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Especial - setembro/07
“Pacote de abril” ameaça
docentes das universidades públicas
Projetos associados
ao Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, lançados
pelo governo Lula em abril deste ano, colocaram em alerta a categoria
docente. Batizado pela categoria de “pacote de abril”, o
conjunto de projetos dá seguimento à contra-reforma universitária,
iniciada no governo FHC, que tantos prejuízos vêm causando
à universidade brasileira.
São projetos
que precarizam o trabalho docente, imputando uma carga ainda maior de
atividades ao professor e também que colocam em xeque a qualidade
da educação oferecida pelas universidades pública,
a partir da ampliação desenfreada do número de
vagas para alunos, sem a contrapartida de investimentos em infra-estrutura.
REUNI - Entre os projetos que compõem
o “pacote de abril”, está o Programa de Apoio a Planos
de Reestruturação e Expansão das Universidades
Federais - REUNI, instituído pelo Decreto nº 6096/07 e divulgado
com o propósito de dobrar o número de alunos das universidades
públicas.
“O governo quer dobrar o número de alunos
e manter a mesma quantidade de professores. A exigência de salas
com no máximo 50 alunos para o credenciamento das instituições
passaria a ser de 150 alunos. Em geral, ele estimula a massificação
sem demonstrar preocupação com o trabalho dos docentes”,
lamenta o presidente do ANDES-SN, Paulo Rizzo.
Aprovação automática - As universidades
que aderirem ao REUNI receberão 20% a mais de recursos. Mas,
para ter acesso ao montante, a universidade terá também
que garantir que 90% dos alunos matriculados concluam o curso. As instituições
que não aderirem serão condenadas ao congelamento orçamentário.
“Isto é coerção e uma violência
à autonomia universitária. Exige-se das IFES que dobrem
o número de alunos por professor e atinjam a incrível
meta de 90% de taxa de conclusões, o que significa, na prática,
a adoção de aprovação automática”,
denuncia a diretoria do ANDES-SN.
Professor equivalente - Outra novidade
é a instituição do banco de professor equivalente.
Com a Portaria Interministerial nº22, o governo busca flexibilizar
as relações de trabalho, diminuir o regime de dedicação
exclusiva e, por conseqüência, reduzir as atividades de pesquisa.
O banco permite, por exemplo, que um professor titular
com regime de dedicação exclusiva seja substituído
por vários outros, admitidos por contratação temporária,
e que trabalhem em regime parcial, atendendo às demandas das
salas de aula. Ante tais medidas, a redução das atividades
de pesquisa é inevitável.
Central
de instituições - A criação dos
Institutos Federais de Educação Tecnológicas -
IFETs também está prevista no pacote, no Decreto nº
6.095/07. O objetivo dos IFETs é integrar em uma única
instituição os centros de educação tecnológica,
as escolas técnicas e agrotécnicas de cada estado do país.
Conforme o decreto do governo, os IFETs ficam responsáveis também
pela formação dos professores de matemática, biologia,
química e de outras disciplinas. “Os IFETs vão esvaziar
as faculdades de educação. como não têm cursos
de bacharelados dessas disciplinas, não estão preparados
para oferecer bons cursos de formação de professores”,
analisa o presidente do ANDES-SN.