Unicamp anuncia plano para retomada de atividades presenciais com data a ser definida

Atualizado em 20 de Agosto de 2020 às 16h37

Aulas remotas, no entanto, foram impostas já no início da pandemia, em março

A Universidade de Campinas (Unicamp) divulgou, na última semana (14), as diretrizes e protocolos para retorno gradual das atividades presenciais de docentes, técnicos e estudantes. A resolução da reitoria, datada de 10 de agosto, não fixa data para a volta e condiciona o retorno à evolução da pandemia nas regiões de Campinas e Piracicaba, de acordo com o Plano São Paulo, estabelecido pelo governo do estado. 

De acordo com a instituição, as diretrizes foram definidas conforme recomendações feitas por uma força tarefa da universidade, composta por onze grupos de trabalho. Cada GT ficou responsável por pensar diferentes etapas do retorno.

Paulo Centoducatte, 2º vice-presidente da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp SSind.), explicou que algumas poucas unidades da instituição estabeleceu diálogo com docentes, técnicos e discentes e abriu contribuição dos segmentos. Porém, em grande maioria, as participações foram apenas dos diretores de faculdade e coordenadores de curso.

“Uma das críticas que a gente fez junto à reitoria é que esses grupos de trabalho foram, todos eles, indicados pela reitoria e não houve participação das entidades representativas. Não pudemos participar e nem fomos consultados para nada”, reclama.

Conforme o diretor da Adunicamp SSind., a avaliação feita pela diretoria da entidade é de que essa proposta é importante, pois permite que docentes, técnicos e estudantes possam se planejar e saber quando se dará o retorno, com antecedência. Além disso, ele aponta que a universidade se responsabilizou pela testagem de todos que retornarem às atividades presenciais. E, ainda, desenvolveu um aplicativo para acompanhar possíveis sintomas desses técnicos, docentes e estudantes.

“Ter um plano como este, do ponto de vista da organização, é bastante positivo. Mas, outro ponto, é a forma como foi elaborado. A reitoria foi bastante autoritária. A grande maioria dos grupos foi indicada pela reitoria. Só uns dois ou três que têm representação de docentes e técnicos do Conselho Universitário. Há desde grupos para montar estratégia de compra de equipamentos e materiais de proteção de forma mais centralizada para conseguir comprar de forma mais racional, até grupos como esse que foi responsável por definir o plano de retorno. Foi feita uma proposta, as unidades discutiram, algumas de forma mais democrática outras não, e cada unidade fez um plano específico, que foi pouco divulgado”, relata o dirigente.

Outra questão apontada por Paulo é que, embora o plano geral da Unicamp seja bastante razoável, estabelece o retorno tendo como referência o estágio da pandemia da Covid-19, nas cidades onde estão os campi da universidade, de acordo com o Plano São Paulo. 

“Mas há vários especialistas que questionam os critérios que o governo do estado está usando para definir qual cidade está na faixa vermelha, amarela, verde. Alguns especialistas acham que essa faixa amarela não é uma faixa que indicaria para retorno. Isso é uma coisa questão que vamos levar para discussão com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades do Estado de SP). No caso da USP e da Unesp, a coisa está mais grave pois eles já estão chamando algumas pessoas para retornar”, comenta.

Ensino remoto
A Unicamp adotou o ensino remoto ainda em março, logo após ser decretada a pandemia do novo coronavírus. O diretor da Adunicamp SSind. conta que a instituição ficou apenas uma semana com as atividades acadêmicas paradas e a adoção desse modelo emergencial foi imposta, sob pressão e sem discussão, pela reitoria.

“A reitoria tratorou e nós não conseguimos nem fazer direito esse debate junto à categoria. Eles alegam que fizeram a discussão, mas daquele jeito, só com os diretores de unidade e coordenadores de curso. As unidades que tem diretores mais democráticos chamaram os professores para discutir, apresentar propostas. Mas, na maioria das unidades, passaram o trator”, relata.

Segundo o docente, as atividades presenciais foram interrompidas no dia 13 de março. E, já em março, houve o primeiro encaminhamento de que seria adotado o ensino remoto por todo o semestre. E, na sequência, uma resolução do órgão colegiado responsável definiu que que o segundo semestre também se dará de forma remota. “Então, inclusive para retomar a atividade de aula presencial, é necessária uma nova deliberação do colegiado de graduação e pós-graduação. O que pode ser presencial é mais a parte de laboratório, que não dá para fazer remoto”, afirma.

De acordo com Centoducatte, a Unicamp ainda não divulgou um levantamento do índice de acompanhamento das atividades acadêmicas por parte dos estudantes. A seção sindical está cobrando da reitoria que esse estudo seja elaborado, de forma detalhada e abrangente, para poder fazer o mapeamento dos impactos do ensino remoto na instituição.

Confira aqui o Plano Estratégico de retorno às atividades presenciais da Unicamp

* com informações da Unicamp

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