Docentes da Uespi mantêm greve iniciada em 18 de março

Atualizado em 04 de Abril de 2019 às 14h41

Professores da Universidade Estadual do Piauí (Uespi) decidiram nessa quarta-feira (3) pela continuidade da greve, iniciada em 18 de março. A deliberação ocorreu em assembleia geral, com a presença de representantes dos campi da capital e quase todos os campi no interior do estado.

Docentes da Uespi estão em greve há mais de 15 dias. Foto: Adcesp SSind.

A categoria avaliou que as propostas apresentadas pelo governo não contemplam as demandas da Universidade. Também não resolvem os problemas urgentes que estão inviabilizando o início das aulas. Na manhã segunda (1), professores e estudantes da Uespi se reuniram com o governador Wellington Dias (PT) e com deputados da Assembleia Legislativa.

Rosângela Assunção, coordenadora geral da Associação dos Docentes da Uespi (Adcesp SSind.), diz que as propostas feitas à categoria foram apenas promessas. E não modificam o cenário de caos da universidade.

"Compreendemos que o governo apresentou apenas migalhas para a categoria. Estamos dizendo que a Uespi está morrendo e o governo não entendeu isso ainda. A categoria permanece unida e esperamos que o governo abra nova rodada de negociação, para que as progressões tenham fluxo contínuo, para um novo concurso de professor efetivo e para a convocação dos classificados", afirma. 

Segundo Rosângela, o governo também não apresentou nenhuma resposta sobre a pauta de reposição de perdas inflacionárias, acumuladas há cinco anos.

Diversos campi continuam sem professores. Só na cidade de São Raimundo Nonato são mais de 30 disciplinas descobertas. "Além da nossa infraestrutura, que é muito precária, estamos gritando por socorro porque não temos como iniciar as aulas. Dois cursos estão ameaçados de fechar por falta de professor", afirma a professora Marla Almeida, do campus de São Raimundo Nonato.

Segundo deliberação da assembleia, a greve continua por tempo indeterminado. Os docentes aprovaram, ainda, uma série de ações a serem realizadas nos próximos dias.

Participaram da assembleia representates de quase todos os campi da Uespi. Foto: Adcesp SSind.

Reunião com o governo
Após muita pressão do movimento grevista, docentes e estudantes foram recebidos, no dia 1, pelo governador e por parlamentares do Piauí. Na reunião, foi assegurado o pagamento das bolsas estudantis em atraso. Além disso, a implementação das promoções e progressões e a proposta de criação de uma comissão para debater a autonomia financeira da Uespi. Com relação aos demais pontos, o governo não apresentou nenhuma proposta.

Durante reunião de negociação, professores e estudantes fizeram um panorama com as principais reivindicações das categorias. Cobraram soluções imediatas, sob o risco de inviabilizar o funcionamento da universidade. A professora Rosângela Assunção ressaltou a necessidade urgente de assegurar autonomia financeira para a Uespi.

“Para nós, a discussão em torno do duodécimo, ou seja, do repasse em doze parcelas mensais para a universidade gerir e aplicar, de forma autônoma, em infraestrutura, pessoal e demais necessidades, é muito importante e é um único caminho para rever essa grave crise enfrentada pela instituição”, afirma a professora.

Rosângela ressaltou o problema da falta de professores efetivos, que atualmente afetam diretamente 290 disciplinas. “Temos muitas demandas urgentes, como a falta de professores efetivos, congelamento de promoções, progressões e mudanças de regime. Com relação a demanda salarial, não estamos pedindo aumento, nossa reivindicação é de reposição do que foi perdido ao longo dos últimos seis anos”, disse.

Os estudantes também apresentaram suas demandas focadas, sobretudo, no problemas da bolsas de monitorias e realização de novo concurso público. Exigiram também melhorias estruturais, como reformas e a construção de um restaurante universitário.

“O governador apresentou poucas soluções para nossas demandas e, por isso o movimento deve continuar. Ele não tratou da autonomia financeira como propomos, não discutiu um plano de solução dos problemas. O que parece é que o governador veio apenas dizer o que não conseguia fazer”, afirmou Maria Antônia, representante do Diretório Central dos Estudantes da Uespi.

Fonte: Adcesp SSind. Com edição do ANDES-SN

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