ANDES-SN convoca docentes para Dia Nacional pelo fim da escala 6x1 no domingo (30)

Publicado em 28 de Agosto de 2026 às 14h27. Atualizado em 28 de Agosto de 2026 às 14h28

O ANDES-SN convoca todas as suas seções sindicais, secretarias regionais, docentes e a população geral para ocupar as ruas no próximo domingo (30), no Dia Nacional de Mobilização pelo fim da escala de trabalho 6x1 e pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019. As mobilizações, que ocorrerão de forma descentralizada nos estados brasileiros, são organizadas em conjunto pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), centrais sindicais, sindicatos, movimentos sociais e as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular.

A mobilização popular é apontada como ferramenta crucial para pressionar o Senado Federal a votar a proposta de redução da jornada de trabalho em tempo hábil para que ela entre em vigor ainda este ano. De acordo com a diretoria do Sindicato Nacional, forças políticas de extrema direita e setores contrários aos direitos dos trabalhadores no Congresso Nacional tentam adiar a tramitação para inviabilizar a medida, que visa garantir mais qualidade de vida, tempo para lazer e convívio familiar à classe trabalhadora.

Por meio da Circular nº 365/2026, o ANDES-SN orientou formalmente que suas seções sindicais articulem e fortaleçam ativamente a organização e a participação nos atos locais. "O ANDES-SN convoca toda a categoria, seções sindicais, movimentos sociais e a população para somar nessa luta! Domingo, 30 de agosto, todas, todes e todos nas ruas pelo fim da escala 6x1!", destaca a entidade.

Tramitação ganha força no Senado
Depois de ampla pressão da população, a PEC 221/2019 foi aprovada na Câmara dos Deputados, no fim de maio, com ampla margem — por 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. Agora, a medida teve sua tramitação destravada no Senado Federal após articulações políticas entre o governo federal e a presidência da casa legislativa.

Um acordo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, consolidado em reuniões recentes, viabilizou o avanço do texto, que tem votação prevista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para a próxima quarta-feira (2).

Na última quinta-feira (27), o relator da matéria na CCJ, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável à proposta. Aziz optou por manter integralmente o texto aprovado pela Câmara e rejeitou todas as 12 emendas protocoladas no colegiado, que tentavam desidratar o projeto ao propor jornadas maiores por acordo coletivo ou alongar a transição. Ao blindar o texto original, o relator evita que a matéria precise retornar à Câmara dos Deputados para nova análise caso os senadores fizessem alterações substantivas.

O relatório fundamentou-se em dados técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2023 para expor o caráter desigual da atual jornada laboral. Os dados apresentados confirmam o que as ruas estão denunciando: as jornadas superiores a 40 horas semanais penalizam majoritariamente a população de menor renda e escolaridade. Conforme o relatório, 80% dos vínculos acima de 40 horas recebem até dois salários-mínimos, e 83% desses trabalhadores têm apenas o ensino médio completo ou menos.

Próximos passos no Senado
Para se tornar lei, a proposta precisa passar pelo seguinte rito legislativo:
Votação na CCJ: Agendada para o dia 2 de setembro, durante o esforço concentrado do Congresso antes das eleições.

Plenário do Senado: Se aprovada na comissão, a PEC seguirá para o Plenário, onde precisará ser votada em dois turnos, exigindo o apoio mínimo de 49 senadores em cada uma das votações. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contudo, ainda adota postura cautelosa e não garantiu a data para a votação definitiva em plenário.

O que prevê o texto da PEC 221/2019:

  • Fim da escala 6x1: Garante dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

  • Redução de jornada sem corte salarial: A jornada máxima semanal cai das atuais 44 horas para 40 horas, mantendo-se integralmente o salário contratual.

  • Transição gradual: Dois meses após a promulgação, a jornada limite cai para 42 horas semanais; um ano após esse primeiro prazo, a jornada é fixada definitivamente em 40 horas semanais.

    Com informações da Agência Brasil

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