44º Congresso do ANDES-SN aprova Conad Extraordinário e intensificar ações internacionalistas

Publicado em 06 de Março de 2026 às 10h56. Atualizado em 06 de Março de 2026 às 17h04

No quarto dia do 44º Congresso do ANDES-SN, realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, as e os docentes avançaram na aprovação de resoluções do Plano Geral de Lutas, reafirmando o caráter classista e internacionalista da entidade. Na tarde desta quinta-feira (5), os debates abordaram ações estratégicas para o enfrentamento ao imperialismo, aos ataques da extrema direita à categoria docente e para a resistência contra o desmonte dos serviços públicos, entre outros.

A plenária referendou ainda a realização de um Conad Extraordinário em 2026 para aprofundar o debate sobre questões organizativas, administrativas, financeiras e políticas do Sindicato Nacional. A estrutura, pauta, período de realização e outras especificações serão debatidas nesta sexta-feira (6), durante as discussões do Tema IV, que trata das questões organizativas e financeiras.

A primeira mesa sobre o Tema III - Plano Geral de Lutas está sendo presidida por Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES–SN, acompanhada de Marcelo Vallina, 1º vice-presidente da Regional Norte 1, Eralci Terázio, 2º vice-presidente da Regional Pantanal, e Gracinete de Souza, 2ª vice-presidenta da Regional Nordeste 3.

“O debate do nosso plano geral de lutas se iniciou com o GTPFS, que tinha como um dos eixos a aprovação de um Conad extraordinário para que nós possamos debater as nossas questões organizativas e financeiras, que vieram do último Seminário Nacional do GTPFS, mas também veio como deliberação do Conad anterior [68º]. Então, aprovando nesta plenária, isso nos permite que, na plenária do Tema 4, nós possamos aprofundar o debate sobre o seu formato, o que vai ser pautado, mas lembrando dos temas principais que já foram penteados nos grupos, como o fundo único, rateio, formas de eleições dentro do Sindicato Nacional, entre outros. Tudo isso numa expectativa de ampliar a democracia interna do sindicato”, explicou a 3ª vice-presidenta do ANDES-SN.

Solidariedade internacionalista e combate ao imperialismo
As resoluções do Grupo de Trabalho de Política de Formação Sindical (GTPFS) deram forte ênfase à luta internacionalista. Os delegados e as delegadas ampliaram a política de apoio a Cuba aprovada no 68º Conad, realizado em julho do ano passado. Além do envio de medicações e insumos médico, foi deliberado que o Sindicato Nacional participe de campanhas humanitárias, a exemplo do envio de placas de energia solar para o país.

A categoria aprovou ainda a intensificação da defesa da soberania de Cuba, exigindo que o Brasil forneça petróleo e energia ao país, além da participação do ANDES-SN na "Flotilha da Liberdade" (Comboio Nuestra América), uma iniciativa que visa levar suporte direto ao povo cubano e furar o bloqueio imposto pelos Estados Unidos, denunciando o caráter imperialista dessas sanções.

O GTPFS deverá promover, em conjunto com o Grupo de Trabalho de Política Educacional (GTPE), painel com os eixos temáticos do IV Congresso Mundial contra o Neoliberalismo na Educação, como etapa preparatória da participação do ANDES-SN e suas seções sindicais nessa agenda. Além disso, a categoria irá acumular, no âmbito do GTPFS, sobre a construção de um espaço de unidade de ação de defesa internacionalista da educação pública.

Em relação à Palestina, o 44º Congresso deliberou pela ampliação do apoio à vinda de novas e novos estudantes palestinos, por meio de editais de cooperação acadêmica e humanitária e de acordos acadêmicos com universidades daquele país. O GTPFS fará um levantamento de quais instituições já realizam ações nesse sentido. Foi reafirmado o apoio e o fortalecimento da campanha de "Boicote, desinvestimento e sanções" (BDS) contra o Estado de Israel.

A categoria também aprovou que o ANDES-SN e suas seções sindicais participem, no primeiro semestre de 2026, de um dia de mobilização nacional de apoio à Palestina e denúncia do caráter colonial e imperialista do acordo de paz com ações de mobilização e/ou paralisação. A ação deverá ser construída em articulação com os comitês de solidariedade à Palestina, com as entidades do funcionalismo público e com os movimentos sociais.

A plenária manifestou também apoio ao povo da Venezuela contra a barbárie imperialista e defendeu a soberania do Irã, denunciando os ataques de Israel e dos EUA e exigindo um cessar-fogo imediato na região.

