Liderança de movimento social é assassinada no Pará

Publicado em 26 de Março de 2019 às 17h49. Atualizado em 26 de Março de 2019 às 18h09

A coordenadora regional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), em Tucuruí (PA), Dilma Ferreira Silva, 47 anos, foi assassinada. O crime foi cometido de quinta para sexta-feira (22) na sua casa no Assentamento Salvador Allende, no município de Baião, no Pará. Foram executados o seu marido, Claudionor da Silva, de 42 anos, e o amigo do casal, Hilton Lopes, de 38 anos.

Dilma Ferreira Silva foi executada em assentamento, na semana passada, com o marido e amigo. Foto: MAB

Segundo as informações divulgadas pelo MAB, por volta das 21 horas de quinta-feira (21) cinco pessoas em três motos foram à casa de Dilma, onde funcionava um pequeno comércio. Na sexta de manhã, o ônibus escolar, que levaria Dilma à escola da comunidade (ela era monitora), parou em frente a sua casa e os corpos foram encontrados. Eles foram amarrados, amordaçados e mortos a golpes de arma branca.

Em nota, o MAB exigiu das autoridades a apuração rápida do crime e medidas de segurança para os atingidos por barragens em todo o Brasil. “Não temos dúvida de que vivemos em um momento de perseguição aos que lutam por justiça, por soberania, distribuição da riqueza e controle público das águas e energia. Enquanto os poderosos querem fazer uma reforma para privatizar a previdência e retirar a responsabilidade do Estado na Seguridade Social, temos nas vítimas do crime da Vale em Brumadinho e no assassinato de Dilma Ferreira Silva um exemplo concreto de ausência do Estado e dos Governos na proteção às vítimas”, diz um trecho da nota. Ainda não se sabe a motivação do crime. Embora o histórico de ameaças na região seja considerável, o Movimento não tinha notícias de que a liderança fosse especificamente ameaçada.

O assentamento Salvador Allende é regularizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Dilma fez parte das cerca de 30 mil famílias que foram obrigadas a deixar suas casas no fim da década de 1970 para a construção da hidrelétrica de Tucuruí, no rio Tocantins. O assentamento está localizado no km 50 da Rodovia BR-422 (Transcametá) e é fruto da ocupação da fazenda Piratininga, feita em 2011 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Dilma Ferreira
Dilma era coordenadora regional do MAB desde 2005. Defensora de direitos humanos, em 2011, participou do Encontro Nacional das Mulheres Atingidas por Barragens. Na ocasião, foi recebida pela presidente da República, Dilma Rousseff. Ela entregou um documento reivindicando uma política nacional de direitos para os atingidos por barragens e atenção especial às mulheres atingidas. Dilma Ferreira denunciou as violações dos direitos humanos na construção da barragem de Tucuruí. Segundo a militante, a empresa prometeu desenvolvimento para a comunidade. Porém o que houve foram inúmeros casos de prostituição, perda de terras, muitos acidentes e doenças – males estes nunca reparados. 

ONU e CDH cobram apuração

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados (CDHM) solicitou providências ao governador do Pará, ao secretário de Estado de Segurança Pública e ao procurador-geral de Justiça. A comissão pediu agilidade na adoção das medidas cabíveis para apurar o crime e identificar os responsáveis. No domingo (24), o Escritório para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) emitiu um comunicado. O órgão da ONU solicitou que as mortes de líderes de movimentos sociais ocorridas na semana passada sejam investigadas de forma independente e imparcial. ACNUDH relembrou que o Estado brasileiro tem a responsabilidade de garantir a proteção integral das pessoas defensoras de direitos humanos no país.

Com informações do MAB

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