ANDES-SN repudia ataques à democracia após derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro

Publicado em 30 de Outubro de 2026 às 12h45. Atualizado em 30 de Outubro de 2026 às 13h09

Sindicato Nacional cobra investigação de práticas antidemocráticas e responsabilização por atos de violência política; governo contabiliza 10 mortes e 47 vítimas no processo eleitoral

O ANDES-SN divulgou, nessa quarta-feira (28), uma nota de repúdio às práticas antidemocráticas do senador Flávio Bolsonaro (PL) e aos episódios de violência política praticados por sua base de apoio durante a reta final e após as eleições presidenciais de 2026. O documento também condena a ida do candidato derrotado aos Estados Unidos, em meio a denúncias de ataques ao processo democrático e à soberania nacional, após a vitória da chapa Lula-Alckmin, eleita para governar o país entre 2027 e 2030.

Foto: RS/Fotos Públicas

Na nota, encaminhada às seções sindicais por meio da Circular nº 441/2026, a diretoria do Sindicato Nacional denuncia a escalada de violência promovida por apoiadores do bolsonarismo e critica a postura de Flávio Bolsonaro diante do resultado das urnas. A entidade ressalta que a saída do senador do país, após a derrota eleitoral, ocorre em um contexto de tentativas de deslegitimar o pleito e a vontade popular.

O ANDES-SN também relembra que a violência política e os atentados às instituições públicas de ensino, que marcaram as eleições de 2018, voltaram a ocorrer em 2026. Entre os casos citados estão os assassinatos do mestre de capoeira Moa do Katendê, em Salvador (BA), em 2018, e do engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, em Santos (SP), durante o processo eleitoral deste ano. Segundo a entidade, ambos foram vítimas de crimes cometidos por apoiadores do bolsonarismo.

O documento denuncia ainda episódios de racismo, agressões contra integrantes das comunidades acadêmicas e tentativas de dificultar o acesso de eleitoras e eleitores às urnas no segundo turno, realizado em 25 de outubro. A entidade também critica manifestações de empresários e parlamentares da extrema direita que passaram a defender, nas redes sociais, a demissão de trabalhadoras e trabalhadores que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva.

“Nós, do ANDES-SN, repudiamos todas as ações de violência e ataques ao povo brasileiro, como uma ação revanchista do bolsonarismo no país. Solidarizamo-nos com todas as pessoas vítimas de violências durante o processo eleitoral e que ousaram enfrentar o fascismo! Não permitiremos que a sanha fascista comande o país novamente!”, afirma o Sindicato Nacional.

A entidade exige a apuração das denúncias contra Flávio Bolsonaro e a responsabilização de todos os envolvidos em crimes contra a classe trabalhadora e a democracia brasileira. “Quem não deve, não teme! Pela imediata deportação de Flávio Bolsonaro! Fascistas não passarão!”, conclui a nota da Diretoria do Sindicato Nacional.

10 mortes por violência política
No mesmo dia da divulgação da nota do ANDES-SN, o governo federal anunciou medidas para investigar os episódios de violência política registrados durante e após as eleições presidenciais. Um levantamento inicial da Secretaria-Geral da Presidência da República e do Ministério da Justiça e Segurança Pública identificou 45 ocorrências, com 47 vítimas, entre elas 10 pessoas assassinadas, incluindo três indígenas.

De acordo com o governo, os casos se intensificaram após a divulgação do resultado eleitoral e incluem agressões físicas, espancamentos, esfaqueamentos, atropelamentos intencionais, disparos de armas de fogo, abuso de autoridade e violência policial. Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina concentram o maior número de ocorrências.

O Ministério da Justiça também investiga denúncias de crimes eleitorais, racismo, violência política de gênero e disseminação de discursos de ódio nas plataformas digitais.

Diante da gravidade dos episódios, o governo anunciou a articulação de investigações com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a Polícia Federal (PF) e os órgãos estaduais de segurança pública. As medidas incluem a identificação e a responsabilização dos autores dos crimes, além da apuração de denúncias envolvendo agentes públicos.

Violência contra povos indígenas
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou, nessa quinta-feira (29), a criação de uma força-tarefa federal para receber e apurar denúncias de violência e intimidação contra comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. A medida ocorre após a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) identificar mais de 30 denúncias de ataques durante o período eleitoral. A entidade encaminhou uma carta ao presidente Lula cobrando medidas urgentes de proteção às comunidades e avanços na demarcação de terras indígenas.

Entre os casos denunciados estão atropelamentos, ameaças de morte e suspeitas de envenenamento da água consumida pelas comunidades. Em Tacuru (MS), um servidor público municipal foi afastado após a circulação de um áudio com ameaças de contaminação da água distribuída por caminhões-pipa. Na mesma cidade, um incêndio destruiu, nessa quinta-feira (29), uma casa de reza da comunidade Guarani Kaiowá. Há suspeita de intolerância religiosa.

Acesse aqui a Circular nº 441/2026

Compartilhe...

Outras Notícias
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
EVENTOS
Update cookies preferences