Ainda reforçando a posição internacionalista e solidária da categoria, os e as docentes aprovaram que o ANDES-SN, por meio do GTPFS e GT de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), aprofunde o debate sobre as lutas por formulações de políticas públicas de acolhimento de estudantes imigrantes e refugiados nas Instituições de Ensino Superior, que garantam acesso e permanência. O Sindicato irá apresentar proposta à Andifes, à Abruem, ao Conif - entidades representativas de gestores das instituições públicas -, e ao Ministério das Relações Exteriores.

“Foi muito importante nós termos aprovado no 44º Congresso do ANDES-SN diversas iniciativas e continuidade de luta e solidariedade em pautas internacionalistas, anti-imperialistas e que têm um sentido de solidariedade ao povo cubano, palestino, venezuelano, iraniano, que estão sofrendo pelas mãos do imperialismo, do trumpismo estadunidense. Isso demonstra o quanto a categoria está conectada com as questões internacionais, com a preocupação do avanço da extrema direita nesses países e na América Latina”, avaliou Annie Hsiou.

A docente destacou o apoio a estudantes palestinos e imigrantes, a participação do Sindicato Nacional na Flotilha da Liberdade, em apoio à Cuba, e a ampliação da atuação do ANDES-SN e da categoria docente em defesa do povo palestino e na denúncia do genocídio daquela população. “A aprovação de um dia nacional de mobilização, com paralisação, é fundamental para ampliarmos a nossa solidariedade com a população palestina e também na denúncia do genocídio promovido por Israel, com o apoio do imperialismo estadunidense. Essa e outras deliberações da nossa plenária reforçam a centralidade da defesa da Palestina e seu povo na pauta do nosso Sindicato”, ressaltou.

Enfrentamento à Reforma Administrativa
A luta contra a Reforma Administrativa (PEC 38/2025) foi reafirmada como prioridade central para o funcionalismo público. O ANDES-SN buscará construir uma agenda unificada com o Fonasefe e outros fóruns para realizar paralisações no primeiro semestre de 2026, visando derrotar a proposta neoliberal de reforma do Estado.

As seções sindicais foram orientadas a pautar o tema em seus veículos de comunicação e propor notas de rejeição à reforma nos Conselhos Superiores das instituições de ensino. Além disso, o sindicato intensificará a luta pela regulamentação da Convenção 151 da OIT, que garante o direito de negociação coletiva para servidoras e servidores públicos.

A plenária dessa quinta-feira aprovou a intensificação da luta em defesa do fim da escala 6x1 e pela adoção da jornada de trabalho de 30 horas semanais para toda a classe trabalhadora. As delegadas e os delegados incorporaram também, ao Plano Geral de Lutas da categoria, resoluções aprovadas integralmente nos grupos mistos, relacionadas às diferentes áreas de atuação da entidade, como intensifcar as discussões sobre a violência policial contra a juventude negra.

Na defesa da categoria docente e da atuação sindical, as e os participantes definiram que ANDES-SN intensifique a campanha Lutar não é crime, colocando como mote central a defesa da democracia nas Universidades públicas, Institutos Federais e Cefets e da liberdade de cátedra, enfrentando os ataques da extrema direita contra a comunidade acadêmica. Para municiar a categoria, as delegadas e os delegados também aprovaram que o ANDES-SN reproduza o Guia prático sobre gravações indevidas e ataques contra a atividade docente, construído pela Associação de Docentes da Universidade de Brasília (Adunb-Seção Sindical), como instrumento nacional de orientação sobre como a categoria pode se defender dos constrangimentos e ataques da extrema direita em sala de aula.

Docentes antirracistas
No início da plenária que abriu os debates sobre o Plano Geral de Lutas do ANDES-SN, o coletivo de docentes negras e negros da entidade realizou um ato, cobrando das seções sindicais assumir a luta antirracista nas entidades e nas suas instituições.

Entoando canto com refrão “contra o racismo, por reparação, contra o capitalismo somos revolução”, as professoras e os professores caminharam pelo plenário com cartazes que denunciavam o racismo institucional, mecanismos de burla do sistema de cotas e cobravam ações incisivas e permanentes por reparação e de combate a essas e outras formas de violência contra o povo negro nas instituições de ensino e nos espaços sindicais.

Samba e brincadeira
No retorno do intervalo da plenária, o grupo de samba Geo da Viola tocou para as e os participantes. Os músicos que atuam na preservação das tradições de matriz africana trouxeram ao evento a potência do samba raiz.

Durante a performance, foi exibido um vídeo com as crianças que estão participando do 44º Congresso, que, na sequência, também se apresentaram às e aos docentes, ao som do Geo da Viola.

Sequência
O 44º Congresso segue até esta sexta-feira (6), com mais de 640 participantes, de 93 seções sindicais, consolidando a unidade da categoria docente sob o tema “Na capital da resistência, das revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”. O evento é realizado 
sob organização da Regional Nordeste III do ANDES-SN e do Coletivo Democracia e Luta da UFBA.

Fotos: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN

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