
A delegação do ANDES-SN, composta por duas representações da diretoria nacional e por representantes das seções sindicais Adufop SSind., Adufmat SSind., Adufes SSind. e Adufu SSind., participou ativamente das celebrações do 1º de Maio em Cuba, integrando uma agenda intensiva de formação política, intercâmbio sindical e ações de solidariedade humanitária. A missão, composta por 11 docentes brasileiros e brasileiras, cumpriu uma deliberação aprovada no 44º Congresso do ANDES-SN para fortalecer o apoio internacionalista ao povo cubano frente ao bloqueio econômico.
Mobilização histórica em Havana
Sob o lema “A Pátria se defende!”, a delegação marchou ao lado de mais de 500 mil pessoas em Havana, em um ato que se concentrou na Tribuna Anti-Imperialista José Martí, em frente à embaixada dos Estados Unidos. Em toda a ilha, estima-se que mais de 5,2 milhões de cubanos e cubanas tenham saído às ruas para denunciar as sanções estadunidenses e defender a soberania nacional.

Para o presidente do ANDES-SN, Claudio Mendonça, a experiência foi revigorante para a luta sindical. "Saímos ainda mais convencidos de que, onde houver um povo em luta contra as brutalidades do capitalismo — em especial, contra o imperialismo estadunidense — devemos estar enfileirados nessa luta. Foi impactante a marcha com mais de 500 mil cubanos, de crianças a idosos, resistindo ao bloqueio econômico e ao bloqueio energético", afirmou.
Formação Política e Unidade Latino-Americana
A agenda incluiu a participação na 9ª Pasantía Sindical, um curso de formação organizado pela Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) e pela Federação Sindical Mundial (FSM), que reuniu centenas de militantes de diversos países, incluindo Estados Unidos, Venezuela, México, Colômbia, Uruguai e Chile. O tema central da Pasantía foi "O Movimento sindical latino-americano e os processos políticos pela construção da Unidade no contexto atual".

Entre os dias 23 de abril e 2 de maio, foram realizadas atividades, mesas e debates que abordaram temas urgentes para a classe trabalhadora. Uma das mesas discutiu as transformações no mundo do trabalho, com foco no impacto das novas tecnologias e da Inteligência Artificial sobre a organização sindical.
As delegações debateram, ainda, o pensamento político de Fidel Castro e a resistência do povo cubano frente aos efeitos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, que perdura há mais de 60 anos. O evento, sediado na Escola Nacional de Quadros Sindicais "Lázaro Peña", foi organizado pela Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) e pela Federação Sindical Mundial (FSM).

Letícia Carolina Nascimento, 2ª vice-presidenta do ANDES-SN, destacou a profundidade do aprendizado durante a missão. A diretora lamentou que não foi possível, por motivos de agenda, que toda a delegação docente estivesse em Cuba já no início da 9ª Pasantía Sindical, mas reforçou o acerto na decisão da categoria de enviar representantes para vivenciar a experiência e acompanhar o cotidiano do povo cubano.
"Para mim, a formação política foi um dos pontos mais incríveis, porque é um povo alegre, orgulhoso da sua pátria, da sua comunidade. É uma solidariedade que não se resume a uma questão da doação, mas de viver Cuba, de aprender sobre a importância da Revolução Cubana. Foi uma formação política integral", destacou.

A programação da Pasantía se encerrou em 2 de maio com o Encontro de Solidariedade Internacional e o Simpósio Internacional “O direito dos povos a decidir seu destino no cenário internacional contemporâneo”. No Palácio das Convenções de Havana, durante o Encontro de Solidariedade, delegações de todo o mundo se uniram em apoio a Cuba e à Palestina, pedindo a liberdade imediata para o ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, detidos arbitrariamente por forças navais israelenses durante uma missão humanitária da Flotilha Global Sumud em 29 de maio, nas proximidades da Grécia.
À tarde, o Simpósio apresentou mesas com diferentes temáticas que reafirmaram a necessidade e a perspectiva de unidade da América Latina, ponto crucial reivindicado nas atividades da Pasantía.

Solidariedade concreta
Além dos debates políticos, a delegação realizou entregas de medicamentos e insumos hospitalares em unidades de saúde de Havana e outras províncias, como o Hospital Manuel Fajardo, a Policlínica Docente Elpidio Berovides e o Hospital Dermatológico Dr. Guillermo Fernández Hernández-Baquero. Entre as doações, destacaram-se medicamentos e insumos básicos, além de itens de saúde menstrual, como absorventes comuns e reutilizáveis.
Parte da delegação docente também participou de trabalho voluntário em hortas comunitárias no projeto agroecológico El Rincón.
Claudio Mendonça reforçou que essas ações simbolizam a união entre os trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil e de Cuba. "A participação do ANDES-SN e de suas seções sindicais cumpriu inúmeros papéis importantes. Um deles foi demonstrar, de forma concreta, por meio das doações, que estamos irmanados na luta e que permaneceremos mobilizados para contribuir dentro das possibilidades objetivas", disse.

Letícia Carolina também ressaltou o impacto do bloqueio imperialista na saúde local, notado durante a visita ao Hospital Manuel Fajardo. "Você começa a ver o cuidado que as pessoas têm e a excelência da medicina cubana, mas também a dureza que é ter uma saúde pública limitada pela falta de insumos. São médicos formados, de qualidade, mas que muitas vezes não conseguem cuidar da população porque não têm material básico devido ao bloqueio", observou.

Além do presidente e da 2ª vice-presidenta do ANDES-SN, compuseram a delegação de docentes Maria Aparecida de Carvalho, diretora da Adufes SSind., Rafael Bellan, da base da Adufes SSind., Mariza Oliveira e Fernanda Nocam, diretoras da Adufu SSind., Kathiuça Bertollo, Gabriela Gomes e Pedro Henrique de Abreu, da diretoria da Adufop SSind., Breno Santos, diretor-geral da Adufmat SSind., e Lélica Lacerda, base da Adufmat SSind.
* Com informações das seções sindicais. Fotos: Delegação ANDES-SN