Com aval do MEC, universidades ameaçam volta às aulas com sistema híbrido de ensino

Publicado em 26 de Março de 2021 às 15h02

No pior momento da pandemia da Covid-19, universidades públicas têm cogitado a volta às aulas no modelo híbrido de ensino, que combina aulas presenciais no formato tradicional com o ensino remoto de emergência em um ambiente virtual.

Em fevereiro deste ano, a Universidade Federal de do Mato Grosso do Sul (UFMS) publicou uma instrução normativa (PROGEP n° 21) e uma portaria (n° 1235) que tratam do retorno às atividades presenciais das e dos docentes, das e dos técnicos, terceirizados, terceirizadas e estudantes na instituição, sejam nas atividades de administração, pesquisa ou extensão, a partir do dia 15 de março. 

Diante da medida, as e os docentes da UFMS deliberaram, em assembleia, posicionamento contrário à retomada das atividades presenciais na instituição, sem a vacinação. Eles consideram irresponsável o retorno em um dos piores períodos da pandemia. A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (Adufms- Seção Sindical do ANDES-SN) se reuniu com representantes da administração da instituição e solicitou esclarecimentos sobre o retorno às atividades presenciais. Na ocasião, foi afirmado que todas as obrigações docentes podem seguir de forma remota como já vem sendo feito e que, em alguns casos, dentro das decisões de cada curso, se houver a necessidade de atividades práticas, que elas sejam feitas de acordo com os cursos, com “todos os cuidados necessários”.

Em nota, o ANDES-SN publicou apoio à deliberação da assembleia docente da Adufms SSind. contra o retorno das atividades presenciais em regime híbrido. “A diretoria do ANDES-SN expressa toda solidariedade à comunidade da Ufms e à decisão soberana da assembleia da Adufms SSind., que deve ser respeitada enquanto meio de salvaguarda da vida não só dos professores e das professoras da Ufms, como também de todas e todos nas cidades em que a universidade mantenha atividades”.

UFR
Na Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), em Mato Grosso (MT), não foi diferente. O Conselho Universitário (Consuni) aprovou, no dia 4 deste mês, a permissão para a retomada de atividades presenciais de ensino, deixando facultada aos Colegiados dos Cursos, com anuência dos Institutos e Faculdades, a decisão sobre o retorno ou não dessas atividades.

A Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal do Mato Grosso - Rondonópolis (Adufmat-Roo SSind.), em consulta aos 19 colegiados de curso da UFR, constatou que a maioria deles (16 cursos) é contrária à retomada das aulas, seja pelo ensino presencial tradicional ou pelo chamado regime híbrido, defendendo exclusivamente o ensino remoto emergencial diante da excepcionalidade do momento. Apenas três cursos defenderam o ensino híbrido e nenhum defendeu o ensino presencial.

De acordo com o Sindicato Nacional, em nota publicada, a resolução do Consuni da UFR reforça o clima de negacionismo científico, propagado pelo governo federal, e fere a decisão da própria comunidade, que é o de manter as atividades remotas. “A resolução coloca em risco o exercício de práticas docentes e discentes que podem expor à morte por Covid-19 os corpos daquelas e daqueles que compõem a comunidade acadêmica da UFR”, afirma o ANDES-SN.

Para o ANDES-SN, sem vacina para todas e todos, o retorno presencial às atividades nas escolas, universidades, institutos e Cefet é a porta aberta para aprofundar a catástrofe que se vive no Brasil. “A medida das aulas híbridas vem na contramão do movimento que clama pela realização de um lockdown nacional, acompanhado de um auxílio emergencial condizente com as necessidades dos trabalhadores e das trabalhadoras e que se respalda na ciência e nas orientações das instituições públicas de saúde”, ressalta a entidade.

Acesse as notas na íntegra emitidas pelo ANDES-SN sobre a UFMS e UFR

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