Encontro Nacional sobre Saúde do TrabalhadorNo contexto de uma das mais graves crises do sistema capitalista mundial, o ANDES-SN chama para a realização de um Encontro Nacional sobre a Saúde do Trabalhador, tendo como tema central “A educação submissa à lógica do capital: da precarização do trabalho docente à saúde do professor – os desafios atuais”. Nessa conjuntura, a economia das sociedades, sobretudo a das subdesenvolvidas, sofre fortes abalos com conseqüências, principalmente, para a classe trabalhadora. Tal situação se expressa pela redução de seu padrão de vida, pelo aumento da exclusão social e pelo aprofundamento do desemprego e do arrocho salarial. Além disso, tal quadro é acompanhado pelo aceleramento dos processos de flexibilização e precarização das relações de trabalho e pela supressão de direitos e conquistas sociais, em particular as trabalhistas e previdenciárias, que não poupam, nem mesmo, os trabalhadores aposentados e pensionistas.
Paralelamente, observa-se um intenso movimento de reestruturação das carreiras profissionais, no sentido de seu desmanche, o que favorece a sobre-exploração da força de trabalho. Os sistemas de gestão tornam-se cada vez mais requintados no sentido da avaliação de desempenho dos trabalhadores, com a implantação de mecanismos que elevam os patamares de produtivismo.
Nesse quadro, ainda, os governos são chamados a socorrer os sistemas empresarial e financeiro, que não abrem mão da maximização de seus lucros, que se vê ameaçada. Reduzem-se os investimentos públicos, impõe-se a redução de custos, que desconstroem, ainda mais, as políticas sociais e determinam o agravamento e a deterioração das condições de trabalho.
O preço disso tudo é a redução dos padrões de saúde dos trabalhadores. No campo da educação, alvo preferencial das políticas privatizantes neoliberais, esse conjunto de transformações, apesar da resistência oferecida pelos movimentos sociais e organizações sindicais que dela se ocupam, é implementado com enorme ferocidade, levando ao adoecimento de suas instituições e de seus trabalhadores. As conseqüências para ambos são nefastas, exigindo redobrado esforço de resistência. Nessa luta, também se consome a vida dos trabalhadores.
Refletir e buscar formas de ganhar consciência para a questão, reagindo a seu aprofundamento, é o objetivo da realização do Encontro, ora proposto. Somente juntos seremos capazes de enfrentá-la, na medida em que o problema não é individual, mas coletivo. Tragam suas experiências. Esperamos por vocês.
A Diretoria
PROGRAMAÇÃO
DIA 31 DE JULHO DE 2009
Sexta-feira
UNIFESP – Anfiteatro Lemos Torres
8h30 – MESA DE ABERTURA
- Fernando Molinos Pires Filho – Coordenação do GT Seguridade Social do ANDES-SN
- Milton Vieira do Prado Junior - Secretaria Regional São Paulo do ANDES-SN
- Vilmon de Freitas - Diretoria da ADUNIFESP S.SIND
9h – CONFERÊNCIA DE ABERTURA
A educação sob a lógica do capital: O sentido e as condições para o trabalho docente
Conferencista: Profª Lighia Brigitta H. Matsushigue - Secretaria Regional São Paulo do ANDES-SN
Coordenação: Profª Raquel Furuie
10h – PALESTRA/DEBATE
A Política de Atenção a Saúde do Servidor Público Federal
Palestrante: Dr. Sergio Antônio Martins Carneiro – Coordenação Geral de Seguridade Social e Benefícios do Servidor – COGSS - Ministério do Planejamento
Coordenação: Prof. Milton Vieira do Prado Junior
12h30 - 14h – INTERVALO
14h15 – PALESTRA/DEBATE
Condições de Trabalho e Saúde dos Trabalhadores nas Instituições de Ensino Privado no Rio Grande do Sul – Resultados de uma Pesquisa
Palestrante: Prof. Wilson Cesar Ribeiro Campos – Coordenação do Departamento Intersindical e Saúde do Trabalhador – DIESAT
Coordenação: Profª Roseanie de Lyra Santiago
16h30 – PALESTRA/DEBATE
As ações relativas à saúde do trabalhador no âmbito do SUS: dos processos de vigilância epidemiológica e sanitária à promoção e proteção à saúde dos trabalhadores – situação atual
