Além do repúdio à proposta patronal e da exigência pelo fim das demissões, os manifestantes reivindicaram que o governo Lula assine uma Medida Provisória determinando a estabilidade no emprego para todos os trabalhadores por, pelo menos, dois anos.
“Não concordamos que o governo dê dinheiro para patrão e o que é pior, para fazer demissão. O presidente Lula tem de defender os trabalhadores, empregos e direitos”, disse Mancha.
(Fonte: Shirley Rodrigues, Sindicato dos Metalúrgicos de SJCampos e Região)
Dia 12 em BH: Protesto na “Capital Nacional do Desemprego”
Na capital brasileira com maior taxa de demissões – 64.246 apenas em dezembro -, o Ato Estadual em Defesa do Emprego e dos Direitos reuniu cerca de 500 trabalhadores na quinta-feira (12/2). Os manifestantes realizaram caminhada pela cidade e entregaram sua pauta de reivindicações à FIEMG, à Prefeitura de Belo Horizonte e à Assembléia Legislativa de MG.
“Os governos primeiro socorreram os bancos, agora, iremos lutar para quem impeçam as demissões e socorram os trabalhadores”, afirmou Giba, representando a Federação Democrática dos Metalúrgicos de MG durante a mobilização.
O ato unitário, inicialmente convocado pela conlutas, foi construído em MG com a participação da Intersindical, Federação Democrática dos Metalúrgicos, MST-MG, Via Campesina, além de outros setores afetados pela crise, como os trabalhadores da educação e saúde, estudantes, movimento de mulheres, de luta pela terra e pela moradia, entre outros.
“Esse ato vem mostrar que os trabalhadores não estão parados, que temos condições e soluções para combater a crise”, disse Hylio Batista, do Sindicato dos Metalúrgicos de Itaúna e Região. Para ele, “é muito importante chamar a unidade de todos nessa luta contra o desemprego, pois se aceitarmos a redução de direitos proposta pelas empresas, jamais iremos conseguir voltar ao patamar de hoje, que já é baixo”. Em Itaúna, cidade industrial próxima à BH, 1/3 dos metalúrgicos foram demitidos.
A Conlutas e mais 26 entidades, movimentos e partidos lançaram um manifesto estadual sobre os efeitos da crise em Minas e as soluções propostas pelos trabalhadores: estabilidade já, via decretos que impeçam as empresas de demitirem; redução da jornada para 36 horas, sem redução de salários, para garantir emprego a todos; isenção de tarifas públicas para os desempregados, entre outras.
Reivindicações - Na entrega da Pauta de Reivindicações à direção da FIEMG, a Federação dos Metalúrgicos de MG e mais sete sindicatos do interior do Estado apresentaram o cenário de demissões em Minas: dos mais de 88 mil postos de trabalho fechados no Estado, 35 mil são no setor metalúrgico. Além disso, diversas gigantes do setor estão pressionando os sindicatos e os trabalhadores e implementando revisão dos acordos coletivos, redução salarial e suspensão dos contratos de trabalho.
Em seguida, os manifestantes pararam em frente à Prefeitura de Belo Horizonte, (governada pelo PT há 16 anos) para nova entrega de reivindicações. Durante a reunião com o vice-prefeito, CONLUTAS, Intersindical, metalúrgicos, servidores e estudantes apresentaram preocupação com o desemprego e seus graves efeitos sociais, como aumento na violência, pobreza e demanda pelos serviços públicos já precários.
“Os alunos já estão saindo das escolas particulares para as escolas públicas por causa da queda na renda das famílias. Recebemos informação de que há lista de espera nas escolas municipais. Onde esses jovens vão estudar? A prefeitura já tem uma solução para isso?”, questionou Vanessa Portugal, representando o SINDI-REDE BH (Sindicato dos Trabalhadores da Rede Municipal da Educação).
“Esse ato e outros que estamos organizando são o pontapé de uma resistência nacional e forte, em que só a CONLUTAS, que é independente dos governos e dos patrões, pode fazer uma luta conseqüente”, afirmou Viola, do Sindicato dos Metalúrgicos de Itajubá e Região.
Pauta de Reivindicações unitárias em MG:
1. Nenhuma demissão! Reintegração de todos os trabalhadores demitidos.
2. Pela manutenção dos direitos conquistados pelos trabalhadores em décadas de luta!
3. Redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução de salário, para que todos possam trabalhar!
4. Que os governos federal, estadual e as prefeituras tomem medidas que garantam a estabilidade no emprego por 2 anos; mudança do modelo econômico neoliberal.
5. Isenção de tarifas da CEMIG, COPASA e passe livre para os desempregados.
6. Extensão do seguro desemprego para 2 anos!
7. Pela reestatização da Vale e estatização das empresas que demitirem massivamente.
8. Nenhum corte no Orçamento Público de Minas e dos Municípios em 2009!
(Fonte: Lívia Furtado, SINTAPPI/MG)
Ato promovido pelo ANDES-SN reúne 400 pessoas em Pelotas
Cerca de 400 trabalhadores participaram do ato em defesa dos empregos, dos salários e dos direitos, promovido pelo ANDES-SN, com o apoio da Conlutas e do MST, no final da tarde de quinta-feira (12/2), em Pelotas (RS). A passeata, que percorreu as principais ruas do centro da cidade e se concentrou em frente ao Mercado Municipal, chamou a atenção da população, que apoiou o protesto contra o arrocho imposto aos trabalhadores brasileiros, em função da crise econômica mundial.
