Centrais Sindicais realizam atos nesta quinta (21) contra o fechamento da Ford

Publicado em 19 de Janeiro de 2021 às 16h50

Na próxima quinta-feira (21), as Centrais Sindicais brasileiras realizarão atos por todo o país em defesa dos empregos na Ford. A empresa anunciou o fechamento de todas as unidades no Brasil. O protesto também pautará a defesa da soberania do país. Estão previstas manifestações nas fábricas da Ford e também nas concessionárias da montadora, além de assembleias nos locais de trabalho.

As Centrais Sindicais avaliam ser absurdo o fechamento da Ford no Brasil, sem que a empresa tenha qualquer responsabilidade com os trabalhadores e as trabalhadoras, considerando toda a lucratividade e isenção de impostos de que gozou durante um século de atuação no país. Nos últimos 20 anos, as montadoras receberam R$ 69,1 bilhões em incentivos federais (valores corrigidos pela inflação).

A CSP-Conlutas se incorpora à mobilização e, além do não fechamento das unidades, cobra também a nacionalização ou estatização da empresa, sob o controle dos trabalhadores e das trabalhadoras para garantir empregos e direitos.

Atos engrossam lutas
Outras ações contra o fechamento da Ford no Brasil também estão ocorrendo durante a semana. Na segunda-feira (18), dezenas de uniformes foram pendurados nos alambrados da unidade de Taubaté (SP), retratando o drama vivido pelos trabalhadores demitidos pela montadora. Em cada um, o nome dos operários e de seus familiares. O protesto teve o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado à CSP-Conlutas.

No último dia 14, trabalhadores e trabalhadoras da General Motors de São José dos Campos (SP) realizaram assembleia e aprovaram solidariedade e apoio à luta contra a saída da Ford do Brasil.

Não ao fechamento da Ford
O fechamento das três unidades da Ford no Brasil, instaladas na Bahia, no Ceará e em São Paulo, levará à demissão direta de 5 mil trabalhadores. Também deve provocar outras 15 mil demissões no setor de autopeças no país, além do fechamento das concessionárias da marca em todo o Brasil.

De acordo com análise do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), haverá uma perda potencial de 118.864 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com uma perda de massa salarial de R$ 2,5 bilhões aos trabalhadores. Já a queda de arrecadação de tributos e contribuições deverá girar na ordem de R$ 3 bilhões ao ano.

“Entre 2002 e 2018, a Ford teve acesso a R$ 5,5 bilhões de crédito. Entre 2016 e 2019, o setor automotivo como um todo foi contemplado com incentivos tributários federais no montante de R$ 15,4 bilhões, além da política de desoneração da folha de pagamentos”, aponta o levantamento do Dieese.

Fonte: CSP-Conlutas, com edição e inclusão de informações do ANDES-SN.
Foto: Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos

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