Jornada de luta contra PEC 32 tem ato pela vida de negras e negros

Publicado em 17 de Novembro de 2021 às 16h59. Atualizado em 18 de Novembro de 2021 às 17h05

Na manhã dessa quarta-feira (17), servidoras e servidores, que estão em Brasília (DF) na jornada de luta contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32, realizaram um ato em defesa da vida da população, em especial de negras e negros. O protesto integrou as manifestações contra a reforma Administrativa, que durante todo o mês de novembro se somam às atividades de celebração do mês da Consciência Negra, que tem no dia 20 de novembro seu marco, como Dia da Consciência Negra.

Reunidos no Espaço do Servidor, no bloco C da Esplanada dos Ministérios, as e os manifestantes marcharam até a praça dos Três Poderes, com palavras de ordem contra a PEC 32 e a PEC 23, dos precatórios, em defesa da vida e contra o governo de Jair Bolsonaro. Na praça, onde se localizam o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto, realizaram uma performance. Parte do grupo usava máscaras representando lutadoras e lutadores negros, e outra estava com máscaras de Bolsonaro. Bexigas cheias de líquido vermelho foram estouradas por aqueles que atuavam como o presidente, simbolizando o sangue da população pobre, em sua maioria negra, nas mãos daqueles que estão no poder.

“O ato hoje teve como objetivo lembrar os nossos mortos, principalmente os nossos mártires negros. Fizemos na praça dos Três Poderes exatamente significando o pedido de justiça em todas as esferas. Usamos as máscaras como se estivéssemos nos trajando de Dandara, Marielle Franco, Zumbi dos Palmares, Mestre Moa e, do outro lado, colegas com máscaras de Bolsonaro e sangues nas mãos. Nós colocamos esses sangues em bexigas e estouramos na praça e, em seguida, um grupo fez a lavagem do sangue dos nossos heróis. A ideia era lembrar nossos ancestrais que morreram, que deram suas vidas para que pudéssemos hoje estar resistindo e lutando pelos nossos direitos. Lembramos também os mais de 600 mil mortos da pandemia. Lembramos também as milhares pessoas, em sua maioria negra, que hoje não têm seus direitos respeitados e cumpridos, que estão com fome e que, em muitos lugares, ainda estão lutando por vacina. E cobramos também justiça para Marielle Franco”, contou Zuleide Queiroz, 2ª vice-presidenta do ANDES-SN. 

Repressão
Segundo a diretora do Sindicato Nacional, durante todo o trajeto na Esplanada dos Ministérios até a praça, o grupo de manifestantes foi acompanhado por policiais militares. A polícia tentou impedir a performance artística, com o argumento de que os e as manifestantes não poderiam “sujar o espaço por se tratar de um monumento”.

“Eles quiseram recriminar o movimento, dizendo que a gente não podia sujar o espaço, que a praça era um monumento, e querendo saber quem eram os líderes daquele movimento. Foi repressão o tempo todo para cima da gente. Mas, assim mesmo, garantimos a atividade. Alegamos que era nosso direito protestar e que estávamos fazendo um ato pacífico. Terminamos o ato, mas sob forte repressão policial”, relatou Zuleide.

Atos continuam
No período da tarde, as servidoras e os servidores continuaram o protesto contra as PECs 32 e 23 em frente ao Anexo 2 da Câmara dos Deputados. Essa é a 10ª semana de manifestações contínuas para barrar a reforma Administrativa. Além de falas e palavras de ordem, na tarde dessa quarta (17), os e as manifestantes contaram com a apresentação cultural do grupo Obará, que tem como foco divulgar e manter viva a cultura Afro-Brasileira em todos os seus aspectos.

Somando aos protestos em frente ao Anexo 2 da Câmara e no aeroporto de Brasília, servidoras e servidores também estão visitando gabinetes de parlamentares e participando de audiências públicas para pressionar as deputadas e os deputados a se posicionarem contrários à proposta que promove a reforma Administrativa, com o desmonte dos serviços públicos e das carreiras dos servidores e das servidoras. A previsão é que as manifestações continuem até o recesso do Legislativo no final do ano.

Racistas, não passarão!
Na terça-feira (16), durante protesto no Aeroporto de Brasília, um grupo de manifestantes foi alvo de um ataque racista. Um homem, ainda não identificado, despejou conteúdos de uma lata de lixo em servidoras e servidores que participavam do ato, durante a fala da 2ª vice-presidenta do ANDES-SN, que lembrava a importância do 20 de novembro e cobrava resposta ao assassinato de Marielle Franco. Zuleide Queiroz foi uma das atingidas pelos dejetos. 

O ANDES-SN solicitou à polícia e à administração do aeroporto as imagens do circuito interno para que o homem possa ser identificado e punido por desempenhar atos racistas. Diretoras do sindicato nacional também foram à delegacia registrar ocorrência.

Leia também:

Servidores/as sofrem ataques racistas enquanto realizavam ato no Aeroporto de Brasília

 

Compartilhe...

Outras Notícias
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
EVENTOS
Update cookies preferences