Entidades e ativistas viajam para Anapu (PA) em solidariedade à resistência camponesa e contra a violência no campo

Atualizado em 27 de Agosto de 2021 às 13h14


 

Foto: Walter Chile

Uma delegação de ativistas de entidades e movimentos locais e nacionais viajou, na manhã desta quinta-feira (26), rumo à Altamira, tendo como destino final a comunidade do Lote 96, em Anapu, sudoeste do Pará. Representantes da Associação de Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa Seção Sindical do ANDES-SN), CSP-Conlutas e ANDES-SN compõem a comitiva, que participará de uma série de atividades contra a violência no campo e em solidariedade aos camponeses do Lote 96.

A delegação irá também entregar mantimentos, roupas, livros e outras doações recolhidas pelas entidades em solidariedade à resistência dos agricultores. Desde 2015, 16 trabalhadores rurais já foram mortos no município de Anapu, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), no Pará.

Em 2005, o assassinato da missionária estadunidense Dorothy Stang ganhou projeção nacional e internacional. Já em 2018, outra liderança religiosa, Padre Amaro, foi criminalizado e detido no presídio de Altamira. Em dezembro de 2019, ocorreram mais dois assassinatos, Márcio Rodrigues Reis, mototaxista ligado aos movimentos de luta pela terra e principal testemunha de defesa do Padre Amaro, e Paulo Anacleto, ex-vereador do PT e conselheiro tutelar do município, foram as vítimas de mais este triste episódio.

“Vivemos uma tensão cada vez maior, pois já tentaram matar meu marido três vezes. Temos quatro filhos, o mais novo com apenas quatro meses. Tudo que queremos é paz e que reconheçam o direito da comunidade permanecer em suas terras e continuar produzindo. É pedir demais?”, lamentou Natalha Theófilo.

Erasmo Theófilo, marido da camponesa, pede o fim dos ataques e mortes. “Chega de assassinatos, de casas queimadas e de floresta derrubada. Não podemos permitir que a morte da irmã Dorothy Stang seja em vão. Exigimos a punição imediata de quem assassina trabalhadoras e trabalhadores para se apropriar de suas terras e derrubar a floresta”, desabafou.

Ivan Neves, diretor da Adufpa SSind., faz parte da delegação e cobra a responsabilização do governado de Helder Barbalho (PMDB-PA) pela violência no campo. “O governo do Pará também é responsável por essa situação porque finge que não vê e que nada pode fazer”, afirmou.

Atnágoras Lopes, da executiva nacional da CSP-Conlutas, denuncia o governo federal e sua política destruidora contra a Amazônia e seus povos originários. “O governo Bolsonaro está estimulando grileiros a se apropriar de terras públicas, expulsando agricultores, quilombolas, indígenas e ribeirinhos. É o caso dos lotes 96 e 97. Estamos em caravana à região do Xingu com entidades nacionais e locais para denunciar para o Brasil e o mundo o que esse governo está fazendo com a Amazônia e seus povos”, declarou.

De acordo com a programação da Comitiva, nesta sexta-feira (27), será realizada uma manifestação em frente ao Fórum de Altamira e serão entregues alimentos para hospital público da cidade. Na sequência, seguirão para Anapu. No sábado (28), participarão de reunião com a presença dos movimentos, entidades e famílias do Lote 96 e, no domingo (29),  retornarão à Belém (PA).

Fonte: Adufpa SSind. com edição do ANDES-SN
 

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