“Nós não vamos pagar nada” dizia o mote do ato público, que imputava a conta da crise financeira internacional aos grandes empresários e banqueiros. “Essa crise que se abateu sobre o mundo todo foi provocada pelo capital internacional, que sempre prejudicou os trabalhadores. Mas os governos, ao invés de responsabilizar os grandes empresários e os grandes banqueiros, ainda repassa recursos públicos para ajudá-los. E os trabalhadores, mais uma vez, têm que arcar com o prejuízo”, enunciou o presidente da Associação de Docentes da Universidade Federal de Pelotas – ADUFPel, Sérgio Barum Cassal.
O presidente do Diretório Central dos Estudantes –DCE da UFPel, Juan Badia, parabenizou o ANDES-SN pela organização do ato e disse que os estudantes estão solidários aos trabalhadores. “Nós conhecemos e admiramos o histórico de lutas do ANDES-SN em defesa da educação pública e estamos com vocês na luta contra os banqueiros e contra esse governo que prefere ajudá-los do que investir na educação”, afirmou.
O assentado Adilson da Rosa, representando o MST, afirmou que o movimento também é solidário a essa luta, e também comunga da posição de que não são os trabalhadores que devem pagar a conta da crise financeira. “Nós, assim como o ANDES-SN, também lutamos pela melhoria da educação pública e também somos vítimas de perseguições de governos. Ontem, recebemos a triste notícia de que, com ajuda do Ministério Público do Rio Grande do Sul, nossa governadora, a Ieda Crusyus, conseguiu cassar nossa escola itinerante, que há 13 anos garantia educação as crianças que estão nos nossos acampamentos”, disse.
Representando a Conlutas, Atnagoras Teixeira Lopes, elogiou a postura do ANDES-SN de transformar o Congresso, que é um momento de elaboração teórica, em atividade prática. Ele também elogiou a organização do protesto, chamando a atenção dos presentes para a necessidade e urgência da unificação internacional da luta dos trabalhadores. “A brutalidade desta crise não deixa espaço para corporativismos. Enquanto fazemos este ato, trabalhadores se desesperam ao receber suas cartas de demissão”, resumiu.
Atnagoras lembrou ainda que a Conlutas foi a única central sindical que não aceitou negociar redução de salários e direitos com os patrões. “Em Congonhas (MG), a Vale do Rio Doce foi obrigada a retirar a proposta de redução de 45% dos salários. Mas sabemos que isso implicará em retaliações do patronato”.
O presidente do ANDES-SN, Ciro Correia, lembrou que a convicção de que todos merecem viver em uma sociedade includente sempre pautou as ações do Sindicato Nacional docente. “Nossa categoria, como outras também, tem dado sua contribuição em prol da classe trabalhadora. É por isso que defendemos que não podemos, mesmo em nome de uma crise grave, sonegar, mais uma vez, os direitos básicos dos trabalhadores”, afirmou. Ciro lembrou que os efeitos da crise sobre a educação brasileira serão perversos. “Programas estão sendo cortados pelo Ministério da Educação – MEC, que, agora, propõe educação alijeirada, educação pela metade, educação à distância, como se isso fosse possível”.
(Fonte: Najla Passos, ANDES-SN)
Ato no Rio de Janeiro, dia 11
Já o protesto realizado na quarta-feira (11/2), no Rio de Janeiro, também deu seu recado. Organizado por sindicatos da mineração, pela Conlutas e pela CUT, o ato ocorreu em frente ao Edifício Barão de Mauá, sede nacional da Vale.
A manifestação contou com 500 ativistas e teve um tom bastante radicalizado. Os manifestantes gritavam palavras de ordem pela reestatização da empresa e contra as demissões. Exigiam também a reintegração dos demitidos, a estabilidade no emprego e faziam uma denúncia do governo Lula, que ajuda os empresários com empréstimos bilionários. Ao mesmo tempo, exigiam a intervenção do governo de forma decidida através de uma MP que proíba demissões massivas.
Chamou a atenção a unidade das centrais no discurso contra as empresas privadas, mas também a dissonância dos discursos quando se toca na questão do governo. Enquanto a Conlutas denuncia a postura de Lula de salvar empresas enquanto nada faz pelo trabalhador e exigir do governo medidas decisivas nesse momento de crise, a CUT sai em defesa de Lula e se cala frente aos repasses.
Fórum Demissão Zero Contra a Retirada de Direitos (Volta Redonda - RJ) participa de protesto no Rio de Janeiro
Vários sindicatos, igrejas, oposições, partidos operários e movimentos sociais uniram-se em Volta Redonda pra construir o “Fórum Demissão Zero - contra a retirada de direitos”.
A Oposição Metalúrgica da Conlutas faz parte do Fórum, e é linha de frente nas atividades de mobilizações que ocorrem na cidade. Ela defende uma política clara de exigências e denuncias ao governo Lula, a não aceitação de flexibilização de direitos e salários, e a necessidade de reestatização da CSN.
O Fórum aprovou a ida de uma delegação ao Estado do Rio de Janeiro no dia 11 de fevereiro para protestar em frente da VALE contra as demissões. Na oportunidade, levou faixas contendo as reivindicações e denuncias dos operários do Sul Fluminense.
(Fonte: Elton Correa,Volta Redonda - RJ)