NOTA DE REPÚDIO DA DIRETORIA DO ANDES-SN AOS ATAQUES CONTRA DOCENTES E UNIVERSIDADES

NOTA DE REPÚDIO DA DIRETORIA DO ANDES-SN AOS ATAQUES CONTRA DOCENTES E UNIVERSIDADES

Publicado em 15 de Outubro de 2026 às 18h28

Estamos vivendo um dos momentos mais delicados desde a redemocratização, em uma conjuntura internacional marcada pela ascensão de governos de extrema direita que escolhem como alvos prioritários de seus ataques a educação, o conhecimento, a ciência, as artes e a diversidade — tudo aquilo que sintetiza o papel de nossas universidades e institutos federais. Obviamente, quando esses princípios fundamentais são ameaçados por uma candidatura à Presidência da República, como a de Flávio Bolsonaro, a resistência se coloca em movimento, como temos observado nas últimas semanas, com uma enorme e contundente rejeição àquele que representa uma ameaça às nossas instituições.

Os setores reacionários, por sua vez, têm recorrido a práticas que nosso sindicato já vinha denunciando há algum tempo, e nossas instituições tornaram-se alvos diretos de ataques, ameaças e agressões. Toda a comunidade acadêmica, assim como o tripé ensino-pesquisa-extensão, encontra-se sob ameaça, pois a extrema direita não tolera que o principal espaço de produção de conhecimento do país seja também um lugar de defesa intransigente das liberdades democráticas e da livre manifestação do pensamento. Os casos recentes registrados no Paraná, em São Paulo, em Mato Grosso do Sul, na Bahia, no Maranhão e no Ceará, entre outros estados, constituem um sinal de alerta máximo.

É evidente que querem amordaçar nossas instituições, mas não aceitaremos caladas(os) essa conduta neofascista. Os episódios recentes na Universidade Regional do Cariri (URCA), quando uma médica negacionista e alinhada ao bolsonarismo — a quem atribuímos responsabilidade política pela condução negacionista da pandemia, que contribuiu para milhares de mortes —, acompanhada de um ex-ministro negacionista e bolsonarista, arrancou cartazes na universidade e chamou a comunidade acadêmica de “vagabunda”, constituem uma demonstração do que podemos enfrentar caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente da República. A presença, nesse episódio, de um ex-ministro da Saúde também associado ao negacionismo torna ainda mais grave o ocorrido.

Também expressamos nossa solidariedade à professora Fabiana Cândida de Queiróz Santos Anjos, do curso de Medicina da Universidade Unirg, sindicalizada à Apug-Ssind, que foi vítima de um atentado na madrugada de quarta-feira (14/10), quando sua residência, onde se encontrava com a família, e seu consultório foram alvejados por dezenas de tiros. O episódio representa uma grave manifestação de violência que está associada ao bolsonarismo. A professora já recebe apoio jurídico da Apug. É necessário que as autoridades apurem, com rigor e brevidade, a identidade das(os) autoras(es) desse crime, para que sejam responsabilizadas(os) na forma da lei.

Expressamos toda a nossa solidariedade à comunidade acadêmica de todas as instituições de ensino que têm sido alvo da violência bolsonarista.

Não irão nos calar!

Não irão nos intimidar!

Brasília, 15 de outubro de 2026.

Diretoria do ANDES-Sindicato Nacional

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