
Artigos
25/09/2007
Nova
extensão da UFC
Aumentar
o número de vagas na UFC é extremamente desejável.
Mas teremos condições de criar 10 mil vagas de graduação
em cinco anos? Isso equivale a um incremento de cerca de 50%
José
Estevão Arcanjo *
Nos últimos
anos a Universidade Federal do Ceará viveu a experiência
de duas expansões, ambas problemáticas. Os cursos de Medicina
de Sobral e Barbalha, já formaram suas primeiras turmas, mas
ainda padecem de instalações físicas inadequadas
e de orçamentos insuficientes. Grande parte do quadro docente
é formada de professores substitutos.
A segunda expansão
ocorreu em 2006, com a criação dos campi de Sobral, Cariri
e Quixadá. Os problemas se repetem. Em Sobral, a maioria dos
novos cursos foi instalada em prédios cedidos pelo Governo do
Estado e pela Prefeitura. Nem o local para a construção
do novo campus foi definido. Em Juazeiro do Norte as novas instalações
da UFC devem estar prontas em 2008. Mas os problemas de orçamento,
pessoal e equipamentos persistem.
A terceira onda da expansão
está prestes a começar. Através do Decreto nº.
6.096, de 24 de abril, o governo instituiu o Programa de Apoio a Planos
de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais - Reuni, cujo objetivo é contribuir para estender, até
2010, a oferta de educação superior para, pelo menos,
30% dos jovens na faixa etária de 18 a 24 anos.
Os planos de adesão
ao Reuni - a serem enviados ao MEC até 29 de outubro - devem
contemplar aumento de vagas, cursos noturnos, redução
de custos, novos projetos pedagógicos, combate à evasão,
ampla mobilidade estudantil, inclusão social e assistência
estudantil.
É bem-vinda a expansão
das universidades federais. Afinal, hoje elas respondem por apenas 14%
das matrículas. No entanto, são várias as conseqüências
que o Reuni pode acarretar, prejudicando o funcionamento das atividades
já implantadas, ou simplesmente favorecendo uma expansão
sem qualidade. O Programa, aliás, carece de metas qualitativas.
Seus principais indicadores são: elevar para 18 o número
de alunos de graduação por professor (na UFC essa relação
é de 13,5); e ampliar a taxa de conclusão média
dos cursos de graduação presenciais para 90%.
Aumentar o número
de vagas na UFC é extremamente desejável. Mas teremos
condições de criar 10 mil vagas de graduação
em cinco anos? Isso equivale a um incremento de cerca de 50%. Quantos
professores serão contratados para dar conta dessas expansões?
Serão professores efetivos ou substitutos? Quantas salas de aula
serão necessárias? Em quais cursos e de que modo serão
abertas essas vagas? A expansão ocorrerá em todos os campi
ou limitar-se-á aos localizados no interior do estado?
São essas as questões
que precisam ser respondidas. Que a Reitoria convoque a comunidade universitária
para debater o assunto ou, em lugar da desejável expansão
sustentável e com qualidade, a UFC pode se tornar um novo “escolão”,
com trabalho docente desvalorizado e salas de aula superlotadas.
* José
Estevão Arcanjo - Presidente da Adufc