“Comandar o MEC é um abacaxi”, afirma Vélez Rodríguez

Atualizado em 28 de Março de 2019 às 17h17

A crise do Ministério da Educação (MEC) não tem fim. Após sucessivas demissões e desencontros, o ministro Ricardo Vélez Rodríguez foi à Comissão de Educação da Câmara na quarta (28) e saiu de lá constrangido. Ele chegou a afirmar que “comandar o MEC é um abacaxi do tamanho de um bonde”.

Ministro da educação causou polêmica em sua ida à Câmara

Tamanho rebuliço foi gerado pelas declarações confusas do ministro, que sua demissão chegou a ser anunciada pela jornalista Eliane Catanhêde. O presidente Jair Bolsonaro, no entanto, negou a demissão. Horas antes, em entrevista à TV Bandeirantes, o presidente também criticou Vélez. Afirmou que o MEC estava desorganizado e que conversaria com o ministro quando voltasse de viagem de Israel.

A participação do ministro na Comissão de Educação se deu após a demissão de Marcus Vinícius Rodrigues, presidente do Inep. Vélez disse aos deputados que demitiu o presidente do Inep porque não foi comunicado sobre a suspensão da avaliação federal de alfabetização. “O diretor-presidente do Inep puxou o tapete”, afirmou o ministro. A suspensão, anunciada na segunda (25), foi cancelada.

Vélez foi confrontado por deputados quando apresentou apenas um Power Point com metas generalistas para a educação. Quando perguntado sobre dados quantitativos de políticas públicas, não soube responder. Deputadas como Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Tabata Amaral (PDT-SP) chegaram a afirmar que o ministro deveria renunciar do cargo por incompetência. "A única coisa que posso dizer é que não saio. Só me demito se o presidente da República me pedir”, respondeu Vélez.

Crise atrás de crise

O Ministério da Educação não teve uma semana de sossego desde que Vélez Rodríguez assumiu a pasta. Além da polêmica sobre o cancelamento da avaliação de alfabetização, vários outros episódios marcaram os três meses de Vélez Rodríguez na pasta. Em 3 meses, o MEC já registrou 10 baixas em cargos de alto escalão.

Em janeiro, edital divulgado pelo MEC para compra de livros didáticos permitia obras com erros e sem referências bibliográficas. Também abdicava de conteúdos que pregassem a não-violência contra a mulher. Vélez logo recuou.

Em fevereiro, o MEC enviou às escolas recomendação de todos os estudantes da rede básica serem filmados cantando o hino nacional. Os estudantes deveriam, ainda, ler o slogan de campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. Vélez logo recuou.

As últimas polêmicas têm sido comandadas, à distância, pelo twitter. O astrólogo Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, tem tentado promover expurgos no MEC. Foi Olavo quem indicou Vélez para a pasta. Segundo Olavo, há muita gente dentro do governo que é contra Jair Bolsonaro e contra o país. Coube a Olavo também a indicação de Ernesto Araújo para o Itamaraty.

Com imagem de Agência Câmara.

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