Dr. José Carlos do Carmo – Coordenador do CEREST Estadual de São Paulo, representando a Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS do Ministério da Saúde
Coordenação: Prof. João Wanderley Rodrigues Pereira
DIA 1º DE AGOSTO DE 2009
Sábado
UNIFESP – Anfiteatro Moacir Álvaro
9h – MESA –REDONDA
A saúde do professor sob o impacto do produtivismo e da precarização do trabalho docente: enfrentando os efeitos da síndrome de Burnout
Debatedores:
Prof. Francisco Antônio de Castro Lacaz – ADUNIFESP S. SIND
Profª Maria de Fátima Ferreira Queiroz - Fisioterapeuta – UNIFESP -Campus Baixada Santista
Prof. Nelson Silva Filho – Responsável pelo Programa Geral de Saúde e Segurança do Trabalhador da UNESP
Coordenação: Prof. Fernando Molinos Pires Filho
12h30 às 14h – INTERVALO
14h15 – PLENÁRIA DE TRABALHO
Primeira parte – Relatos de situações e estudos locais das seções sindicais
Segunda parte – Discussões sobre os relatos apresentados
Coordenação: Profª Lighia Brigitta H. Matsushigue
16h30 – PLENÁRIA DE ENCERRAMENTO
Primeira parte: Discussão de Encaminhamentos
Segunda parte: Avaliação e Encerramento do Encontro
Coordenação: Prof. Fernando Molinos Pires Filho
A EDUCAÇÃO SUBMISSA À LÓGICA DO CAPITAL: DA PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO DOCENTE À SAÚDE DO PROFESSOR - OS DESAFIOS ATUAIS
“O QUE EXISTE DE TÃO ESPECIAL NESSE TRABALHO E NESSES TRABALHADORES PARA CONTINUAREM COMPROMETIDAMENTE A ATUAR SOB CONDIÇÕES TÃO ADVERSAS?”
“ É fundamental dizer que o problema da saúde do professor tem ganhos contornos mais específicos e tem aumentado sua densidade em função dos problemas sociais e do processo de desenvolvimento do sistema capitalista....os professores não estão imunes ao processo de precarização do trabalho que atinge a imensa maioria das categorias de trabalhadores. Um exemplo disso é o grande número de contratados temporáriamente, conhecidos como professores substitutos.” Profa. Cleusa Santos – UFRJ
“a educação adoeceu. ...os docentes também estão sendo atacados. ...a GED [a remuneração baseada em gratificações] destrói o que dá sentido ao trabalho docente, ou seja, a indissociabilidade entre as atividades acadêmicas [ensino, pesquisa e extenção]. Ouso dizer que esta é a base da doença psíquica do trabalhador docente.” Profa. Marina Barbosa – UFF
“...Os professores são uma parte importante do patrimônio das instituições. São profissionais caros. Custa mais caro, eventualmente, preparar os doutores que trabalham num prédio do que construir o prédio. Contudo, enquanto há alguma manutenção dos prédios não há nenhuma manutenção dos professores. A idéia de que os professores são um patrimônio pela qual a instituição deva zelar é praticamente inexistente. ...não há responsabilidade institucional pelo patrimônio humano. É preciso que a gente perceba que esse adoecimento não é individual, é coletivo dos professores, e precisa ser compreeendido como um problema geral, que demanda um tratamento coletivo. Até agora, o que a gente está fazendo é cada um procurar o seu médico, se virar, se tratar e resolver lá seu problema. Pior ainda: o professor não só vive abandonado pela instituição; na verdade, ele próprio acaba se abandonando.” Prof. Marcos Ferreira - UFSC
“ ... É mister salientar que a morbidade apresentada pelos docentes enquadra-se em um perfil que foge daquele configurado pelas doenças profissionais clássicas. E, como corolário disso, a discussão do nexo causal entre as doenças adquiridas pelos docentes no seu trabalho é muito mais indireta e complexa, exigindo uma nova reflexão sobre a idéia de causalidade positivista que inclusive dá sustentação a toda a análise jurídico-legal dessa questão. ... Diante disso, nada mais “natural” que a organização docente a partir de seu próprio conhecimento da realidade para sua transformação (Oddone e cols,1986), seja a perspectiva que deve nortear a luta dos docentes pela defesa da saúde e melhoria das condições/organização e ambientes de trabalho.” Prof. Francisco A. C. Lacaz - UNIFESP