Para o governo Bolsonaro, servidor público é o inimigo a ser abatido

Publicado em 27 de Maio de 2020 às 12h18
FOTO: Marcos Corrêa/PR

Entre as diversas frases bombásticas que vieram a público na divulgação da reunião interministerial do dia 22 de abril, uma chama a atenção para o modo enviesado com que o governo enxerga servidoras e servidores públicos. O vídeo, exibido quase integralmente - uma pequena parte foi vetada para não criar potenciais problemas incontornáveis com a China e com o Paraguai - respondia a uma demanda do ex-ministro Sérgio Moro na tentativa de demonstrar interferência do presidente no comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro. 

Durante a reunião, o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou a entender que as servidoras e servidores públicos do Brasil são ‘‘inimigos’’ do país, ao dizer que, ‘‘nós já botamos granada no bolso do inimigo e isso vai nos dar tranquilidade de ir até o final’’, em alusão à suspensão de reajustes salariais de várias categorias do serviço público até dezembro de 2021. 

O tempo dedicado a discutir a pandemia do novo coronavírus foi bem mais exíguo, e o assunto foi abordado de forma reveladora. O ministro apontou, ainda, que o Brasil vai registrar “um déficit extraordinariamente alto” nesse ano, e que “está todo mundo na mesma direção. Entretanto, no Brasil, caímos no chão, está uma confusão, tiro, porrada e bomba”.

Na avaliação de Antonio Gonçalves, presidente do ANDES Sindicato Nacional, a fala de Guedes reforça a compreensão de que para o governo Bolsonaro as servidoras e os servidores públicos do país são o alvo da vez no desmonte do Estado Nacional.  

Antonio também pondera que o vídeo divulgado explicita todas as políticas neoliberais do atual governo e chama a atenção para o fato de o ministro sempre atacar quem está no serviço público brasileiro. ‘‘Desde o início de sua gestão, Paulo Guedes ataca a categoria dos servidores públicos do país. Como exemplo, em fevereiro deste ano, comparou os servidores a parasitas. Ou seja, de lá para cá, apresenta não ter nenhum plano emergencial para salvar vidas dos trabalhadores e trabalhadoras, nem sequer nenhuma vontade em assegurar renda e emprego. Há apenas a necessidade e a mentalidade de atender o clamor de grandes empresários e a política privatista de Guedes”, garante.

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